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Wal-Mart: A TI apoiou a recuperação?

Apesar do baixo crescimento, a rede se destacou entre os concorrente justamente depois de implementar dois novos e grandes aplicativos

CIO (EUA)

06/03/2008 às 12h08

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O Wal-Mart entregou o relatório de vendas do quarto trimestre de vendas e de receitas na semana passada, e a relativa boa notícia foi causa de uma pequena celebração em meio às turbulências da economia norte-americana. O lucro foi 4% maior quando comparado com o mesmo período do ano anterior, um total de US$ 100 bilhões em vendas no trimestre. As mesmas lojas dos Estados Unidos, uma boa métrica de comparação, cresceram modestos 1,7%, o que foi considerado aceitável por analistas, dado o clima.

Especialistas em finanças estão prevendo uma estagnação econômica, algo que não acontece desde a recessão de 1991. Mas analistas de varejo dizem que o Wal-Mart, com sua renovada ênfase em preços baixos, pode estar bem-posicionado para suportar a tempestade. “Outras marcas fecharam lojas, despediram centenas de empregados, reavaliaram o número de lojas, enquanto o gasto dos consumidores encolhe,” relatou o The New York Times. Um analista de varejo graduou a situação financeira do Wal-Mart como “B” enquanto o resto da indústria ganhou um “C-menos.”

Um artigo recente sobre vendas notou que os maiores competidores da rede tiveram resultados inferiores: as vendas da Sears caíram 2,8% em dezembro de 2007, as vendas do Kmart caíram 4,2%, e as da Target, 5%. O Wal-Mart, por sua vez, cresceu 2,7% em dezembro.

Ao entregar os resultados financeiros do ultimo trimestre no final de fevereiro, o presidente do Wal-Mart e CEO Lee Scott atribuiu o recente sucesso à “estratégia de preço” e “melhores serviços ao consumidor,” citando a limpeza das lojas, a redução de produtos fora de estoque e filas mais rápidas. Scott estava contente com o resultado, mas se mantém cauteloso quanto ao futuro, enfatizando: “Sabemos que a economia continua a ser um fator crítico neste ano fiscal.”

O que a TI tem a ver com isso?
A CIO publicou há pouco tempo um artigo analisando como o departamento interno de TI do Wal-Mart contribuiu para os problemas ficais da rede varejista, que teve suas vendas estagnadas desde 2005.

O ISG Group, como é conhecido internamente, distraiu-se com o projeto de identificação por rádio freqüência (RFID) que frustrou os fornecedores, segundo o artigo. Além disso, o ISD Group deveria ainda se ajustar a realidade da Web 2.0 e consequentemente aos esforços de vendas online das concorrentes. Além disso, os líderes de TI fecharam-se demais no crescimento interno dos sistemas, mas não o fizeram suficientemente escalável.

Acima de tudo isso, tanto o Wal-Mart como ISD trabalhavam com controle e comando centralizados, tomando todas as decisões e tirando o poder e flexibilidade dos gerentes locais.

O futuro do Wal-Mart dependia, em partes, do CIO Rollin Ford e da habilidade de seu departamento de entregar aplicações e sistemas que o gigante do varejo precisa hoje para competir – assim como fez a uma ou duas décadas atrás.

Paula Rosemblum, uma analista de sistemas de varejo, disse no artigo que apesar da área de TI não ter contribuído decisivamente para os problemas da rede, “é justo dizer que eles não anteciparam a mudança. E eles não perceberam que os softwares e hardwares de varejo tinham maturidade suficiente para suportá-las.”

Na metade de 2007, o Wal-Mart anunciou que estava em processo de implementação de sistemas que antes pareciam impossíveis, apontou o artigo. A rede comprou a aplicação de otimização de preços da Oracle e a plataforma de warehousing Neoview da HP para manter os dados de suas 4 mil lojas norte-americanas. Rosenblum notou que a ferramenta Neoview da HP poderia prover inteligência de negócio (BI) com todos os dados de produtos vendidos e de consumidores. Isso poderia trazer um diferencial competitivo, em que os estoques regionais seriam estruturados de acordo com suas necessidades específicas. A aplicação Oracle poderia ajudar a rede a mudar rapidamente o merchandising ao saber quando fazer desconto em produtos que não estão vendendo.Combinadas, as duas ferramentas oferecem um poderoso instrumento de tomada de decisões para os gerentes de vendas do Wal-Mart.
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O preço está correto
Ao anunciar os resultados de seu quarto trimestre, o CEO atribuiu os “fortes resultados” a sua “estratégia de liderança em preço.” Essa estratégia foi uma outra forma de dizer que o Wal-Mart voltou a sua rota de preço baixo todos os dias, da qual havia se afastado em 2006. Em 2007, o Wal-Mart cortou preços muito antes do que normalmente fazia nas festas de final de ano, na tentativa de reverter os resultados anteriores, de acordo com o artigo.

No relatório do quarto trimestre, Débora Weinswig, uma analista de varejo da Citi Investment Research, notou que “o maior responsável pelos resultados positivos foi a melhora do nível de gerenciamento de inventário, seguido por uma política rígida em relação a isso.” Parece que os novos aplicativos estavam, desde o começo, em uso.

Para Rosenblum, a responsabilidade do levantamento financeiro do Wal-Mart é de uma combinação das melhorias em TI e um pouco de sorte. “Obviamente, a ferramenta da Oracle, que possibilita velocidade na tomada de ação, ajudou o Wal-Mart a sair mais rápido de uma situação ruim,” diz ela. “A TI os tirou de um lugar ao qual não pertencem e fez isso de forma limpa, mas a companhia ainda tem muito trabalho a fazer em localizar sortimentos. Eu penso que levará um tempo para as iniciativas tecnológicas se acertarem.”

John Simley, diretor de relação com a mídia do Wal-Mart, diz que “existe uma série de áreas se movendo para produzir os resultados financeiros, e é conhecido que os esforços de TI da companhia em muitas formas torna isso possível.” Ele afirma que “os sistemas de TI ajudaram o Wal-Mart a garantir que temos os produtos certos, no lugar certo, na hora certa para os clientes, e isso depende exclusivamente dos dados”. O uso apurado de dados “nos permite reduzir os custos do sistema, e tudo que pudermos fazer para reduzir custos nos permite reduzir nossos preços.”

Quando questionado se a ferramenta de otimização de preço da Oracle teve um papel específico em possibilitar o barateamento e maior precisão das vendas do Wal-Mart no último trimestre (que incluiu as festas), Simley diz que ele não pode detalhar nada especificamente, mas que “é justo dizer que todas as aplicações trabalharam juntas para nos ajudar a fazer nosso trabalho.”

Quanto à sorte a qual Rosenblum refere-se, “a companhia voltou ao básico, no momento correto da economia,” diz ela. “O Wal-Mart está muito bem posicionado agora por conta do atual momento da economia.”

Na conference call, o CEO também afirmou que a melhora dos serviços ao consumidor nas lojas foi resultado da redução da falta de produtos nos estoques e filas mais rápidas nos caixas.

No último artigo da CIO, foi dito que a TI e serviços ao consumidor andam de mãos dadas, e que a TI tem um papel essencial em melhorar a experiência de compras dos consumidores.

Rosenblum, todavia, não acha que o ISD Group teve muita participação no rejuvenescimento do atendimento ao cliente. Muitas dessas tarefas, diz ela, são grosseiramente equivalentes a dizer que a TI teve um papel em “assegurar que as luzes estão acesas. De fato, se os sistemas de loja não são continuamente melhorados, algo horrível está acontecendo.”

Para a maior parte das companhias é difícil alinhar qualquer iniciativa de TI a um aumento nos resultados finais, especialmente em resultados financeiros, já que Wall Street ainda não dá a devida atenção à questão.

Obviamente, é muito mais fácil apontar como a TI suga recursos. Alguns analistas chegaram a apontar que os ganhos da rede foram minimizados por três projetos de longo-prazo: mercahndising, finanças e projetos de RH (sendo que os projetos de finanças e RH são parte do pacote de implementação SAP).

Mesmo com as boas notícias, o Wal-Mart e outras revendas encaram um ano difícil pela frente, Os executivos da rede disseram à comunidade de analistas que as vendas devem se manter estáveis, ou terão um crescimento de 2%, no primeiro quarto de 2008, o que pode estar fora das expectativas de analistas.

Agora mais do que nunca, o Wal-Mart terá que aprender a confiar em seus sistemas de TI e nos novos aplicativos de varejo durante o próximo ano fiscal.

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