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Você realmente precisa de um Chief Mobility Officer?

Alerta de spoiler: não. Em alguns casos, criação da posição pode ser prejudicial para executivos e para os resultados de uma empresa

Lucas Mearian, Computerworld EUA

05/11/2019 às 8h00

Foto: Shutterstock

Embora uma em cada três grandes empresas possua um Chief Mobility Officer (CMO), a função tem sido considerada desnecessária - e a existência do cargo pode afetar os resultados da organização.

A consultoria Janco Associates, que cria descrições de cargos e realiza pesquisas salariais semestrais, atualizou na semana passada o papel do Chief Mobility Officer, visando incluir as políticas de conformidade e privacidade.

"À medida que o uso de dispositivos móveis pessoais, redes sociais e requisitos de conformidade se expandem, as organizações enfrentam um dilema. Como elas podem equilibrar os mandatos de conformidade de privacidade, com a continuidade dos negócios, segurança e necessidades operacionais em um ambiente operacional cada vez mais complexo?" questiona Victor Janulaitis, CEO da Janco Associates.

Os CMOs tendem a ser encontrados em empresas maiores, que tenham US$ 250 milhões ou mais em receita. De acordo com pesquisas recentes, cerca de 32% dessas organizações têm profissionais que desempenham o papel. Essa porcentagem cai para menos de 20% para negócios na faixa de receita de US$ 100 milhões.

Para Janulaitis, o CMO é responsável pela direção geral de todos os problemas de mobilidade associados a aplicativos de tecnologia da informação, comunicações (voz e dados) e serviços de computação na empresa. Isso inclui o gerenciamento de programas BYOD, a definição de plataformas e dispositivos para oferecer suporte, segurança, configurações e aplicação de políticas móveis.

No entanto, nem todos concordam que um CMO é necessário e, em alguns casos, a criação da posição pode ser prejudicial para os executivos de nível C e para os resultados de uma empresa.

Brian Hopkins, analista da Forrester Research, afirma que os CMOs são apenas os mais recentes na tendência de criar diretores-x para abordar todas as novas questões que surgem.

Para a maioria das organizações, a multiplicidade de cargos de CxO que estão sendo criados - desde mobilidade e digital, passando por executivos de crescimento e de dados - são pouco mais que funções de nicho que produzem uma camada desnecessária de burocracia que pode levar a silos operacionais nas empresas.

Em particular, muitas "empresas imaturas" veem um problema ou uma tecnologia emergente que desejam adotar e pensam imediatamente que precisam criar uma nova posição executiva para se apropriar dela. Além disso, a criação de uma posição executiva de nível C para cada novo problema ou tecnologia envia uma mensagem ao CIO de que ele não é capaz de gerenciar sua própria equipe.

"O problema disso é que você cria voluntariamente um silo organizacional. Se você tem muitas autoridades e líderes, isso torna a criação dessas experiências mais completas difícil", explica Hopkins.

As empresas devem examinar as equipes de liderança existentes e suas responsabilidades dentro de uma unidade de negócios e garantir os incentivos para que elas trabalhem juntas. Dessa forma, a organização pode medir o número de vezes que os executivos dizem "não" a um projeto de tecnologia.

"Estamos dizendo que as empresas que não fazem isso terão dificuldade para aumentar seus números, porque a tecnologia é necessária para criar crescimento", observa Hopkins. "Em muitos casos, pensamos que o problema não é que você precise de outro executivo C. O problema é que os candidatos a C que você tem não estão trabalhando juntos porque não têm a governança ou a cultura certa."

Portanto, antes de nomear qualquer novo "diretor-x", observe os executivos de nível C que você possui e resolva as disfunções que já existem, recomenda Hopkins.

A Forrester publicou recentemente seu relatório Predictions 2020. Nele, a empresa de pesquisa previu que todas as companhias que ainda têm o CIO se reportando ao CFO ou COO - e não ao CEO - perderão as metas de crescimento em 2020.

"Além disso, a criação de um CMO, eu acho, turva a água, porque agora quais são as diferenças entre os objetivos do Chief Mobility Officer, Chief Digital Officer e Chief Information Officer?", acrescenta Hopkins.

Nick McQuire, vice-presidente e chefe de pesquisa empresarial da CCS Insight, acredita que tem havido muita discussão sobre os CMOS e outros cargos CxO recentemente. As posições de Chief Mobility Officer foram criadas antes de 2010, quando o uso de dispositivos móveis no trabalho era relativamente novo e considerado uma tecnologia pioneira.

A maioria das empresas descobriu rapidamente que criar uma posição para supervisionar todas as operações móveis não era escalável em termos de transformação digital, porque criava silos.

Nos primeiros dias dos dispositivos móveis das empresas, as equipes cuidavam de suas compras e gerenciamento. Às vezes, os aparelhos móveis se enquadravam na troca de mensagens, porque essa era a principal função dos dispositivos Blackberry: e-mail e colaboração. Quando o iPhone e o gerenciamento de dispositivos móveis (MDM) surgiram, as equipes de infraestrutura corporativa se tornaram responsáveis ​​pela implantação de soluções de mobilidade - principalmente por email e outros aplicativos. Logo depois, a segurança móvel foi adicionada às funções. (A simples complexidade de gerenciar dispositivos móveis significava que alguns achavam que precisavam da supervisão de alguém.)

Mas a necessidade de um CMO teve vida curta, porque as operações móveis se transformaram no ambiente de computação do usuário na maioria das empresas e, nos próximos anos, o gerenciamento em silos se transformará em UEM (Unified Endpoint Management).

De acordo com a pesquisa mais recente dos tomadores de decisão de TI da Forrester, 80% das empresas combinaram suas equipes de operações móveis e de desktop em uma única equipe ou função - e 90% dos entrevistados imaginam que suas operações de desktop e móveis serão suportadas por um conjunto unificado de ferramentas e estratégia nos próximos três anos.

As operações de dispositivos móveis agora estão sendo reformuladas com base na migração para o Windows 10 e os serviços em nuvem Intune da Microsoft. O suporte para o Windows 7 termina em janeiro, quando o Intune se tornará o método padrão para gerenciar todos os terminais.

O Intune foi projetado para oferecer aos administradores de TI uma maneira fácil de gerenciar dispositivos móveis corporativos e pessoais. Embora obviamente esteja vinculado ao Windows 10 e a outros produtos da Microsoft, a solução foi projetada para gerenciar hardware executando outros sistemas operacionais.

A chegada do Intune, sete anos atrás, ocorreu quando as empresas estavam sendo forçadas a gerenciar uma chegada repentina de dispositivos que acessam dados e redes corporativas. Embora ainda existam silos em TI, a maioria das organizações está se esforçando para eliminá-los.

Apesar da mudança para o Windows 10 ser um catalisador para a adoção do UEM, grande parte das empresas ainda está aplicando uma implantação e gerenciamento tradicionais no Windows 10, apenas para cumprir o prazo. Para McQuire, essas organizações não estão tratando o Windows 10 como uma nova maneira de gerenciar a infraestrutura de TI.

"É uma realidade do aqui e agora a migração para o Windows 10 antes de janeiro de 2020 e, por outro lado, é preciso olhar mais adiante e descobrir se faz sentido ter silos em torno das plataformas ou se podemos unificar esse ambiente", declara McQuire. "Sinto que as empresas querem chegar lá, mas ainda não estão prontas."

 

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