Home > Gestão

Três dicas para aumentar a motivação da equipe

Invista em boa comunicação, capacidade de decisão e atenção às habilidades básicas.

John E. West, CIO/EUA

24/06/2014 às 12h54

Foto:

Cinco anos atrás voltei a trabalhar no Departamento de Defesa,
como diretor do High Performance Computing Center, em Vicksburg (EUA).
Eu havia deixado o cargo dois anos antes, depois de passar toda a minha
carreira ali. Buscava novas experiências. Saí porque a
organização foi sendo tomada por conflitos entre a equipe de TI e os
terceirizados. Minha própria atitude frente à equipe tornou-se parte do
problema. Era, definitivamente, hora de ir embora.

Fui um
colaborador menor para este cenário, com um papel menor de liderança,
controlando a equipe interna. Quando mudou a política de governança, fui
chamado de volta. Eu estava ansioso para retomar um projeto.

Meu
time estava repleto de gente talentosa, dedicada, preparada para
assumir compromissos. O centro tinha mudado com os anos, mas a equipe
não tinha sido realocada. Enquanto as ordens vinham de cima, tinha muita
gente trabalhando com o que não deveria – ou por falta de conhecimento
ou por excesso do mesmo, o que é desperdício. Mas reorganizá-los não era
suficiente. Nos anos anteriores à minha saída, nós tínhamos gastado
muito tempo focando em atividades administrativas endêmicas do governo,
sem tempo para planejar estratégias futuras.

Quando retornei,
estávamos competindo por verba, novos projetos e reconhecimento.
Historicamente, sempre estivemos numa posição privilegiada, o que estava
começando a mudar. Grande parte da equipe precisava treinar novas
habilidades, ligadas ao compartilhamento de ideias. Eu precisava
converter 100 funcionários passivos em líderes.

Procurei
desenvolver três características junto aos talentos que, eu sabia,
existiam nas equipes, tanto interna quanto externa. Boa comunicação,
capacidade de decisão e atenção às habilidades básicas. 

1 – Faça-os falar
A primeira necessidade que
detectei foi a comunicação. As equipes interna e terceirizada não se
falavam, mantinham-se isoladas pelo conflito há tempos. Cada lado tinha
suas operações críticas e informações técnicas que o outro lado
precisava, mas que a cultura de adversidade preventiva evitava de
circular. Nenhum lado se sentia envolvido no que o outro fazia,
inclusive porque isto significaria mais responsabilidade e nada de
reconhecimento.

Institui uma série de reuniões com todos os
níveis da organização, incluindo encontros diários e semanais com o alto
escalão responsável pela terceirização e o trabalho interno. Nestas
reuniões, eu enfatizava os objetivos da equipe como um todo e falávamos
abertamente sobre problemas e soluções. Resolvíamos problemas
conjuntamente, como uma equipe, compartilhando conhecimentos técnicos.

Este
foi um passo fundamental. As pessoas se sentiam satisfeitas em
colaborar com cada resultado. Os membros mais jovens do time respondiam
rapidamente à nova cultura, e rapidamente começaram a aplicar isto no
dia-a-dia. Os veteranos demoraram mais para se adaptar. E tive que
respeitar isto. Muitos tinham ressalvas à minha conduta. Procurei deixar
todas as minhas decisões o mais transparentes possível.

2 – Deixe-os tomar decisões
"Empowerment", ou
gestão compartilhada, é um termo batido no mundo dos negócios e eu não
costumo usá-la com minha equipe. Mas, chamando-os a participar, dando a
eles autoridade a tomar decisões, consegui que liberassem seus talentos.
Aprendi com isto que as pessoas são incrivelmente talentosas e
dedicadas. Também aprendi que, apesar do avanço, muitos ainda estavam
longe de poder assumir um cargo efetivamente de liderança. Se quisesse
isso um dia, teria que prepará-los para tanto. A equipe precisa ser
educada sobre o que é mais importante para a organização e também
precisa exercitar a liberdade para tomar as decisões mais coerentes.

Nas
reuniões diárias e semanais, pedia a opinião geral de cada um e,
depois, fazia uma série de outras perguntas, para que eles pudessem
alinhar o pensamento, praticar o raciocínio com a lógica do negócio.
Eles podiam, assim, acompanhar os ângulos que eu analisava antes de
chegar a uma conclusão. Isto seria útil quando se deparassem com
situação parecida. A cada novo encontro, o grupo se tornava mais
crítico, mais preparado. Hoje, as decisões são tomadas seguindo este
processo, desde equipes juniores até a diretoria. Como consequência, a
equipe responde com muito mais agilidade às necessidades do negócio.

3 – Ensine as habilidades básicas
O
último pedaço do quebra-cabeça de liderança é enfatizar quais são as
habilidades básicas desejadas: escrever bem, saber falar e gerenciar a
própria carreira.

Em TI, nós gastamos muito tempo com educação
técnica. Mas, esquecemos de passar aos funcionários o que é preciso para
alcançar, de fato, o sucesso. Esperar que todos falem bem e tenham
instinto aos negócios naturalmente é equivocado. O primeiro passo,
sempre, é começar por você mesmo. Você precisa demonstrar ter as
habilidades que deseja cobrar dos outros. Eu também desejava que todos
tivessem uma visão clara dos objetivos da própria carreira e um plano
para alcançá-los. Mas isto é delicado, já que nunca você quer hoje o
mesmo que vai querer daqui a cinco anos. Porém, é preciso para trabalhar
com foco e satisfação, já que promoções não caem do céu. Traçamos
etapas e, como planejamos juntos cada passo para alcançar estes
objetivos, falávamos sempre de opções e mudanças ao longo do percurso.
Isto os ajudou a colocar suas carreiras em perspectiva. O simples ato de
conversar a respeito, lhes dava um ânimo bastante particular para as
atividades de trabalho.

Acredito que um dos melhores
indicativos de sucesso para um líder dentro de uma organização técnica é
quando a pessoa se mostra apta a retornar um plano à estratégia
primária. Sinto-me gratificado em ocupar novamente a mesma posição na
empresa. Uma vez que você tem uma equipe, não apenas uma coleção de
contribuidores individuais, e ela funciona com liberdade e comunicação,
você pode deixar as pessoas tomarem as decisões por elas próprias.
Porque, ao olhar para o futuro, você verá a organização em boas mãos.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail