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Transformando a linguagem open source para promover a inclusão
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Transformando a linguagem open source para promover a inclusão

Se o open source quer realmente ser reconhecido como fomentador de um ambiente colaborativo, ele precisa verdadeiramente acolher a todos

Por Chris Wright*

28/07/2020 às 10h00

Foto: Adobe Stock

Desenvolvida a partir da década de 1990, a tecnologia open source sempre teve como premissa a união de diferentes vozes para compartilhar ideias, desafiar o status quo, solucionar problemas e inovar rapidamente. Apoiado nas comunidades e na colaboração, o código aberto sempre acreditou que a diversidade e o trabalho conjunto são fundamentais para a criação de soluções mais completas, eficientes e capazes de atender às principais necessidades do mercado e da sociedade como um todo.

Seguindo esses valores, as principais empresas que lidam com a tecnologia open source têm um foco muito grande em espelhar essa diversidade e inclusão dentro de seus ambientes corporativos. Muitas delas mantêm diversas iniciativas direcionadas, incluindo comunidades e comitês específicos para debater como ampliar a pluralidade das equipes, como trabalhar a quebra de vieses e o respeito mútuo, independente das diferenças ou divergências de pensamento.

Estudo recente sobre diversidade realizado pela consultoria McKinsey, mostrou que as companhias com maior diversidade de gênero têm 21% mais chances de apresentar resultados acima da média do mercado do que aquelas com menor diversidade do grupo. No caso da diversidade cultural e étnica, esse número sobe para 33%. Entre os benefícios de um ambiente de trabalho mais plural está o estímulo da criatividade organizacional e a inovação, como mostra outro levantamento feito pela revista Forbes, apontando que a diversidade é a grande responsável por ambientes organizacionais inovadores, além de ser essencial para o crescimento dos negócios.

Quebrando vieses de ponta a ponta

A preocupação constante com o tema de diversidade e inclusão na comunidade open source fez ressurgir questões sobre a linguagem problemática utilizadas nos códigos, com terminologias consideradas negativas. O assunto não é novo e já vem sendo debatido desde o início dos anos 2000. Apesar disso, ao longo dos anos, nunca houve um amplo progresso, algo que precisa mudar com urgência.

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Se o open source quer realmente ser inclusivo e reconhecido como um fomentador de um ambiente colaborativo, no qual todos podem participar, ele precisa verdadeiramente acolher a todos, de ponta a ponta. É um grande desafio que as comunidades precisam endereçar para gerar mudanças sistêmicas. Empresas que apoiam essas comunidades também precisam se empenhar nessa luta, contribuindo para transformar a linguagem dos códigos, trabalhando para erradicar das práticas e vocabulário palavras e conceitos problemáticos.

As organizações que quiserem se engajar neste movimento podem começar auditando o próprio trabalho, verificando códigos, conteúdos e documentações a fim de identificar linguagens potencialmente divisivas. Em seguida é preciso desenvolver e adotar um padrão para substituir terminologias. Algumas mudanças vão levar tempo porque vão alterar APIs e configurações usadas para operar instalações, por isso será necessário combinar esforços comunitários para fazer estas alterações e contar com um trabalho coordenado para não impactar os clientes enquanto as transformações são implantadas.

Os esforços já começaram. A comunidade Ansible, por exemplo, iniciou um processo para renomear seu ramo "senhor" para "principal" e diminuir gradualmente o uso de “lista branca” e “lista negra”, substituindo por “lista de permissão” e “lista de negação”. Alguns veem estes esforços como exercícios “politicamente corretos”. Outros argumentam que a intenção de deixar a linguagem original não é maliciosa ou não acham que o uso dos termos seja ofensivo ou racista já que não são aplicados para se referir a pessoas.

Os argumentos, no entanto, requerem uma análise um pouco mais empática. É preciso ouvir os outros. O que não ofende alguns pode ser extremamente degradante para outros. Não é sobre discutir ou questionar a experiência de outra pessoa.

Se indivíduos ou grupos não sentem que são bem-vindos por causa da linguagem que está sendo usada em uma comunidade, código ou documentação, as palavras devem mudar. As mudanças, reforço, não vão acontecer da noite para o dia. Elas vão exigir muitas conversas nas comunidades e entre fornecedores para se concretizarem. Todo esse movimento é essencial e vale a pena. Para o open source continuar a ser a melhor forma de desenvolver as melhores soluções para o mercado, é preciso romper qualquer barreira que tenha o potencial de inibir a participação de qualquer grupo ou indivíduo.

As conversas iniciadas precisam, devem e vão continuar. Somente a partir dessa troca de ideias e experiências será possível entender de que forma é possível contribuir individual e coletivamente para gerar mudanças reais. Embora o trabalho para erradicar a linguagem problemática do código e da documentação open source seja apenas uma ação em seus primeiros passos, o esforço conjunto, certamente, tornará o open source mais inclusivo e acolhedor para todos hoje e em um futuro próximo.

*Chris Wright, Vice-presidente sênior e CTO da Red Hat

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