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Todo CIO precisa se transmutar em um orquestrador de soluções

É um bom caminho para liderar e impulsionar a Transformação Digital em estreita colaboração com seus CEO e demais C-levels. Por que a TI é o negócio

Cezar Taurion *

21/01/2019 às 10h37

Foto: Shutterstock

A Transformação Digital embute a proposta que no final toda empresa será uma empresa de tecnologia e esta mudança é desafiadora para as áreas de TI e os CIOs. Para acompanhar este processo os gestores de tecnologia precisam correr mais riscos, assumir uma postura mais empreendedora e passar a oferecer uma TI voltada mais para fora do que para dentro.

Nesse caminho, não faltam barreiras. Muitas delas culturais, como, pasmem, o fato de muitas empresas e CIOs ainda verem a entrega de resultados operacionais como a principal responsabilidade da TI. Este cenário, ainda bastante comum, é sintoma de que muitos executivos de negócio, como os CEOs, continuam vendo a TI mais como operação e não como a escolha natural para promover inovação. Consequentemente, os CIOs, apesar de afirmarem em pesquisas e conversas que inovação é sua prioridade estratégica, se veem pouco envolvidos com ela.

Para parcela bem significativa do mundo empresarial, a TI ainda é olhada de forma operacional, com visão de curto prazo. Além disso, muitas áreas de TI não estão instrumentalizadas para a Transformação Digital. Afinal, digital trata de experimentação, mas muitas empresas não têm política para isso, ou mesmo uma postura tolerante a falhas, com a conscientização de que inovar é, muitas vezes, falhar.

Venho comprovando, por vivências com vários CIOs, que realmente muitos deles sofrem com a percepção de suas empresas de que TI é operacional, não sendo chamada para contribuir estrategicamente para a diferenciação do negócio. Aliás, são poucos os casos onde a TI define em conjunto a estratégia do negócio. Poucas são as organizações cuja TI responde ao CEO. Raríssimas são as que têm o CIO no seu conselho de administração. Este é um ponto interessante. Concordamos que a TI, de maneira geral, permeia as estratégias de todas as áreas de uma empresa, mas vemos pouquíssimos executivos de TI fazerem parte dos conselhos.

Ainda vejo muitos CIOs fazerem seus PDTI (Plano Diretor de Tecnologia da Informação!), a posteriori das definições estratégicas. Um paradoxo, que fica nítido quando entendemos que o processo de transformação digital implica naturalmente que TI passa a ser o negócio, o que contradiz o cenário das empresas cujos CIOs são mantidos à distância, cuidando da operação, com uma clara distinção entre TI e o negócio.

Infelizmente, para elas, o processo de Transformação Digital é inexorável e as mudanças serão contínuas. No atual mundo hiperconectado, as velocidades de resposta às demandas do mercado e o uso da tecnologia como parte natural e integrante dos processos e produtos da empresa não são nada mais que obrigação, naturais e esperadas pelos clientes.

É necessário reverter o cenário atual da TI operacional. A Transformação Digital não espera pelos atrasados. O que os CIOs que se encontram nesta situação podem fazer? Se eles continuarem a manter suas parcas iniciativas de inovação na fila de projetos da área de TI, eles simplesmente nunca terão prioridade. Basta ver que muitas empresas, diante do cenário econômico adverso, cancelam imediatamente suas ações de inovação. “Não é o momento. Vamos esperar a situação melhorar!”.  Em contexto econômico adverso aumentam as cobranças pela sustentação das operações e desacelera qualquer tentativa de inovação.

A mudança impõe uma nova abordagem para TI. Suas novas prioridades devem ser passar as atividades de menor valor agregado para parceiros de negócios, reduzir seu envolvimento nas questões operacionais, liberar mais tempo para interagir com os executivos de negócio, simplificar sua operação e embutir os novos conceitos tecnológicos como base natural e primordial de seus novos projetos. O CIO precisa se transmutar em um orquestrador de soluções, liderando e impulsionando a Transformação Digital em estreita colaboração com seus CEO e demais C-levels.

Para isso não basta querer. É preciso criar e disseminar a cultura de inovação na área de TI, a incluindo em sua missão. Curioso, que são poucas as áreas de TI que têm uma missão bem definida. Aliás, como sugestão de referência, uma missão de uma área de TI que vi algum tempo atrás no exterior: ”Our mission is to transform technology to be enabler of brand differentiation”.

O CIO deve assumir postura evangelizadora, mostrando seu lado visionário e como estas visões contribuirão para o negócio e poderão influenciar a estratégia da empresa. Para ser mais ouvido, deve fazer a TI implementar soluções que estejam o mais próximo possível de onde a geração de receita da empresa acontece. É essencial quebrar a barreira tradicional da “TI e o negócio”, mudando para “TI é o negócio”.

Eu sei que você já deve ter ouvido isso à exaustão, mas reafirmo: o CIO deve assumir papel da liderança estratégica neste processo de Transformação Digital. O risco de não o fazer é perder sua relevância na corporação.

Como fazer? Focar no ecossistema digital, tornando-se o principal influenciador da Transformação Digital na sua empresa, é o primeiro passo. Mudar seu foco de 80% do tempo dedicado a questões técnicas e reuniões com fornecedores de tecnologia para 80% dedicado a pensar e implementar estratégias digitais com o negócio. Prover a visão de futuro e inovar na forma de como fazer esta visão de futuro se tornar realidade. Por exemplo, até que ponto justificar a manutenção de servidores dentro de casa em um cenário de demandas extremamente rápidas e ágeis, com ofertas de provedores de cloud de primeira linha? Até que ponto justificar o apego a processos de desenvolvimento e operação baseados em métodos criados há 20 anos? Até que ponto justificar o luxo de não explorar o verdadeiro oceano de dados que existe na empresa, disperso por dezenas de aplicações, sistemas de e-mails, conversas com a central de atendimento e até mesmo interações nas mídias sociais?  Não existe excesso de dados nas empresas, existe escassez de algoritmos! Até que ponto justificar não ter uma verdadeira visão 360° dos seus clientes? Até que ponto justificar a pouca intensidade da exploração da mobilidade e agilidade nos processos de negócio?

Esta mudança de mind set exige mudança de atitudes. Mais comunicação, mais interação com os executivos de negócio, menos hermetismo tecnológico, mais tempo dedicado em eventos e contatos do seu setor de indústria, e menos com fornecedores de TI.

Implica também olhar e gerenciar a própria TI como um negócio, a tornando não apenas um meio de transformar os processos de negócio com automação, mas mudando o próprio negócio com iniciativas transformadoras. A mensagem é curta, simples e clara: o futuro do CIO e da TI é ser o negócio.

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