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Sua empresa tem uma gestão de dados eficiente?
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Sua empresa tem uma gestão de dados eficiente?

Confira os principais sintomas observados quando uma empresa não possui uma gestão de dados que estabeleça as condições necessárias para que consiga extrair real valor desses dados

Bergson Lopes *

01/02/2017 às 7h37

big-data-10.jpg
Foto:

A adoção de novas soluções e tecnologias ligadas a Internet das Coisas, Inteligência Artificial e, mais
recentemente, o Blockchain tem despertado o interesse dos executivos de TI.
Algumas empresas já iniciaram ações para implementar essas soluções no curto/médio prazo.

Boa parte dessas empresas consideram os dados como elementos cruciais em
suas estratégias. Afinal, se a qualidade dos dados não for satisfatória, as
informações serão incompletas, conflituosas, caras e inconsistentes, trazendo
enormes transtornos ao cumprimento das estratégias.

Dados são considerados ativos, e como tal, devem ser gerenciados. Este
clichê, muito comum na década de 90, retornou com força total nos últimos anos,
quando surgiram os primeiros projetos de Big Data, Analytics e Transformação
Digital. Contudo, algumas dessas iniciativas não alcançaram o êxito esperado, pois
a baixa qualidade dos dados comprometia tanto o desenvolvimento dos projetos,
quanto o resultado final, com as soluções já em ambiente produtivo. Afinal, sem
o estabelecimento de uma gestão efetiva dos dados, não há como esperar uma boa
qualidade dos mesmos.

Com o objetivo de antecipar a identificação deste tipo de problema, elaborei uma
lista com os principais sintomas observados quando uma empresa não possui uma
Gestão de Dados eficiente. São eles:

1º - As áreas de negócio da empresa não
participam da Gestão dos Dados:
Uma
das premissas fundamentais da Gestão de Dados é a gestão compartilhada dos
dados entre a TI e as Áreas de Negócio. Para isso, é fundamental que
profissionais das Áreas de Negócio atuem e sejam formalmente reconhecidos como
os representantes de suas áreas nessa gestão. Além disso, a existência de
estruturas de apoio à Governança de Dados como, por exemplo: Comitê Executivo e
Comitês Táticos de Gestão de Dados colaboram para o amadurecimento desta
prática na empresa.

Se as ações para a Gestão de Dados não levam em conta a participação das
áreas de negócio, certamente, os dados não estarão totalmente alinhados com as
necessidades estratégicas da empresa.

2º - As definições dos conceitos de
negócio não são homogêneas na empresa:

O estabelecimento de um Glossário de Termos, com as definições dos principais
conceitos de negócio, disseminados e compreendidos uniformemente por todos os colaboradores
da empresa é uma das primeiras ações a ser tomada quando a Gestão de Dados é
implementada.

A ocorrência de diferentes definições para conceitos comuns ao negócio, indica
que a organização não priorizou o estabelecimento de um vocabulário único, sem
ambiguidades, constituído pelos principais conceitos de negócio.

Termos de negócio com definições não homogêneas acabam por gerar diferentes
expectativas, regras e ações para um mesmo propósito. Em alguns casos, novos
silos de dados são construídos, trazendo enormes prejuízos para a empresa.

transformacaodigital

3º - As regras sobre os dados não
existem ou não são totalmente conhecidas
: As políticas de dados são documentos específicos, definidos de forma
consensual por TI e Negócio. Visam estabelecer as principais regras e
direcionamentos sobre o uso e a gestão dos dados na organização. Ou seja,
juntas formam a “regra do jogo”, a “constituição” dos dados da empresa. Devem
ser constantemente revisadas e publicadas para todos os envolvidos nas
atividades com os dados.

 A ausência ou desconhecimento dessas
políticas trazem enormes instabilidades e incertezas para os envolvidos nas
especificações, implementações e demais utilizações dos dados no ambiente corporativo.

4º - Ausência de uma Arquitetura de
Dados Corporativa
: Em um mundo cada
vez mais integrado, a necessidade de desenvolver soluções aderentes ao modelo
arquitetural da organização é crucial. Desta forma, as empresas estarão aptas a
prover mudanças na velocidade determinada pelo negócio.

A ausência de modelos de dados corporativos, alinhados à estratégia da
empresa e elementos das demais arquiteturas como processos, aplicações e tecnologias,
indica que a empresa não possui uma Arquitetura de Dados estabelecida.

Desta forma, em vez de desenvolver as aplicações orientadas a
arquitetura, a empresa desenvolve de forma arcaica, orientada a demanda,
levando em conta somente os requisitos de uma única área de negócio ou
demandante, muitas vezes a “toque de caixa”, sem uma visão abrangente do
conjunto de negócios, processos e tecnologias que devem ser considerados em uma
solução global, flexível e definitiva. 

5º - A empresa possui ferramentas para
apoiar a Gestão de Dados, porém ainda não são plenamente utilizadas:
É fato que sem o apoio das ferramentas, algumas funções
da Gestão de Dados são prejudicadas, incluindo a Qualidade de Dados e o Gerenciamento
dos Dados Mestres (MDM). Entretanto, ao iniciar o processo de aquisição de uma
ferramenta, é importante que a empresa já tenha estruturado um trabalho para
implementar alguns princípios básicos da Gestão de Dados, como alguns já mencionados
neste post.

Sem isso, encontraremos cenários onde a ferramenta foi instalada, porém
sua utilização esbarrou em problemas típicos como: falta de definição das
regras e critérios para qualidade dos dados - ausência dos gestores
(responsáveis) das informações, incompatibilidades tecnológicas, etc.

De forma geral, o processo para aquisição dessas ferramentas é bastante
longo. Portanto, se a empresa começou a pensar na aquisição de uma ferramenta,
ainda há tempo suficiente para estruturar minimamente uma Governança de Dados,
a fim de orientar a escolha e adoção das ferramentas adequadas.

Chegamos em um estágio onde poucos projetos falham em razão do
conhecimento tecnológico, porém ainda temos o
péssimo hábito de negligenciar considerações ligadas à Gestão e aos Negócios. A
Gestão de Dados, compartilhada entre TI e Negócio, estabelece as condições necessárias
para que as empresas consigam extrair o real valor dos dados, transformando os
mesmos em sabedoria empresarial.

 

(*) Bergson
Lopes é vice-presidente do Capítulo Brasileiro da Data Management Association
(DAMA Brasil), CEO da BLR DATA e autor do livro Gestão e Governança de Dados

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