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Quem são os vencedores e perdedores corporativos no mundo pós-Covid?
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Quem são os vencedores e perdedores corporativos no mundo pós-Covid?

Acelerando estratégias de transformação digital para expandir posições de liderança ou manter a sobrevivência no novo ambiente de negócios?

Leonardo Scudere*

07/08/2020 às 10h58

Foto: Adobe Stock

Como no intrigante e premiado filme “A Chegada”, dirigido por Denis Villeneuve, onde 12 naves alienígenas subitamente chegam à Terra e provocam caos, pânico e exposição dos conflitos geopolíticos, o impacto econômico da Covid-19 está ampliando rapidamente o distanciamento entre os principais setores do ambiente de negócios.

Relatórios recentes do Banco JPMorgan e da consultoria de negócios McKinsey demonstram como o abrupto impacto provocado por este inimigo invisível substancialmente fortaleceu setores que já tinham no pré-Covid posições estruturadas e na outra ponta fortemente reduziu o valor dos demais setores.

Entre dezembro de 2018 e maio de 2020, seis setores aumentaram seu valor de mercado em US$ 275 bilhões enquanto na outra extremidade outros sete perderam US$ 373 bilhões. Há aqueles que mantiveram suas posições relativamente estáveis. Sao eles:

Vencedores

Semicondutores, Farmacêuticos, Produtos Pessoais, Software, Tecnologias de Hardware e Entretenimento;

Perdedores

Transportes, Bens de Capital, Seguros, Bancos, Serviços financeiros, Utilities e Energia.

Os números demonstram como aquelas empresas que mantiveram programas evolutivos nas suas estratégias competitivas fortemente alinhadas a processos de transformação digital conseguiram e de fato aumentar sua vantagem competitiva contra seus concorrentes diretos. Aquelas mais conservadoras e que tendem a adotar uma inércia maior a mudanças encontram-se agora ainda mais distantes e com perdas progressivas nas suas posições de mercado.

Enquanto em 30 de julho os Estados Unidos anunciaram uma queda recorde do seu PIB no 2º trimestre de 32,9%, algumas das gigantes do setor de tecnologia divulgaram resultados inéditos gerando vendas agregadas (em apenas três meses em plena pandemia) próximas a US$ 250 bilhões gerando um extraordinário lucro líquido de US$ 40.180 bilhões!

Na outra ponta, entre os prejuízos igualmente históricos, apenas nestas duas do setor de Petróleo: Chevron = -U$ 8.3 bilhões e Exxon = -U$ 11 bilhões. Simultaneamente a Apple tornou a empresa com maior valorização de mercado em 31 de julho valendo U$ 1.84 trilhões e superando a gigante petrolífera Saudi Aramco, deste mesmo setor. O mundo nunca foi tão digital!

Em algum momento futuro, que todos esperamos ser o mais rápido possível, haverá vacinas em quantidade para mitigar estes males, porém não será como uma varinha mágica que fará o mundo retornar a 11/03/2020. A semelhança a crise financeira de 2008-09 tem sido usada como parâmetro, porém a cada dia percebemos como a crise atual não tem quaisquer precedentes históricos.

As fissuras em constante movimento entre estes grupos econômicos estão significativamente transformando os negócios numa velocidade jamais vista. Como o CEO da Microsoft Satya Nadella afirmou “Temos visto 2 anos em transformação digital nos últimos 2 meses”.

Estas condições únicas oferecem aos CEOs um momento crítico e oportunidades para tomada de decisões. Para o grupo dos vencedores acelerar a velocidade dos seus processos de transformação digital, níveis de eficiência, produtividade e competitividade na rápida conquista de novos clientes a menores custos, numa continua exponencial positiva de crescimento contra os concorrentes diversos e eventualmente expandindo para novos mercados.

A adoção do trabalho remoto foi muito bem aceita tanto pelos colaboradores quanto pelos clientes o que está provocando uma readequação de toda dinâmica de interações e transações entre os ambientes B2B e B2C bem como todas as cadeias e valor dos fornecedores, sendo que muitas organizações já anunciam a adoção 100% deste modelo. Mesmo que não inteiramente, mas para um formato híbrido mais provável, a manutenção das posições de mercado trará uma reformulação de todas as etapas do processo de fabricação, modelos de preços e manutenção dinâmica dos níveis de satisfação dos clientes.

Os setores dominantes terão também condições favoráveis em situações de fusões e aquisições, pelo aumento do seu poder econômico e valor de mercado, que tenderá a gerar uma ainda maior concentração de grandes conglomerados atuando como catalizadores e criando múltiplos ecossistemas envolvendo empresas satélites dependentes.

Para os setores com expressiva perda de valor de mercado, não há outra alternativa, a não ser reavaliar seus modelos de negócios e implementar suas estratégias de recuperação ou reposicionamento de mercado. Como o gap entre estes grupos expandiu-se muito rapidamente, eventuais posições de inércia na tomada de decisões estratégicas irá afastar mais e mais qualquer possibilidade de recuperação.

Projetos em gestação por anos precisam ser colocados em prática ultra rapidamente para a própria sobrevivência mantendo acima da media os investimentos nos processos de transformação digital e automatização. Para exemplificar algumas bruscas alterações de mercado:

e-Commerce: 10 anos em 3 meses nos EUA! Partindo de 5% em 2009 a aproximadamente 15% no final de 2019 e alcançando 35% ao final do 1º trimestre de 2020. Tendência de aceleração continua;

Online delivery: crescimento em 8 semanas equivalente a toda década passada;

Telemedicina: crescimento de 10 vezes em volume de assinantes em apenas 15 dias;

At-Home-Fitness: seguindo a tendência de prática de esportes em ambientes residenciais, várias novas marcas surgem, como a Tempo por exemplo, que acaba de receber um aporte de U$ 60 milhões e subitamente atinge um valor de mercado de U$ 250 milhões.

Além de uma extensa lista de setores envolvendo trabalho remoto, educação a distância, streaming que solidificam suas posições ao introduzir novos hábitos de consumo que adquirirem a preferencias dos consumidores. Provavelmente estes eventos serão a maior disruptura das nossas vidas. Adicionalmente as tensões geopolíticas e o cronograma das eleições nos EUA, cria-se a situação da tempestade perfeita num somatório de incertezas e dúvidas jamais vista.

Os inúmeros livros sobre estratégias corporativas, como de Michael Porter (Competitive Strategy), Peter Druker (Management Challenges for the 21st Century) e William H. Davison & Michael Malone (The Virtual Corporation), entre outros, nos quais centenas de CEOs basearam suas decisões, tornaram-se obsoletos. Neste ambiente confuso, caótico e repleto de incertezas firma-se o consenso, porém de que o ambiente digital será ainda mais predominante mesmo que de alguma forma os contatos físicos retornem ao nosso cotidiano. Esta tendência reduzirá as interações físicas dependendo do setor de atuação, ao necessário, criando urgentes desafios para CIOs e CISOs em reestruturar as infraestruturas tecnológicas, sistemas e aplicações para este contexto.

A ultrarrápida migração para ambientes de computação em nuvem e automatização das identidades digitais, despontam imediatamente como necessidades absolutamente críticas para a produtividade, eficiência e redução dos riscos das operações. Numa organização predominante virtual e dispersa geograficamente, como garantir e manter ativos e corretos os acessos dos colaboradores, terceiros e fornecedores aquelas apenas aquelas aplicações ao seu específico perfil de trabalho. Expandindo este conceito, podemos num futuro não muito distante pensas em identidades gerenciando também dispositivos automatizados e objetos inteligentes (IoT).

Tecnologias de inteligência artificial, machine learning e hiper automação deixam o campo da ficção cientifica e estarão intrinsicamente associadas a adaptabilidade dos ambientes computacionais através da utilização destes novos e sofisticados algoritmos.

Denis Villeneuve encerra “A Chegada” com o súbito desaparecimento das 12 naves sem causar qualquer dano aparente ao planeta. Entre inúmeros outros desdobramentos, o pós-Covid irá formatar plataformas digitais corporativas que irão expandir o abismo, talvez irreversível, entre os setores econômicos.

*Leonardo Scudere é Diretor Regional, Latin America na SailPoint Technologies

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