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Principais erros na implantação de um programa de Governança de Dados
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Principais erros na implantação de um programa de Governança de Dados

Relacionadas a aspectos gerenciais e comportamentais, elas geralmente ocorrem em qualquer assunto que afete a cultura de uma empresa

Bergson Lopes *

09/01/2017 às 10h36

governancadados1.jpg
Foto:

Implantar um programa de Governança de Dados em uma
empresa não é algo trivial. A verdade é que este desafio está muito suscetível
a falhas e, com certa frequência, empresas de todos os portes e segmentos fracassam
ao tentar implementar um programa desta magnitude.

Prazos estendidos, orçamentos estourados e resultados
que não correspondem às expectativas estão entre as principais consequências
das falhas nas implantações deste tipo de iniciativa. Por isso, é importante
saber que não basta apenas reunir um grupo de pessoas, investir em tecnologias
específicas e esperar que os resultados apareçam.

Se está entre os seus planos implantar ou evoluir a Governança
de Dados em sua organização, você precisa conhecer as principais causas que
interferem negativamente na adoção do Programa.

Para ajudar neste desafio, elaborei uma lista com as
principais falhas cometidas pelas empresas quando implementam programas de Governança
de Dados. Confira!

1º. Motivações e objetivos não definidos
Por incrível que pareça, algumas empresas ainda iniciam
este trabalho sem definir claramente as motivações e objetivos esperados com a
adoção de um programa de Governança de Dados. Em muitas situações as necessidades
surgem através de determinações de gerentes seniores ou diretores, porém as
razões e motivações que levaram a essas solicitações, não foram completamente
analisadas e amplamente debatidas.

As motivações e os objetivos do programa devem ser
compreendidos por todas as pessoas envolvidas. Todos devem ter em mente as
mesmas respostas para questões simples, tais como: O que é Governança de
Dados?  Por que devemos implantá-la na
empresa? Quais os ganhos e benefícios teremos com a adoção desse programa? A
falta de Governança poderá gerar impactos negativos para a empresa?

Essas respostas são fundamentais, principalmente para
gerenciar as expectativas dos envolvidos, durante a evolução do programa. Sem
elas, a iniciativa será taxada internamente como mais um “modismo”. Será encarada
por muitos como mais um trabalho imposto, sem sentido, burocrático.

Vale ressaltar que novos objetivos podem surgir à
medida em que o programa evolui dentro da empresa. Entretanto, quanto mais cedo
essas questões forem resolvidas, menores serão os impactos e as resistências
culturais.

2º - Assessment inadequado ou não
realizado

Das iniciativas malsucedidas de Governança de Dados que
tive conhecimento até o momento, todas tinham uma característica em comum – ignoraram
a realização de um Assessment adequado.

As motivações passadas para negligenciar esta ação
foram muitas, desde a falta de tempo hábil, passando pelo medo de expor a
situação da governança aos superiores, até o desconhecimento dos benefícios
deste tipo de trabalho.

O assessment é considerado fundamental para o sucesso
do programa, pois somente a partir da sua conclusão, a empresa terá condição de
planejar as ações prioritárias para implantação da Governança de Dados. Ele deve
ser aplicado no início do trabalho e retratar fidedignamente a realidade da
empresa. Para ser considerado adequado, o assessment deve contemplar as
seguintes atividades:

1 – Entendimento das principais características da
empresa. Sua história, cultura, restrições, premissas, motivações e
necessidades para adoção da Governança de Dados;

2 – Identificação e avaliação das práticas existentes,
comparando-as com as melhores práticas de Governança de Dados, recomendadas
pelo Mercado;

3 – Divulgação dos pontos fortes e fracos
encontrados, levando em conta as características da empresa;

4 – Estabelecimento de um plano de ação, considerando
ações de curto, médio e longo prazo para implementar e evoluir a Governança de
Dados na organização.

Vale ressaltar que o Assessment deve ser realizado
por consultores externos e deve considerar os aspectos de tecnologia e
negócios.

governançadedados2

3º Falta de engajamento
e liderança

Todos os níveis, desde o operacional até
o estratégico, precisam manter-se sensíveis aos objetivos do Programa. Se
considerarmos a abrangência corporativa da iniciativa dentro da empresa, o engajamento
dos envolvidos é mais eficaz quando o quadro diretivo da empresa comunica
enfaticamente seu compromisso com o Programa.

Podemos caracterizar o engajamento como o entusiasmo
e a satisfação pessoal pela realização do trabalho e envolvimento com a
organização. A pessoa engajada deve perceber que seu trabalho interfere diretamente
em toda a cadeia de negócio, gerando frutos e retorno direto.

O gestor da equipe que trabalha
diretamente com a Governança de Dados deve possuir habilidades necessárias para
motivar, inspirar e manter a confiança dos membros da equipe.

Vale ressaltar que um programa de
Governança de Dados envolve mudanças na cultura da empresa, pois requer uma transformação de
comportamentos tanto dos profissionais envolvidos como dos seus gestores.
Portanto, a liderança deve atuar como parte da solução e não como parte do
problema. Para isso, a liderança deve focar suas ações para atender os
objetivos do Programa e não para atingir interesses pessoais.

Sem uma liderança adequada, os membros da
equipe não se comprometem com os objetivos e metas do Programa e não tomam para
si mesmos as soluções dos diversos problemas que aparecem no cotidiano.

4º - Falhas na comunicação
Muitas iniciativas para implantar a Governança de
Dados seguem as melhores práticas de mercado, porém fracassam, pois não são capazes
de divulgar seus objetivos e conquistas para demais áreas da empresa.

Por se tratar de um ecossistema
bastante variado, envolvendo profissionais de tecnologia e negócios, a
comunicação não costuma ser um dos pontos fortes em um programa de Governança
de Dados. A existência de diversas interpretações sobre um mesmo assunto e a falta
de visibilidade das ações do Programa são os problemas mais comuns, decorrentes
de uma comunicação deficiente.

Uma comunicação eficaz envolve o
planejamento, execução, monitoramento e tomada de ações de melhoria, visando
elevar cada vez mais a maturidade da comunicação dentro do programa. Entre os
meios mais utilizados para promover a comunicação podemos destacar - as
campanhas de divulgação, boletins informativos, além da aplicação de palestras
e workshops. Se possível, utilize um portal para concentrar as informações e
estimular a colaboração dos envolvidos.

5º - Ignorar a transição do projeto
para produto

Até atingir a maturidade ideal, um programa de
Governança de Dados deve ser composto por vários projetos, preferencialmente
pequenos, a fim de facilitar a gestão e dar maior visibilidade das entregas
para os patrocinadores e demais envolvidos. Entretanto, para que esta definição
se torne realidade é fundamental que as pessoas entendam o que é um projeto, e saibam
diferenciá-los das atividades rotineiras.

Independente da abordagem utilizada - ágil ou tradicional,
todos os projetos devem ser considerados únicos, temporários, com objetivos e escopos
previamente definidos. Se as iniciativas não se enquadram nesses requisitos,
elas não podem ser consideradas projetos.

Apesar de parecer óbvio, algumas pessoas ainda
confundem o conceito de projetos com atividades rotineiras, realizando a gestão
do desempenho de ambas da mesma forma, comprometendo o desempenho das entregas
e a qualidade das atividades realizadas.

Em muitas situações, a conclusão de um projeto contempla
a entrega de processos para realização de trabalhos contínuos. Ou seja, um
produto. Isto significa que a partir deste momento, a gestão dos indicadores do
projeto deve ser encerrada. Afinal, o produto final foi entregue. Se esta ação
não for tomada, a formalização da entrega do projeto nunca será realizada e o
acompanhamento será feito através de indicadores inadequados.

A partir da entrega do produto, a gestão deve considerar
novos indicadores, decorrentes dos novos processos colocados em operação. Desta
forma, será possível evoluir a maturidade da Governança de Dados na empresa.

Como se vê, em sua maioria elas não envolvem deficiências técnicas, mas em aspectos
gerenciais e comportamentais. Essas falhas não ocorrem somente em implantações da
Governança de Dados, mas em qualquer assunto que afeta a cultura de uma empresa.
O grande desafio não é gerenciar tecnicamente o Programa, e sim as pessoas e
suas expectativas.

A seleção de parceiros adequados, somados aos investimentos
em capacitação e comunicação, costumam trazer bons resultados para manter a
sintonia das pessoas com o programa.

 

(*) Bergson Lopes é vice-presidente do Capítulo
Brasileiro da Data Management Association (DAMA Brasil), CEO da BLR DATA e
autor do livro Gestão e Governança de Dados

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