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Prepare-se. O Blockchain vai impactar vários modelos de negócios
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Prepare-se. O Blockchain vai impactar vários modelos de negócios

Conhecida como a tecnologia por trás do Bitcoin, esta inovação possui uma incrível capacidade de transformar mercados

Leandro Duran *

02/05/2017 às 13h22

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Foto:

Imagine poder mandar um milhão de dólares de um país para outro de forma
segura, barata, rápida e sem participação de nenhum agente financeiro. Isso já é
uma realidade por meio do Bitcoin. A criptomoeda que se tornou um fenômeno de
aceitação e é cada vez mais difundida no mundo, já é reconhecida oficialmente em
países como o Japão. Para se ter uma ideia da sua valorização, no ano de início da
comercialização, uma unidade da moeda valia menos de um centavo de dólar; hoje
vale cerca de US$ 1.400. Mas o Bitcoin só é possível por causa do Blockchain, a
tecnologia que traz as características que o fazem ser tão notável. 

Como o próprio nome diz, Blockchain é uma cadeia de blocos armazenada em um
banco de dados descentralizado. Capaz de armazenar registros de operações de
maneira permanente, inviolável e sequencial, esse sistema funciona como um
grande livro razão distribuído na rede, imutável e livre de fraudes. O Blockchain
permite a realização de quaisquer transações e a verificação instantânea de sua
validade por meio de qualquer computador, o que traz transparência, velocidade e
agilidade para as operações, além, é claro, de dispensar intermediários. 

blockchain

Por essas características, ele possui uma incrível capacidade de transformar os
mercados e modelos de negócios tais como conhecemos hoje. E isso começou a
acontecer onde houve o primeiro impacto: o mercado financeiro. Os bancos já
fazem uma série de projetos piloto com o sistema. O Santander, por exemplo, se
utiliza do Blockchain para fazer transferências internacionais entre sua rede de
forma rápida e direta. Outra iniciativa que está sendo testada por instituições
financeiras é o compartilhamento de informações entre elas sobre clientes para
facilitar financiamentos. Com anuência dos clientes, disponibilizam dados
fundamentais para a aprovação de créditos, agilizando o processo. 

Outra grande beneficiada pela tecnologia é a Bolsa de Valores. A Nasdaq, a
BMF&Bovespa e a Australian Securities Exchange, por exemplo, estão
desenvolvendo iniciativas para melhorar a infraestrutura dos negócios com o
Blockchain. Além de auxiliar no controle das transações, possibilita que o tempo
para a liquidação de uma ação passe de dias para horas. E, também de olho na
velocidade, mas principalmente na redução de custos, os cartórios começam a
associar-se a startups que usam o sistema buscando as vantagens de passar o
registro de dados do mundo físico para o virtual. Serão menos funcionários, menos
papéis e aumento da capacidade de atendimentos por dia. 

Nessa mesma linha, o governo holandês está trabalhando para realizar registros de
bicicletas. Como são um meio de locomoção muito comum no país e até então não
contavam com inscrição legal, surgiu a necessidade de assegurar a propriedade
para casos de furto ou roubo, por exemplo. De olho na mesma necessidade, as
seguradoras já testam cadeados ligados ao Blockchain por meio de dispositivos IoT.
Uma vez conectados à internet, registram cada vez que o ciclista chega a um
destino e tranca a bicicleta. Assim, em caso de furto, eles sabem que o cliente
realizou os procedimentos para a segurança do bem e o ressarcimento é liberado
rapidamente. 

E as transformações de mercados possibilitadas pelo sistema não param por aí. Por
dispensar intermediários para transações, a tecnologia tem um enorme potencial,
por exemplo, para ser a base da inclusão financeira das pessoas que não tem conta
em bancos. Com o uso de simples apps desenvolvidas por fintechs, como a
brasileira Celcoin, é possível pagar contas ou transferir dinheiro em forma de
criptomoedas diretamente para outras pessoas com taxas mínimas por cada
operação. Considerando que cerca da metade da população mundial é
desbancarizada - por volta de 2,5 bilhões de pessoas -, é fácil imaginar o impacto
dessa aplicação em larga escala no mercado. Em última instância, isso pode
modificar o modelo de negócios das instituições financeiras que, além de realizar
empréstimos, passarão a ter entre suas vantagens a oferta de carteiras
interessantes para a guarda de criptomoedas. 

Outra possibilidade é o compartilhamento de bens, graças ao desenvolvimento de
contratos inteligentes - ou smart contracts - baseados na tecnologia do Blockchain.
Esses contratos têm as mesmas funções dos tradicionais, definindo obrigações,
benefícios e penalidades das partes de uma negociação. Porém, eles são
autoexecutáveis, ou seja, por meio do registro de informações, eles são capazes de
controlar o andamento dessa negociação e tomar as ações previstas, como a
liberação de pagamentos e a aplicação de multas. Assim, a compra compartilhada
de uma sala comercial e seu posterior aluguel, por exemplo, podem ser realizados
pela internet, sem a necessidade de validação de terceiros nem do encontro dos
sócios da empreitada. 

O smart contract garante, também, o pagamento dos
dividendos provenientes da locação e, associado à uma chave digital e uma
fechadura IoT, pode permitir o acesso do locatário ao imóvel, tendo o locador o
controle sobre o uso. 

O mesmo pode ser feito para compra e aluguel de carros, o que viria a extinguir
empresas que são cases de sucesso, como o Uber. E, tendo em vista a capacidade
de controlar a utilização, as seguradoras poderiam criar seguros por uso de um
automóvel, calculando o custo para o consumidor mês a mês de acordo com o
perfil de quem dirigiu e dos quilômetros rodados. 

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A transparência e a rastreabilidade que a tecnologia proporciona gera outra
aplicação que também pode ser usada em vários contextos de negócio: o controle
da cadeia de produção desde a fabricação até a mão do consumidor. Na produção
de um frango, por exemplo, seria possível saber onde e quando exatamente ele foi
abatido e desossado, embalado e que empresa realizou o transporte em cada um
desses passos até chegar à gôndola do supermercado. A empresa distribuidora
teria um meio fácil e seguro de verificação da cadeia como um todo e o consumidor
- por meio de um QR Code ou uma etiqueta NFC - teria todas essas informações e
poderia fazer a opção de compra mais consciente. A empresa ganha pela agilidade
do processo e ao demonstrar respeito pelo público; e este último ganha pelo maior
controle do que está consumindo e pela garantia de qualidade.

Com esses exemplos é fácil perceber que o Blockchain pode trazer ganhos para
sua empresa em termos de redução de custos, de agilidade no pagamento de
fornecedores, de controle de processos e pelas vantagens competitivas que
podem surgir no desenvolvimento de novas ofertas, além de proporcionar maior
confiabilidade aos clientes. Quem não começar a testar essa tecnologia pode
perder terreno em sua área rapidamente. A expectativa é que até 2020 já devemos
ter grandes mudanças em produção usando essa solução. Então, o fundamental
neste momento é começar a experimentação para descobrir novas oportunidades. 

 

(*) Leandro Duran é arquiteto de Soluções da CI&T

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