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Passado, presente e futuro da Internet das Coisas
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Passado, presente e futuro da Internet das Coisas

Na opinião do pai do EPC, Sanjay Sarma, um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento da IoT é a ausência de uma arquitetura dominante. Significa que existe uma lacuna para a redução dos custos. Protocolos de comunicação também são um desafio

Nicholas D. Evans *

05/09/2016 às 19h04

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Foto:

O professor Sanjay Sarma é  conhecido como co-fundador da EPCglobal, do Auto-ID Center (que hoje conhecemos como Auto-ID Labs, no Massachusetts Institute of Technology ), e o homem a quem muitos chamam de pai do Código Eletrônico do Produto (EPC). Sarma é também o fundador e diretor técnico do OATSystem, adquirido pela Checkpoint Systems em 2008.

O Auto-ID Center se consolidou ao criar a infraestrutura, recomendar padrões e identificar aplicações de características automatizadas para o mundo conectado fisicamente. Foi durante o período de 1999 que o termo “Internet das Coisas” (IoT) foi cunhado e as “coisas” realmente começaram a se conectar com a Internet.

Atualmente o professor Sarma continua sua liderança como diretor do Auto-ID Labs e como vice-presidente da Open Learning, no MIT. O Auto-ID Labs é um canal independente de sete laboratórios de investigação que procura desenvolver novas tecnologias para revolucionar o comércio global e fornecer serviços para os clientes, antes impossíveis de realizar. Hoje este é um canal importante que conduz a pesquisa acadêmica sobre a Internet das Coisas.

Tive o privilégio de trabalhar com o professor Sarma no RFID, como consultor, e conversei com ele recentemente sobre o passado, o presente e o futuro de Internet das Coisas.

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Evans: Qual foi sua visão inicial sobre a Internet das Coisas e como surgiu a ideia?

Sarma: A visão inicial foi um esforço coletivo no MIT Auto-ID Center. Kevin Ashton (outro co-fundador do Auto-ID Center, junto com David Brock) chegou com o conceito. Exploramos ideias relacionadas para conectar as coisas na Internet e estávamos fazendo exatamente isso, conectando “coisas”.

Um dos meus mais antigos alunos, Joe Foley, conectou o micro-ondas à Internet com uma etiqueta e um leitor RFID. A ideia era observar se podíamos colocar a comida no micro-ondas e se este reconheceria cada alimento, baixaria as instruções apropriadas da Internet para sua preparação e, efetivamente, começaria a cozinhá-la. Este era um micro-ondas velho da avó de Joe que colocamos no laboratório.

Em 1999, trabalhávamos na identificação de objetos e nos envolvemos fortemente com a tecnologia RFID. Sabíamos que a grande maioria das coisas era composta por objetos inanimados que não fazem sentido. Foi assim que começou o movimento do Código Eletrônico do Produto (EPC). Começamos com o Centro de Distribuição Inteligente de Sistemas (DISC), que logo foi chamado de EPCGlobal, depois que recebemos um financiamento do GS1 e do Conselho de Código Uniforme.

Em 2001, escrevemos um artigo chamado “O Mundo Físico Conectado” que deixou de lado uma visão de coisas conectadas – objetos inanimados atuando como cidadãos de primeira classe em um mundo conectado. Durante estes sete anos, nós, patrocinadores e pesquisadores, nos concentramos em trazer o RFID ao mercado. Os vendedores estavam trabalhando com chips, etiquetas, leitores e middleware. A partir das etiquetas que apareceram em 2007 as coisas começaram a acontecer.

Quando a crise econômica chegou, em 2008, pensamos que a indústria de RFID iria quebrar. Mas ao contrário, a crise acabou ajudando. As empresas perceberam os problemas em torno do inventário tóxico e, depois de 2008, a indústria de RFID começou a se mover realmente.

Entre 2008-2009, começamos a observar os carros conectados, edifícios conectados e sensores descartáveis baratos baseados em tecnologia RFID como estratégia para derrubar o preço dos sensores. Foi quando as pessoas começaram a falar cada vez mais sobre a Internet das Coisas.

Evans: Quais foram os principais objetivos técnicos e de negócios para a IoT?

Sarma: Começamos com as perguntas “e se?”, “e se tudo estiver conectado?”. Então progredimos o foco das questões e chegamos a perguntas relacionadas a como fazer as conexões e como desenvolver modelos de negócios. Descobrimos que “e se?” foi apenas a primeira pergunta a ser abordada. “Como?”, “quando?”, e “por quê?” seguiram depois. Concentramo-nos em responder essas perguntas para o RFID ao longo dos sete anos seguintes.

O mundo da IoT se parecia um pouco com o dos “Jetsons”. Começamos a responder as perguntas relacionadas ao “como” e ao “por quê” para a IoT apenas em 2008. Nossa pesquisa focou em questões como a gestão da energia, a conexão dos carros, das casas e edifícios, a percepção distribuída e às cidades inteligentes. Isto nos permitiu começar a ter um melhor conhecimento de que forma tratar o “como?”, “quando?”, “onde?” e os custos envolvidos.

chipRFID

Evans: À medida que avançamos para os dias atuais, o que mais lhe surpreendeu sobre a evolução do mercado de IoT?

Sarma: Talvez o elemento mais surpreendente tenha sido a falta de uma direção em particular. Esperávamos que o Governo se encarregasse disso para ajudar a gerar o tipo de atividade que vimos anteriormente com o RFID. Neste momento, há uma escassez de linhas e ausência de intervenções do Governo ou clientes finais no intuito de ajudar a criar desafios. No caso do Auto-ID Center foi muito diferente a união entre a indústria e a academia.

Além disso, existem muitas normas e pouca coordenação comercial, acadêmica e governamental para ajudar a criar uma arquitetura dominante. Excluindo algumas poucas exceções, não existem kits de ferramentas, nem limites fixos. Em contraste, o consórcio da World Wide Web tem feito um bom trabalho até agora.

Evans: Quais são os maiores obstáculos para alcançar os benefícios da IoT para os negócios da indústria?

Sarma: Um dos maiores obstáculos é a ausência de uma arquitetura dominante, isto significa que existe uma falha para a redução dos custos. Com o RFID havia uma forte concorrência de provedores devido a normas uniformes.

A ausência de padrões leva a um aprofundamento das implementações e os clientes acabam tendo que suportar muitos protocolos.

O segundo obstáculo é a segurança, sobre a qual escrevi recentemente, e o terceiro obstáculo, derivado da ausência de uma arquitetura dominante, são os problemas da vida real, como o conhecimento, a capacidade de atualização e outros fatores que ocorrem após o período de “lua de mel”. Costumo chamar de “pós lua de mel” o período que ocorre após um ano da primeira implementação. A ausência de respostas a estes obstáculos também gera incerteza sobre os ambientes de negócios. Quatro elementos precisam entrar em jogo juntos: normas, segurança, manutenção/capacidade de atualização e ambientes de negócio. Todos muito complexos.

Evans: A IoT está sujeita às mesmas barreiras técnicas para sua aprovação (por exemplo, segurança, normas e a interoperabilidade) que outras tecnologias emergentes, ou você enxerga outras forças em jogo?

Sarma: Na ausência de clareza, tendemos a ter jardins amuralhados – soluções muito verticais que são específicas de um provedor e que abrem suas interfaces de maneira privada. Este é um caminho para um ecossistema privado. Vimos algo similar no mundo dos celulares quando a Europa optou pela tecnologia GSM e nos Estados Unidos tivemos uma variedade de normas adaptadas por diferentes portadores.

Estes ecossistemas privados continuam oferecendo progressos úteis para a indústria de IoT no geral, porém a falta de liderança a partir da colaboração da indústria, governo e academia, está atrasando o processo e a materialização dos benefícios. Vimos o crescimento da internet devido à ARPA e o crescimento do RIFD devido ao Auto-ID Center.

Evans: Ao olhar para frente nos próximos 3 a 5 anos, você acredita que o mercado vai resolver estas questões a partir da inovação incremental, ou é necessário algo mais?

Sarma: Atualmente estamos focados em questões equivocadas. Existe uma proliferação de protocolos na camada de enlace, como ZigBee e Bluetooth, que não vão mudar. A interoperabilidade será difícil. Uma opção é a busca da interoperabilidade na nuvem.

O conceito de obter produtos como o Nest para trabalhar com a Amazon Eco, por exemplo, levará algum tempo, mas o Nest pode trabalhar com outras nuvens na Internet. Então, podemos ter esperança.

Além disso, fazer a conexão das coisas na nuvem, em vez de no mundo real, é uma boa solução para a segurança e facilidade de manutenção,  já que como indústria, sabemos como fazer as coisas na nuvem.

Uma área de investigação na qual estamos trabalhando atualmente é um servidor de segurança cognitiva que se encontra entre o mundo real e a nuvem. Desta forma, se alguém solicita para a rede ligar o micro-ondas durante 100 minutos, ela vai poder dizer: "Você tem certeza desses 100 minutos?". É um modelo razoável, que envolve inúmeras tecnologias, incluindo Inteligência Artificial, teoria de controle e aprendizagem automática para proporcionar estas camadas de inteligência entre a nuvem e o mundo real.

 

(*) Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys

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