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O que torna o DevOps tão necessário?
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O que torna o DevOps tão necessário?

Por que tornar operação parte integrante do processo de desenvolvimento tronou-se uma nova doutrina para criação de aplicações?

Cezar Taurion *

05/05/2014 às 8h10

Foto:

Um assunto que vem despertando mais e
mais interesse é o conceito de DevOps. Fácil de comprovar. Basta ir ao
Google Trends, colocar DevOps como palavra chave e ver o gráfico mostrando que
o nível de interesse cresce rapidamente. E em 2011, era um tema
praticamente inexistente como termo de buscas.

Pesquisando aqui e ali achei um relatório muito interessante, chamado “2013 State of DevOps Report”, publicado pela Puppet Labs .

O relatório foi feito a partir de uma pesquisa com 4 mil
profissionais de TI, tanto de operações como da área de desenvolvimento. Mostra que
a adoção desta prática está se acelerando. A maioria
dos pesquisados (63%) diz que suas empresas já adotam o conceito e entre
os benefícios reporta que conseguem entregar código 30 vezes mais
rápido e com 50% menos falhas. 

devops1

Ora, simplesmente por esses números,
creio que todo executivo responsável pelo que chamamos TI nas empresas
deve, no mínimo, estudar o assunto. Ignorá-lo pode significar perder
excelente oportunidade de virar o jogo, ou seja, de desenvolver e entregar
sistemas muito mais rapidamente que hoje. 

devops2

devops3

O tempo é cada vez mais reduzido e a competição no cenário de negócios
vem de todos os lados. As áreas de TI que não conseguem acompanhar o
ritmo das demandas do negócio tendem se tornar secundárias. Perdem a
oportunidade de ser contributivas para novos negócios e acabam apenas
responsáveis pela “casa das máquinas”, ou seja, necessário, mas
simplesmente operacional. Como sugestão de leitura para entender melhor o
conceito recomendo este paper: “What exactly is DevOps?“.

DevOps é uma mudança das práticas convencionais de desenvolvimento e
entrega de sistemas. Provoca, claro, reações contrárias, como o famoso
“não é novidade, sempre fizemos isso”. Mas, por outro lado, gera
benefícios de mudanças comportamentais, como uma maior colaboração entre
desenvolvimento e operações. Estes setores sempre atuaram de forma
compartimentalizada, com objetivos diferentes. É absolutamente
necessário para as empresas criarem coisas novas e rapidamente, para
explorar as janelas de oportunidade que cada vez mais se encurtam. O
setor de desenvolvimento busca criar estas coisas novas e rápidas (os
métodos ágeis são um exemplo). Por outro lado, operações precisa
garantir a estabilidade do ambiente operacional de TI. Esta é sua missão
e qualquer novidade que perturba seu ambiente não é bem visto. O
desafio é como conciliar estes objetivos divergentes.

Tem até uma piada que mostra esta divergência de forma bem humorada: “
Confuse of Dev or Ops? Simple rule: if you are praise for web site
success, you are Dev; if you are blame when web site down, you are Ops
”.

A questão da integração entre desenvolvimento e operações é
fundamental. Apenas olhar um lado da equação não é suficiente.

Por
exemplo, nos últimos anos vimos uma verdadeira explosão dos métodos
ágeis, com encurtamento significativo dos prazos de desenvolvimento. Mas
o deployment dos sistemas não avançou na mesma velocidade. A causa é
direta: falta de colaboração entre os setores de desenvolvimento e
operações. Implementar métodos ágeis sem mudança nas práticas que
envolvam o deployment (operações) apenas piora as coisas. O mesmo
acontece quando operações busca criar processos mais padronizados, como
adoção de práticas como ITIL e deixa em segundo plano a velocidade que o
desenvolvimento demanda. O resultado de tentarmos otimizar os dois
lados da equação, desenvolvimento e operações, de forma estanque, é a
criação de mais barreiras e burocracias, gerando menos eficiência. Tiro
n´água.

CIO2503

E-book por:

O conceito de DevOps começou a despertar atenção quando se descobriu
que as principais empresas do mundo da Internet como Google, Amazon,
Facebook, Twitter e outras o adotam como prática básica.

As grandes
empresas da Internet apresentam números impressionantes. Por exemplo, a
Amazon faz uma mudança em seus sistemas, em média, uma vez a cada 11,6
segundos! Outros benefícios que estas empresas conseguiram foi se
recuperarem de paradas muito rapidamente e os números da pesquisa
mostram uma taxa de falhas bem baixa. Voltando ao exemplo da Amazon,
apenas 0,001% dos deployments causaram uma pane (outage) no sistema.

devops4

devops5

A
média de falhas geradas pelas empresas que adotaram DevOps é cerca de 50
vezes menor em comparação das que não usam esta prática. Imaginem, o
que é reduzir em 50 vezes o numero de falhas…Muito menos esforço e
recursos dispendidos em refazer coisas que já deveriam estar prontas e
muito mais confiabilidade nos deployments. Cada vez mais fundamental em
um ambiente de negócios hiperconectado, com usuários acessando seus
sistemas baseados em nuvem, via smartphones e tablets

DevOps é uma evolução nas práticas que chamamos de gestão do ciclo de
vida dos sistemas ou Application Development Life cycle Management
(ADLM). Demanda tecnologia sim, mas principalmente mudanças culturais,
funcionais e organizacionais em TI.

Em termos de tecnologia o quadrante
magico do Gartner coloca duas empresas IBM e Microsoft como lideres, ao
lado de empresas menores como Rally e CollabNet. Instrumentação
tecnológica para automação do ciclo de vida, como controle de versões e
deployment automático de código é essencial, mas é necessário ir além.

As principais barreiras são o desconhecimento do conceito (e muito
frequentemente a confusão que apenas implementar método ágeis
resolve…vimos que não, pois apenas endereça um lado da equação),
cultural (ambiente que não incentiva colaboração), e a falta de
capacitação, tanto gerencial como dos profissionais técnicos, no
desenvolvimento e em operações. 

devops6

O diálogo entre desenvolvimento e
operações é fundamental. Importante frisar que DevOps não implica que desenvolvedores possam ou devam operar seus sistemas. Não, esta é a função do grupo
de operações. O que DevOps incentiva é um processo colaborativo entre
estes dois setores estanques, de modo que eles atuem em harmonia,
criando uma prática de entrega contínua de software.

Não existe mais a
barreira do desenvolvimento parar o processo, criar um protocolo de
solicitação ao grupo de operações e aguardar que este setor responda. Os
dois setores atuando em conjunto fazem com que o processo seja continuo
ou seja, sai-se do código para a nuvem de produção, sem interrupções.

Em resumo, vale a pena ler a pesquisa e refletir. E aí, indagar, porque
ainda não adotamos DevOps?

 

(*) Cezar Taurion é
consultor sênior, sempre envolvido em discutir e prever os impactos de
TI nos negócios, com experiência em grandes corporações como IBM, PwC e
Shell. Autor de seis livros, sobre diversos temas como Open Source,
Inovação, Cloud Computing e Big Data. Atuou em projetos de grande porte e
transformadores de negócios e constantemente palestra em eventos de
renome.

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