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O que é preciso saber antes de adotar uma estratégia multicloud
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O que é preciso saber antes de adotar uma estratégia multicloud

Gestão integrada e unificada são alguns dos pontos essenciais para a aplicação bem-sucedida dessa estrutura

Por Raymundo Peixoto *

09/04/2020 às 14h00

Foto: Shutterstock

Um número crescente de empresas tem investido em uma estratégia de multicloud como forma de reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e aproveitar os melhores recursos oferecidos por diferentes fornecedores.

Esse movimento começou há alguns anos, com uma primeira onda de migração para nuvem liderada pelas áreas de TI, com o objetivo inicial de otimizar as capacidades do datacenter, por meio da criação de catálogos de serviços e portais de autoatendimento.

Como resultado, trouxeram mais dinâmica à interação com as áreas de negócio e uma percepção de agilidade no provisionamento de recursos.

Em um segundo momento, as estratégias evoluíram para um modelo híbrido, no qual o ambiente interno se comportava como instância da cloud pública, permitindo transbordos de workloads, com o objetivo de atender demandas sazonais e desenvolver novas aplicações, de forma rápida e com custo competitivo.

Na prática, isso permite manter o controle e as diretrizes de segurança e desempenho de aplicações críticas, mas ampliando a infraestrutura dos datacenters.

O que vivemos agora é uma terceira onda, conhecida como multicloud. Esse movimento tem sido estimulado por três leis que exigem que as empresas pensem na mobilidade das cargas de trabalho (workloads):

  • A Lei da Física – fatores como conectividade de rede, latência e volume de dados impactam diretamente na definição da localidade do workload. A latência está associada a limites físicos, assim como conectividade de rede de alto desempenho requer investimentos elevados, de acordo com o nível de capilaridade desejado.

  • A Lei da Economia – fatores para definição de compra de componentes da infraestrutura (servidores, storage e rede) também são determinantes na definição da localidade dos workloads. Soluções de cloud privada são preferenciais para projetos de médio a longo prazo, que exijam mais controle da segurança e mais criticidade para o negócio. Enquanto a nuvem pública é a indicação para operações com pouco investimento e que precisam de agilidade.

  • A Lei da Governança – é preciso levar em consideração as legislações vigentes como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), regulamentações de indústrias, taxas e impostos, que também impõem regras que determinam a localidade dos workloads.

Esse conceito de mobilidade dos workloads, que define essa onda de projetos multicloud, está diretamente associado à capacidade de governança, por software, dos componentes de computação, armazenamento e rede.

É preciso gerenciar e orquestrar componentes de forma automática, com workflows e procedimentos estabelecidos. O que passa pelo conceito de Data Center Definido por Software (SDDC - Software Defined Data Center), no qual máquinas virtuais, containers, microsserviços, códigos fontes e funções podem ser movidos de forma transparente entre infraestruturas e localidades heterogêneas. Com isso definido, resta saber quais são as localidades de uma arquitetura multicloud.

Quando o workload está localizado no datacenter da empresa, é possível aproximar a experiência do ambiente interno, com a agilidade e a flexibilidade necessárias, por meio da implementação da Infraestrutura de TI como Serviço (IaaS).

Quando nem data center e nem equipe de TI estão internamente nas empresas, as cargas de trabalho estão na “Cloud Pública”. Ainda há a “Edge” (ou borda), que é a infraestrutura localizada onde não existem sequer datacenters ou mesmo equipes de TI estabelecidas. A ideia nesse último caso é colocar o processamento perto da origem dos dados, gerando redução de latência para comunicação.

Em resumo, em ambientes multicloud a arquitetura de TI deve se comportar como uma malha única, com gestão integrada e unificada, de forma a servir os diversos perfis de aplicações de negócio, permitindo flexibilidade e agilidade, ao mesmo tempo que garante segurança e desempenho necessários para aplicações de missão crítica.

Para isso, é preciso assegurar que a dinâmica de distribuição seja transparente e consistente, sem demandar treinamentos contínuos e gestões isoladas ou em silos. E para isso, deve-se considerar:

  • Infraestrutura: com propriedades e capacidades comuns entre os objetos gerenciados, independentemente da localidade. Por exemplo, nas Máquinas Virtuais (VMs), deve ser permitido adicionar memória, poder computacional e armazenamento, de forma consistente, em todas as localidades, não importando se as VMs se encontram no Core, na Cloud ou na Borda.

  • Operação: devem existir padrões de procedimentos para todas localidades, para que um profissional de gestão possa executá-los sem novos treinamentos e, sobretudo, com possibilidade de automação que permita atuar em objetos das diferentes localidades por meio de interfaces e procedimentos comuns.

  • Serviços: a operação e a infraestrutura precisam de serviços, que permitam automação da gestão, conteinerização, comunicação, desenvolvimento e execução de códigos

Por fim, qualquer que seja a estratégia multicloud, é importante o profundo conhecimento das demandas do negócio. A TI deve posicionar-se como área parceira, funcionando como um habilitador da inovação e de oportunidades. Só assim é possível tirar o máximo proveito dos benefícios dessa terceira onda da migração para a nuvem.

*Raymundo Peixoto é vice-presidente sênior de Soluções para Datacenter da Dell Technologies para América Latina

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