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Brasil foi o segundo país com mais vítimas de stalkerware em 2020

Mais de 6,5 mil usuários brasileiros foram espionados por celulares e computadores no ano passado, segundo levantamento da Kaspersky

Da Redação

26/03/2021 às 11h01

Foto: Adobe Stock

A espionagem de celulares e computadores continua em alta no Brasil. Um novo levantamento mostrou que os brasileiros estão em segundo lugar no ranking global de vítimas de stalkerware (programas espiões) que, apesar de comercializados legitimamente, estão diretamente associados ao abuso e à violência doméstica. Em 2020, mais de 6,5 mil usuários no país foram vigiados por esses softwares, segundo dados da pesquisa da Kaspersky.

O Brasil representa cerca de 12% do total de ataques de stalkerware no mundo, ficando apenas atrás da Rússia, que conta com mais de 12,3 mil casos. Esses programas são muito usados como forma de perseguição e ciberviolência entre casais e as maiores vítimas são as mulheres, de acordo com a organização Coalition Against Stalkerware (CAS) - da qual a empresa faz parte. A maioria não sabe que está sendo vigiada, e nem mesmo que esse tipo de software existe, o que causa impotência por parte da vítima.

O levantamento da empresa de cibersegurança mostra que a violência pelo stalkerware afeta os países independentemente de tamanho, sociedade ou cultura. Além da Rússia e Brasil, Estados Unidos, Índia e México também estão no topo da lista com mais internautas afetados.

"Observamos que o número de usuários afetados por stalkerware permaneceu alto e detectamos novas amostras todos os dias. É importante lembrar que, por trás de todos esses números, há a vida real de uma pessoa e, às vezes, um pedido silencioso de ajuda. A nossa pesquisa serve também para alertar sobre o problema e fazer com que as pessoas o entendam melhor. Nosso objetivo é ajudar a acabar com o uso desses programas", comenta Fabio Assolini, Analista Sênior de Segurança da Kaspersky no Brasil.

Em comparação com 2019, o Brasil teve queda de 17% na quantidade de ataques por programas de espionagem. Segundo os especialistas da Kaspersky, a diminuição dos casos foi uma tendência mundial e está ligado ao período de isolamento devido à pandemia (com mais pessoas em casa, houve menor necessidade de vigilância pelos perpetradores). Porém, a partir dos meses em que houve o afrouxamento das medidas de restrição em diversos países, os casos foram retomando o ritmo anterior.

Segundo os especialistas, é possível verificar se um dispositivo móvel tem stalkerware instalado observando os seguintes sinais:

  • Verifique as permissões nos aplicativos instalados: aplicativos de stalkerware podem estar disfarçados usando um nome falso, com acesso suspeito a mensagens, logs de chamadas, localização e outras atividades pessoais. Por exemplo, um aplicativo chamado "Wi-Fi" que tem acesso a sua geolocalização é um candidato suspeito.
  • Exclua os aplicativos que não são mais usados. Se o aplicativo não foi aberto por um mês ou mais, provavelmente seu uso não é mais necessário. Se isso mudar no futuro, basta reinstalá-lo.
  • Verifique configurações de "fontes desconhecidas" em dispositivos Android. Se houver "fontes desconhecidas" habilitadas em seu dispositivo, pode ser um sinal de que foi instalado um software indesejado de terceiros.
  • Confira seu histórico de navegação. Para baixar stalkerware, o agressor terá de visitar algumas páginas da Web que a vítima não conhece. Por outro lado, poderá não haver nenhum histórico, se o agressor o tiver apagado.