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A ocorrência de ransomware deve piorar em 2017
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A ocorrência de ransomware deve piorar em 2017

Entre outros motivos, porque as violações de dados “tradicionais” não são mais tão lucrativas

Cleber Marques *

01/02/2017 às 8h05

lock-ransomware.jpg
Foto:

O ransomware
talvez seja uma das ameaças mais engenhosas da história não só por causa
de sua efetividade e lucratividade, mas por causa de sua simplicidade.
Nunca foi tão fácil cometer um crime e obter um retorno de investimento
tão alto com riscos tão baixos.

Dados do FBI
indicam que as perdas relacionadas aos ataques de ransomware em 2016
podem chegar a US$ 1 bilhão só nos Estados Unidos. Ainda segundo o FBI,
só nos três primeiros meses do ano, o custo do ransomware para as
vítimas foi de US$ 209 milhões – em 2015, os prejuízos do ransomware
foram de US$ 24 milhões em todo o ano.

Em 2016, os
ransomwares não deram descanso para as empresas brasileiras, agindo no
“atacado”, tendo como alvo empresas menores e até prefeituras. Por ser
um sucesso indiscutível, a tendência é que os criadores de variantes de
ransomwares pressionem as tecnologias de segurança ao extremo,
explorando a possibilidade de infiltrar cada dispositivo de
armazenamento de dados entre a rede e a empresa.

Esse é apenas um
dos indícios de que o ransomware deve piorar nos próximos meses. Confira
mais fatores que apontam para esse caminho:

As violações de dados “tradicionais” não são mais tão lucrativas
O mercado negro
está tão saturado de dados roubados que o valor obtido pelos hackers com
violações de dados “comuns” está caindo. Atualmente, se um cartão é
roubado, basta pedir um número novo e o problema é resolvido em minutos.

Até os registros
médicos, que antes eram um dos dados mais valiosos para os
cibercriminosos, estão valendo cerca de 50% menos em relação ao ano
anterior. Ou seja, a demanda para esses dados está caindo. Levando em
consideração o trabalho necessário para invadir a rede e obter essas
informações, esse tipo de ataque é cada vez menos vantajoso.

Por outro lado, ao
contrário das violações de dados “tradicionais”, o resgate cobrado por
cada sequestro de dados só cresce, mesmo que muitos dos dados
sequestrados não tenham absolutamente nenhum valor no mercado negro.

ransomware

Internet das Coisas gera milhões de novos alvos
Com o sucesso do
Mirai – o botnet de Internet das Coisas que causou um dos maiores
ataques DDoS de que se tem notícia – os dispositivos conectados devem se
tornar o próximo alvo do ransomware. Vale lembrar que a quantidade de
dispositivos conectados, que em 2014 era de 295 milhões, deve chegar a
827 milhões na América Latina.

Ou seja, nos
próximos anos (ou meses) podemos ver ataques de ransomware contra as
chamadas casas inteligentes, carros conectados e até componentes de
infraestrutura dos setores de saúde e serviços essenciais, como energia e
distribuição de água.

Empresas precisam parar de encorajar cibercriminosos
O ransomware está
forçando executivos em todo o mundo a entender que não existe nenhuma
garantia de proteção contra essa ameaça. Apenas os mecanismos de
recuperação são recursos válidos.

O número de
empresas despreparadas em termos de recuperação, que continuam pagando
os valores pedidos nos resgates, dá força para o crescimento do
ransomware. Com o pagamento em mãos, os hackers são encorajados e
começam a se tornar mais inovadores e lucrativos.

Essa prática
existe há anos, mas empresas insistem em ignorá-la, esperando que nada
de ruim aconteça. Contar com uma estratégia de backup em que a
integridade dos dados seja verificada constantemente e o armazenamento
não esteja suscetível a ataques pode economizar uma boa quantidade de
dinheiro no momento de um ataque de ransomware.

 

(*) Cleber Marques é diretor da KSecurity

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