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A Internet das Coisas pode mudar toda a Economia

Novos mercados digitais, gestão de risco e melhorias de eficiência são vetores da transformação dos modelos de negócio a partir da IoT

Fabio Cossini *

20/04/2016 às 18h00

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A Internet das Coisas torna-se cada vez mais popular com novas aplicações e investimentos maciços das grandes empresas de TI. As pessoas já conseguem sentir o efeito dessa nova era, seja por carros mais conectados, sensores residenciais que tornam suas vidas mais práticas ou dispositivos vestíveis (wearables) que monitoram sua saúde para proporcionar bem-estar. Os desafios do momento são entender como as empresas podem se beneficiar dessa evolução tecnológica e repensar seus atuais modelos de negócio para irem além de suas fronteiras.

O passo é transformar dados físicos em digitais. Tome por exemplo um ser humano, que carrega consigo uma grande quantidade de dados sobre o comportamento do seu corpo. Essas informações, uma vez capturadas por biossensores, tornam-se matéria-prima para todo o ecossistema de saúde, permitindo que médicos, clínicas, hospitais, farmácias e planos de saúde ofereçam serviços diferenciados e novas formas de relacionamento com seus clientes. Da mesma forma, armazéns e empresas de logística podem capturar dados sobre a real ocupação de seus espaços de armazenagem e distribuição, aumentando sua taxa de ocupação e receita. As empresas criarão novos mercados de ativos digitais.

Com dados digitais há a oportunidade de gerenciar melhor o risco do negócio. Considere a indústria automobilística: com automóveis cada vez mais recheados de sensores, as montadoras podem medir o real desgaste de peças e antecipar possíveis defeitos, acidentes ou recalls, global ou local, interferindo na cadeia produtiva e reduzindo impactos financeiros ou de imagem. Similarmente, as concessionárias de energia podem gerenciar toda a cadeia de geração e distribuição de eletricidade, planejando interrupções e tomando as ações necessárias para melhor utilização de suas redes. Neste setor, em específico, dados sobre o clima coletados por sensores e processados por meio de poderosos algoritmos podem antecipar tempestades ou inundações que, se não tratados, podem deixar milhões de pessoas às escuras.

De uma forma geral, as empresas da nova economia digital devem almejar a eficiência contínua. A transformação de dados físicos em digitais oferece uma maior precisão sobre o andamento de processos e utilização de recursos. A agricultura se beneficia de imagens de satélites que conjugadas a informações sobre o solo, umidade da terra e até mesmo da condição individual de cada árvore em um pomar, podem levar o agronegócio à uma maior eficiência no aproveitamento da área cultivável, uso de fertilizantes e da detecção preventiva de pragas.

A tríade composta pela criação de novos mercados digitais, gestão de risco e melhorias de eficiência é a chave para a transformação dos modelos de negócio atuais a partir da revolução que a Internet das Coisas vem trazendo para o bem-estar das pessoas ao redor do planeta. As empresas devem inovar por meio de novas parcerias e uso intensivo de inovadoras tecnologias para levarem produtos e serviços que melhor atendam os novos consumidores digitais e aqueles que, não tão novos, já estão inseridos na economia digital por meio de seus smartphones ou dispositivos inteligentes.

 

 

(*) Fabio Cossini é arquiteto de TI da IBM Brasil