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Tecnologia de polícia para prender bandidos

Vídeos mostram o equipamento de alta tecnologia que os policiais utilizam para combater a criminalidade e promover a segurança pública

Computerworld (EUA)

21/02/2008 às 20h21

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Você já se perguntou o que aquele guarda está fazendo na viatura parada atrás do seu carro com as luzes piscando, enquanto você procura seus documentos com o coração acelerado?

Se você estiver nos EUA, o mais provável é que ele esteja pesquisando sobre você em um notebook e encontrando um volume surpreendente de informações.

De acordo com o tenente Paul Shastany, do Departamento de Polícia de Framingham, em Massachusetts, os laptops nos 24 carros de radiopatrulha do órgão são a inovação tecnológica recente mais importante para auxiliar o trabalho da polícia.

“Podemos obter, imediatamente, informações sobre as carteiras de habilitação das pessoas que paramos por violações, bem como sobre o status de ‘procurados’ pela justiça”, diz Shastany. “Conseguimos  localizar um número maior de pessoas desaparecidas e ‘procuradas’ graças aos notebooks nas viaturas”, comemora. E muito mais informações estão disponíveis para policiais em ronda.

Mas a tecnologia tem um custo. Esqueça os laboratórios futuristas e os dispositivos tecnológicos fantásticos que você vê na série de televisão CSI e em filmes de crimes. Na vida real, a polícia se vira com o que os governos municipais carentes de dinheiro podem gastar, o que não costuma ser muito.

Como explica o oficial de polícia Ed Burman, as pessoas pedem redução de verba para tecnologia. “Elas perguntam qual a necessidade de tecnologia. Apenas querem ver um policial em um carro na rua, não percebem o que precisa ser feito nos bastidores”, diz.

“Custo-benefício” é um termo que Burman emprega com freqüência quando descreve a utilização de tecnologia pelo departamento de polícia. Aliando criatividade, subvenções e doações, o departamento usa surpreendentemente bem o que tem à disposição para desempenhar suas funções. O órgão conta com 121 policiais e 11 funcionários civis de apoio e tem uma verba anual de cerca de 11 milhões de reais.

Até meados do ano passado, revela Burman, o departamento de TI do departamento de polícia se esteava em dois antigos servidores Alpha da extinta Digital Equipment Corp. “Quando eles foram adquiridos, em 1992, foram previstos para durar cinco anos.”

Porém, com a ajuda de um upgrade que custou 150 mil dólares, os policiais agora têm uma quantidade de informações fantástica prontamente disponível.

Tudo começa nos carros de radiopatrulha, equipados com notebooks Panasonic Toughbook e aplicativos da Keystone Information Systems que permitem aos policiais investigar suspeitos e enviar relatórios diretamente para o centro de operações.

Framingham está no processo de implementar uma rede mesh Wi-Fi metropolitana para que as viaturas permaneçam online o tempo todo. Mas, por enquanto, os policiais preenchem relatórios e dirigem até um hot spot Wi-Fi para transmitir seus dados por meio de uma rede privada virtual. Para eliminar custos mensais recorrentes, é utilizada radiofreqüência, ao invés de tecnologia celular.

Quando estão online, os policiais nos carros da radiopatrulha podem ver instantaneamente onde se encontram e o que estão fazendo todas as outras viaturas. Isso é extremamente importante para a segurança dos policiais, observa Burman.
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Fiscalizar trânsito e placas de automóveis, obviamente, são algumas das funções mais comuns dos policiais em viaturas. Eles têm acesso instantâneo a informações sobre seguro, carros roubados, vistoria e quaisquer documentos pendentes. Podem até obter a fotografia da carteira de habilitação do motorista.

Recentemente, ao ver no laptop a fotografia da carteira de um condutor, um policial constatou que não correspondia ao indivíduo no carro, provando que o condutor estava mentindo sobre sua identidade, conta Shastany.

Os aplicativos da Keystone também possibilitam que os policiais façam muito mais investigação via web sobre suspeitos e outros indivíduos. Eles podem acessar interrogatórios, detenções, relatórios sobre acidentes, impressões digitais e fotografias, juntamente com informações sobre áreas de risco e ameaça que lhes permitem saber se o indivíduo é perigoso.

Até a rede mesh Wi-Fi metropolitana estar concluída, os policiais continuarão usando o Microsoft Word para entrar os dados de seus relatórios nos laptops e salvá-los no caso de terem que ir atender um chamado repentinamente. Os policiais, então, transmitem seus relatórios ao centro de operações quando estão na faixa de alcance de um hot spot.

Backup é especialmente crucial para os departamentos de polícia, já que a falta de dados pode definir o desfecho de um processo judicial. “Fazemos backup de tudo constantemente”, diz Burman. Uma vez por mês, ele vai até os carros e copia em CDs os dados de relatórios. Além disso, a informação é armazenada na rede do departamento e toda noite é feito um backup do sistema na rede da prefeitura.

Para obter ainda mais redundância, o departamento de polícia e o corpo de bombeiros rodam aplicativos da Keystone idênticos em servidores idênticos conectados por meio de uma rede de fibra óptica, de forma que um órgão possa fazer backup dos dados do outro. Em caso de falha no servidor do departamento de polícia, Burman muda o endereço IP deste servidor para o servidor do corpo de bombeiros, possibilitando que o departamento de polícia volte a funcionar.

Na sala de servidores, o departamento usa uma rede de fibra da RCN com linha de cobre como backup. Para serviço telefônico, em meados do ano passado foi instalado um sistema de voz sobre IP com oito linhas de cobre como backup.

Os servidores Compaq utilizam o aplicativo Content Manager, da Keystone, que armazena fotos junto com relatórios de incidentes. Antes, os policiais tinham que até a sala de evidências para obter fotos que associadas aos seus relatórios.

Até pouco tempo atrás, a sala de servidores tinha que se comunicar com o sistema de informação de justiça criminal do estado por meio de um modem de 56 Kbps, mas agora o departamento de polícia de Framingham é um dos cinco departamentos policiais que utilizam uma linha T1 para resposta muito mais rápida.

No coração do departamento está o centro de emergência 911, que em breve será atualizado. Móveis e consoles, alguns com 20 anos de existência, serão trocados.

Um recurso avançado do centro é o sistema E911 VESTA Pallas, da PlantCML capaz de identificar a localização de uma ligação de celular a uma distância de 23 metros. Antes, só era possível identificar a torre de celular que estava sendo usada, e esta poderia estar longe, até mesmo em outra cidade.

O centro de emergência possui três estações idênticas com monitores que fornecem muitos tipos de informação, incluindo a localização de policiais – os mesmos dados que estão disponíveis para os policiais em carros de radiopatrulha.

No setor de identificação, uma máquina de impressão digital eletrônica agora tira as impressões dos suspeitos e as envia para o FBI, que em 10 minutos retorna quaisquer informações existentes. Antigamente,  as impressões eram enviadas ao FBI pelo correio e “você nunca recebia uma resposta”, recorda Burman.

O bafômetro também foi melhorado, permitindo o envio imediato de informação. Atualmente, as fotografias digitais dos suspeitos são compartilhadas com outros órgãos municipais por e-mail. De acordo com Burman, o Estado de Massachusetts está trabalhando em um projeto baseado no SharePoint, da Microsoft, que permitirá que diferentes departamentos compartilhem estas fotos e outras informações.
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No setor de análise da cena do crime, a fotografia também é de alta tecnologia. O sistema“digital é realmente o caminho a seguir”, afirma o agente de polícia David Studley. Agora, fotografias de suspeitos que apresentam determinadas características são agrupadas em um computador e impressas para exibição a testemunhas. As fotos ainda são compartilhadas com outros departamentos via e-mail.

Negativos e câmaras escuras também pertencem ao passado, o que torna as operações mais eficientes e reduz a utilização de produtos químicos potencialmente perigosos.

Studley ainda tem uma velha câmera fotográfica de fole Speed Graphic, mas agora ele leva para a cena do crime uma câmera digital Canon 10 megapixel com lente zoom e outros acessórios que permitem tirar fotos de impressão digital na escala exata, por exemplo. Uma câmera subaquática também está disponível.

A análise do crime é outra área em que o departamento de polícia de Framingham utiliza ferramentas de alta tecnologia.

O detetive Ted Piers recorre a tecnologia de mapeamento GIS, bancos de dados e outras informações para traçar padrões de crimes visualmente, identificar áreas problemáticas ou analisar outros fatores visando alocar melhor os recursos policiais.

Em um nível mais tático, Piers fornece todas as informações possíveis aos policiais que se encaminham para um chamado potencialmente perigoso.

“No caso de uma equipe da SWAT ou uma operação de alto risco, incorporamos análise de dados do crime ao mapeamento. Fornecemos um diagrama do edifício, fotografia aérea, qualquer informação que pudermos obter sobre a área em questão”, diz Piers. “Disponibilizamos o máximo possível para as unidades que estão se dirigindo ao local”, conta.

O mapeamento também pode ser utilizado para outros fins, tais como a procura de pessoas perdidas. Piers utiliza uma tela de parede gigantesca, chamada smartboard, para exibir documentos, mapas e slides PowerPoint, e tudo isso pode ser incorporado a desenhos na tela que podem ser impressos em folhas de papel de grandes formatos.

O smartboard, conectado a PCs via Bluetooth, apresenta um mapa em tempo real com diferentes símbolos indicando a localização das atuais chamadas de ocorrências policiais e incêndios. Ao clicar em um símbolo, os agentes obtêm informações específicas sobre um incidente.

A cada mês, por exemplo, Piers imprime um relatório que apresenta graficamente o número e os tipos de acidentes de trânsito com o objetivo de auxiliar no cumprimento da lei e manter uma vigilância sobre as áreas problemáticas.

O departamento de polícia de Framingham gostaria de poder contar muito mais com a alta tecnologia – por exemplo, BlackBerrys para policiais em motocicletas enviarem relatórios eletronicamente, como fazem os policiais em viaturas. Nem sempre, porém, há os recursos financeiros, lamenta Burman.

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