Home > Carreira

Technostress, ansiedade, sobrecarga, vício em TI: você sofre com eles?

Apesar de serem situações distintas, nem sempre elas aparecem de forma isolada

Renato de Oliveira Moraes *

17/02/2019 às 11h35

Foto: Shutterstock

Apesar dos inegáveis benefícios que a TI trouxe às pessoas, ela também tem trazido efeitos indesejáveis. Este artigo falará de alguns dos efeitos psicológicos e emocionais negativos associados ao uso TI e por vezes chamados do lado negro da TI. Existem também efeitos ilegais e imorais associados à TI, mas que não são objeto deste texto.

Serão abordados quatro efeitos mais frequentemente citados na literatura da área: technostress, ansiedade, sobrecarga de informações e vício em TIExistem mais artigos tratando do impacto destas patologias nos indivíduos do que nas organizações. Mas é importante lembrar que a saúde do funcionário, inclusive a saúde emocional e psicológica, além da física, tem impacto no desempenho do trabalho individual. Por consequência, no desempenho do grupo, da empresa e, em última instância, da sociedade. Apesar de serem situações distintas, nem sempre elas aparecem de forma isolada.

Technostress é a incapacidade de uma pessoa em lidar com uma nova tecnologia de maneira saudável, fazendo desta experiência um episódio estressante. As interrupções provocadas pela TI, como as que as redes sociais (Facebook e WhatsApp) provocam, são considerados elementos (estressores) que podem gerar uma situação de technostress.

A sobrecarga de informações acontece quando uma pessoa recebe, de forma mais ou menos regular, uma quantidade informação muito superior às suas necessidades, criando uma percepção de sobrecarga. Essa sobrecarga de informação pode ocorrer por diferentes razões como, por exemplo, excesso de conversação (uma quantidade excessiva de mensagens) e entropia da informação (mensagens desorganizadas). Sobrecarga de informação também pode gerar um quadro de technostress.

Ansiedade em TI, refere-se a estados de apreensão ou ansiedade em relação ao uso da TI. Pode se manifestar por meio de sentimentos de medo, aversão a riscos, nervosismo, desconforto e/ou uma sensação de estar ameaçado. A ansiedade, do ponto de vista organizacional, tem um impacto negativo na adoção e na intenção de uso de sistemas de informação.

Por último, o vício em TI refere-se a um quadro de dependência do indivíduo e se manifesta mediante um comportamento obsessivo-compulsivo no uso da TI, na busca de informações e têm um impacto negativo em atividades importantes do cotidiano pessoal e profissional. Pessoas viciadas em TI não conseguem ficar muito tempo sem consultar aplicativos de comunicação (e-mails e redes sociais) ou sistemas acompanhamento ou controle de operações. Seus sintomas incluem pensamentos dominados pela TI, emoções negativas quando não estão a usando, incapacidade de controlar seu uso, prejuízo de outras atividades regulares, tolerância reduzida a emoções e alterações de humor.

A maioria de nós já teve esses sentimentos em relação à TI em algum momento e, ciente disto, é importante encontrar formas de contornar o desconforto causado. Mas esta não é uma tarefa simples. Tente ficar um dia sem usar a TI. Nada de redes sociais, e-mail, celular e internet. Telefone, só fixo – nada de celular.

A maior parte dos trabalhos relacionados a estes problemas está voltado aos impactos no indivíduo e as ações que podem remediar tal situação, como por exemplo, o controle parental do uso e do consumo da TI que estabelece horários para fazê-lo. Do ponto de vista organizacional, algumas empresas estão adotando práticas semelhantes a essas, como restringir o acesso a sistemas e e-mails em horários fora do expediente, durante finais de semana, por exemplo.

Esses efeitos – technostress, ansiedade, sobrecarga de informações e vício em TI – afetam a saúde das pessoas e devem ser tratadas não só no nível do indivíduo, pois elas têm impactos na família, empresa e sociedade. A pesquisa acadêmica deve continuar a estudar estes problemas analisando seus antecedentes, consequências e os mecanismos de mitigação. Acredito que grupos multidisciplinares, com profissionais da área de SI, psicologia e sociologia, entre outras, podem fazer significativas contribuições nesta área.

 

(*) Renato de Oliveira Moraes é professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP e colunista do IT Forum 365

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail