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Duas chances para o sucesso em SOA

Tecban, dona das marcas Cheque Eletrônico e Banco 24 Horas, teve uma primeira tentativa fracassada. Na segunda, conseguiu resultados significativos

Cláudia Zucare Boscoli

20/06/2007 às 11h39

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Com uma área de TI "totalmente descolada da empresa" – nas palavras do coordenador de arquitetura Rogério Nakano –, a Tecban, fornecedora de tecnologia bancária, precisou repensar seus procedimentos em 2002 para continuar a atender os clientes e chegar ao crescimento esperado.
Dona das marcas Cheque Eletrônico e Rede 24 Horas, a empresa atende 43 diferentes instituições financeiras com uma gama de 100 milhões de pessoas físicas e jurídicas cadastradas, 3,4 mil caixas eletrônicos espalhados por 290 cidades do País (90% com segurança assistida) e outros 1.650 pontos de auto-atendimento terceirizados para as bandeiras dos próprios bancos.
"Nosso primeiro objetivo era consolidar e desenvolver a rede 24 Horas. São muitos os bancos envolvidos nas transações, cada um com um sistema tecnológico diferente. Precisávamos de agilidade e flexibilidade para customizar o serviço e integrá-lo à TI de qualquer cliente", explica Nakano. A partir desta contestação, foram feitos estudos das possíveis soluções e o conceito que melhor se adequou às necessidades foi o da arquitetura orientada a serviços (SOA). "Adotamos um Enterprise Service Bus reaproveitando o legado e adaptando tudo para uma arquitetura baseada em web", conta.
No entanto, logo perceberam que a falta de tempo poderia pôr tudo a perder. "Num trabalho de três meses e meio, a conseqüência foi uma integração longe dos 100%. Tivemos que desenvolver plug ins específicos para as variáveis de cada parceiro", completa. A solução foi procurar know-how. Com a IBM, a Tecban traçou novamente os procedimentos, levantando o que cada funcionário fazia e do que precisava. Uma interface de uso comum foi desenhada e um serviço de suporte, contratado por seis meses. "A IBM nos mostrou que o modelo de service bus adotado não tinha compatibilidade com as demandas. Trocamos tudo", revela.
O segredo que veio junto com o pacote da IBM foi a maneira de pensar a arquitetura da empresa. "É preciso começar com foco objetivo, um projeto pequeno, testá-lo e, daí sim, expandir. Nunca pensar gigante logo de cara. Foi fundamental ter este suporte capacitando a equipe, selecionando conjuntamente o que é primordial. Não se pode ser nem muito específico, nem muito abrangente", avalia. Em dois anos, os resultados práticos do trabalho em conjunto foram: 23% de redução no custo operacional, quadro de pessoal reaproveitado e tempo médio de atendimento mantido num nível bom. Agora, o próximo passo da Tecban é implantar o business process management (BPM) para "orquestrar serviços".
Para Paschoal D'auria, gerente de unidade de software da IBM, o case da Tecban é emblemático da necessidade de um estudo detalhado da empresa e suas estratégias antes da adoção de SOA. "A reutilização de processos e ferramentas deve ser muito bem avaliada. O legado é fundamental até mesmo para que o projeto custe o menos possível e os resultados se tornem visíveis mais rapidamente. Caso contrário, a diretoria vai achar que é perda de tempo e dinheiro", recomenda. Nas empresas em que vem aplicando o conceito de SOA, a IBM realizou uma pesquisa e chegou às seguintes conclusões: a redução de custo é o maior benefício (para 97% dos entrevistados), em 100% dos casos os processos de TI sofreram melhorias notáveis, 71% das empresas conseguiram reduzir riscos operacionais e 51% aumentaram a renda.

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