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Sua força de trabalho compreende bem os dados?

Depois da cultura, a baixa alfabetização de dados é o segundo maior obstáculo interno para o sucesso, de acordo com a última pesquisa da Gartner

cristina.deluca

13/12/2018 às 8h26

Foto: Shutterstock

Uma grande mudança ocorreu há quase 30 anos, quando as noções de reengenharia de processos de negócios e Six Sigma chegaram. Mais notoriamente praticado como parte da estratégia de negócios de Jack Welch, na GE, o Six Sigma tornou-se parte do tecido da maioria das organizações Fortune 500 no final da década de 1990.

E não foi uma moda passageira. Foi um movimento. Uma revolução. Fez com que todos os funcionários enxergassem o negócio por meio de uma lente de processo focada no cliente. Houve pioneiros do Six Sigma, eventualmente expandindo-se em um conjunto de técnicas padrão, conjuntos de ferramentas, treinamento e certificados "faixas-pretas" - da sala de reuniões até a sala de descanso.

Hoje, estamos no limiar de outra mudança, outro movimento, outra revolução - a da Data Literacy  (Alfabetização de dados). Assim como os trabalhadores nos anos 90 tiveram que trabalhar de maneira diferente, o mesmo acontece agora. A mudança organizacional não é mais definida inteiramente pela trindade de pessoas, processos e tecnologia. Há um novo elemento central - os dados... e isso vem mudando tudo.

Ampliado pela diversidade, a "proficiência no uso de dados" é a nova base para o workplace digital, seja você um criador ou consumidor de soluções baseadas em dados. Com o surgimento o data Analytics, da Inteligência Artificial (IA) e do Mchine Learning como os novos elementos centrais dos negócios digitais e da sociedade, a capacidade de "usar dados" de uma forma comum nunca foi tão grande.

O conhecimento de dados e a informação como segunda língua devem ser tratados como um elemento central da Transformação Digital.

Demanda acelerando rapidamente
O Gartner define Data Literacy como a capacidade de ler,  analisar e comunicar dados a partir de determinados contextos. Isso inclui um entendimento das fontes e construções de dados, métodos analíticos e técnicas aplicadas e a capacidade de descrever o uso, a aplicação e o valor resultante.

A alfabetização em dados é multifacetada e complexa, exigindo que os líderes possam ver o que é possível fazer com os dados e possam fomentar uma nova linguagem comum. Requer métodos compartilhados, tecnologias, treinamento e, eventualmente, até mesmo certificação. As mudanças nos negócios serão profundas.

O Gartner espera que 80% das organizações iniciem o desenvolvimento deliberado de competências no campo de Data Literacy até 2020, reconhecendo sua extrema deficiência. Além disso, 50% das organizações não terão conhecimentos suficientes de IA e de alfabetização de dados para alcançar o valor comercial até 2020.

Não só os profissionais envolvidos na elaboração de soluções, produtos e serviços orientados a dados devem ser instruídos. Todos os funcionários relevantes devem aprender a lidar com os dados. As comunidades nas quais o uso de dados florescerá também devem ser desenvolvidas e nutridas.

Cultivando a Alfabetização de Dados
Toda organização deve cultivar o modo como a Data Literacy melhorará sua capacidade de prosperar em um mundo de negócios que exige cada vez mais destreza digital. Já rápido, o ritmo da mudança está acelerando mais a cada ano, exigindo a criação de uma estratégia de negócios digital nas próprias corporações.

As organizações que se destacam em fornecer um workplace digital - e, portanto, estão alimentando a destreza digital da força de trabalho - terão uma vantagem competitiva significativa à medida que as Transformações Digitais se aceleram.

Corretamente implementada, uma estratégia de workplace digital ajudará a tornar os funcionários mais móveis, analíticos, criativos, colaborativos e inovadores por meio do uso de ferramentas, treinamento e incentivo.

As organizações devem estar preparadas para atender às necessidades dos clientes, mantendo-se à frente dos concorrentes. O primeiro passo é entender a alfabetização em dados e como ela pode melhorar os resultados dos negócios.

Depois da cultura, a baixa alfabetização de dados é o segundo maior obstáculo interno para o sucesso, de acordo com a última pesquisa da Gartner. A falta de talento e habilidades completa os três primeiros. Um programa de Data Literacy sustentado aborda todos esses três obstáculos.

Dominando informações como segunda língua
Aprender a "ler os dados" é como aprender qualquer idioma. Começa com a compreensão dos termos básicos e a descrição dos principais conceitos. No caso dos dados, existem três áreas-chave do vocabulário: valor (valor comercial, resultados, decisões, métricas); informação (fontes de dados, elementos, qualidade, atributos); e Analytics (métodos analíticos aplicados aos dados).

A linguagem de dados também possui muitos dialetos. Cada um emprega seus próprios termos, vocabulário e métricas. Os dialetos são específicos para a configuração, o domínio comercial ou o domínio do setor. Hospitais, governos e o setor de seguros, por exemplo, cada um tem seu próprio modo lidar com os dados, como em resultados de pacientes, resultados de cidadãos e resultados de sinistros, respectivamente.

Todos em toda a empresa, bem como clientes e fornecedores, devem aprender os dialetos mais relevantes. Isso permite que todos os envolvidos discutam e usem dados para colaborar para cumprir as metas de negócios. Como acontece com qualquer idioma, nem todos precisam compreender os  dados com o mesmo nível de proficiência - tudo depende de cada função individual.

Treinamento e desenvolvimento da força de trabalho
Depois de entender a alfabetização em dados e a necessidade de uma linguagem comum e dialetos compartilhados em toda a organização, é hora de começar. O primeiro passo é reconhecer que a Data Literacy é parte de uma estratégia geral de gerenciamento de mudanças e de gerenciamento organizacional.

Criar consciência entre as partes interessadas é essencial. Socializar a necessidade da alfabetização em dados é um passo importante na preparação de todos para a mudança, convencendo-os de que a Data Literacy é tão ou mais importante que o Six Sigma. Precisa de uma identidade.

 

(*) Valerie Logan é analista sênior do Gartner, com foco em estratégias de gerenciamento de informações, análise avançada e tópicos relacionados ao gerenciamento de mudanças

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