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Sete dicas sobre o que não fazer diante de um investidor-anjo

O investidor e consultor Marcio Kogut aponta os erros que não devem ser cometidos por startups

Da Redação

22/05/2017 às 10h25

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O
ecossistema de startups avança e com ele o aporte financeiro também. De
acordo com a Anjos do Brasil, organização sem fins lucrativos de
fomento ao investimento-anjo, há um aumento de 11% a 15% ao ano, o que
resultou em uma injeção de R$ 784 milhões nas empresas em estágio
inicial do Brasil em  2015.

Em 216, passamos por uma crise política econômica que ficou evidente para todo
mundo. E mesmo dentro desse contexto, as startups continuaram crescendo,
captando grana, mostrando efetivamente que existia crescimento no
segmento. Segundo a Associação Brasileira de Startups
(ABStartups), o Brasil conta com mais de 4 mil jovens empresas, número
registrado na StartupBase, banco de dados da associação, que recebe
atualização constante.

Na opinião de Amure Pinho, investidor-anjo e presidente da ABStartups, aquelas startups que tinham muitas ideias legais, mas pouca entrega de
negócio quebraram, porque o mercado não estava bom para ninguém, então
não tinha dinheiro para bancar ideia, bancar sonhos.  Sobraram aquelas
que estavam com modelo de negócio operando. Houve uma participação muito
maior do poder privado e do poder público. As empresas começaram a ver
nas startups um sinônimo de inovação, o resultado disso é que elas
começaram a investir mais em programas próprios, a portar mais
investimentos em empresas, a comprar das startups.

Temos assistido algumas iniciativas de grandes empresas na construção
de aceleradoras e incubadoras de startups e na estruturação de fundos
corporativos direcionados à aquisição e ao desenvolvimento de negócios
disruptivos. Algumas são globais, como Google, Facebook, Cisco,
Qualcomm, Telefonica, Intel e Microsoft. Outras são de origem nacional,
entre elas Bradesco, Itaú, Embraer e a Porto Seguro.

Do lado das startups, no entantanto, alguns cuidados são necessários na hora de falar com o
investidor e explicar os motivos pelos quais ele deve apostar no negócio.

“Todo
empreendedor tem na cabeça que sua startup é diferente, inovadora, a melhor de todas e que será o mais novo unicórnio do planeta. Mas
criar algo disruptivo é para poucos. Além do sonho e da crença, é preciso ter conhecimento nas mais diversas
áreas e carregar uma bagagem com muita experiência”, diz Marcio
Kogut, investidor e idealizador da 20Startups.com.

Para ajudar o empreendedor a estar preparado no dia em que avistar seu
“anjo”, seguem sete dicas de Kogut sobre o que não falar na frente do
investidor:

1: Ainda é uma idéia não tenho MVP (Minimum Viable Product)
Não
queime o contato e ocupe o tempo do investidor se não tiver com um MVP
pronto e rodando. Quando digo MPV estou falando de no mínimo o seu
negócio funcionando em uma fase resumida, enxuta ou beta e não uma
landing page com os links de quem somos, onde estamos e o que fazemos.
Ninguém investe em ideias e para não queimar a largada só peça dinheiro
do anjo quando você tiver esta etapa rodando e validada.

2. Sou apenas eu, ainda não tenho um time formado
Ninguém
vai para guerra sozinho, isso é suicídio! Antes de ter pelo menos 3
pessoas em seu time com uma certa experiência, conhecimentos
complementares e fundamentais é praticamente impossível alguém investir
em você.

3. Tenho outra atividade e toco a startup em paralelo
Isso
seria a mesma coisa que falar que sua startup é um bico, um hobby, que
ela está em segundo plano e que não é a sua prioridade. Já é difícil
competir trabalhando incansavelmente e se esse é o seu caso, decida-se,
escolha um dos lados ou arranje outro passatempo.

4. Meu programador é freelancer. Meu desenvolvimento é terceirizado
Nenhuma
startup consegue decolar com a tecnologia terceirizada. Independente do
modelo de negócio ou segmento de mercado, você sempre irá depender da
tecnologia então será um tiro no pé achar que pode tratar e resolver
isso apenas com alguns programadores freelas. Tenha no mínimo um
CO-Founder nerd na sua startup e aumente a equipe conforme os
investimentos e a demanda.

5. Não tenho concorrentes
Impossível
algum negócio não ter concorrente direto ou indireto hoje em dia. Pode
ser que seu negócio tenha um propósito de valor diferente, uma inovação
no modelo mas mesmo assim é certeza que tem concorrentes e você é
obrigado a conhecer todos eles. Você precisa conhecer a fundo todos os
seu competidores, diretos e indiretos, similares ou parecidos e entender
a possibilidade e os riscos deles copiarem a sua inovação e
prejudicarem o seu crescimento.

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6. Investi um pouco do meu dinheiro e agora estou buscando mais investimento
Um
pouco? Esse é o negócio da sua vida não é? Então você precisa investir
tudo e mais um pouco antes de pedir dinheiro para um anjo. Ele precisa
saber que agora você não tem mais de onde tirar.

7. Se eu errar eu aprendo
Isso
vai fazer o investidor rasgar o seu cheque! Investidor nenhum quer
escutar isso e saber que você está disposto a errar com o dinheiro dele.
Ele quer que você acerte bem na mira! Isso é um mito até no Vale do
Silício! Lógico que quando erramos, aprendemos. Isso faz parte da nossa
natureza desde que nascemos. Mas glorificar a falha; sim, é um grande
erro. O fracasso não é algo bom principalmente com o dinheiro do anjo
então tire isso dos seus argumentos. Mesmo sabendo que o caminho do
sucesso é pavimentado com as falhas, elas nem sempre precisam ser as
suas.

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