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Ser workaholic pode ser prejudicial para a carreira

Na busca por bater metas e se superar sempre, muitos profissionais ultrapassam o limite e colocam a saúde em risco

Redação

07/04/2019 às 14h04

Foto: Shutterstock

Com a alta concorrência no mercado de trabalho e o índice de desemprego cada vez maior, quando um profissional consegue aquela tão desejada vaga, muitas vezes se sente pressionado, pois deseja entregar resultados “a qualquer custo” para a empresa. Nesse processo, muitos acabam se perdendo e tornam-se “workaholics” - termo que se refere às pessoas viciadas em trabalho. Porém, trabalhar além do que é necessário pode trazer consequências negativas para a saúde e a qualidade de vida do profissional.

De acordo com pesquisa da representante brasileira da International Stress Management Association - Isma-BR, 47% dos profissionais apresentam algum índice de depressão no mercado de trabalho. Esse número, que corresponde a praticamente metade dos profissionais, é muito preocupante, pois é necessário saber equilibrar a vida profissional com a vida pessoal. O excesso de tarefas ajuda no desenvolvimento de doenças - que podem se manifestar de diversas formas. Mas como identificar se eu trabalho mais do que deveria?

“Trabalhar mais do que o necessário, na visão do profissional, aparentemente, pode trazer mais retorno na carreira. Contudo, pode também afetar a saúde emocional e a saúde mental, o que prejudica a performance”, explica a especialista em desenvolvimento humano Susanne Anjos Andrade, autora do best-seller “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”.

Ou seja, se você é o tipo de pessoa que dorme pensando nos afazeres do dia seguinte, que perde o sono porque tem uma agenda cheia ou que não sai do celular preocupado com os assuntos de trabalho nos finais de semana, você pode estar nessa parcela da população, que vira refém e escravo do trabalho.

Para Susanne, é muito importante, sim, ter responsabilidades e buscar crescer profissionalmente, mas existem limites. “Um “workaholic” não necessariamente se sente feliz por trabalhar tantas horas. Inclusive, o termo conhecido internacionalmente está relacionado ao baixo prazer profissional. Ou seja, assim como qualquer vício químico ou sentimental, um viciado em trabalho colherá consequências que podem prejudicar o seu bem-estar, e também impactar negativamente as empresas a longo prazo”, avalia ela.

Carga horária

Pensando pelo lado das corporações, a situação de ter um colaborador “workaholic” não é algo tão vantajoso. “Mesmo que no início ele seja visto como um profissional dedicado, que entrega os resultados e atende os clientes de maneira ágil, com o passar do tempo, o profissional ficará cansado, com queda de desempenho”, analisa a especialista.

Além disso, certamente essa pessoa também terá dificuldades na vida pessoal, já que não terá tempo hábil para conciliar tudo de uma forma saudável. “Claro que, em algumas circunstâncias, será necessário ficar mais tempo no trabalho. O que não pode acontecer é deixar que a exceção se torne uma rotina. Tudo é uma questão de equilíbrio”, ensina ela.

Hora extra x metas a cumprir

Na visão de Susanne, se o profissional está precisando fazer hora extra sempre para atingir as metas, provavelmente impostas pela empresa, com certeza algo está errado, pois os resultados devem ser sempre possíveis de serem alcançados durante a jornada de trabalho. “Ou seja, as metas da empresa precisam ser revistas, com a participação do profissional como protagonista, pois ele pode estar executando uma função fora do seu perfil ou desconectada de seu propósito. Portanto, o trabalho saudável é aquele que não “amarra” o profissional na empresa, e que estabelece metas possíveis”, diz a especialista.

O descanso é não só merecido como necessário para o crescimento e o bom rendimento dos membros de uma equipe, que devem estar felizes com o seu propósito profissional. “Quando tudo encontra-se alinhado, os resultados surgem de forma natural, com o gasto de tempo de maneira adequada e equilibrada”, afirma Susanne.

Como deixar de ser workaholic?

Se você se identificou com o profissional “workaholic”, a especialista dá uma dica. “Comece desde hoje a destinar um espaço de sua agenda para compromissos pessoais e que lhe dão prazer. Isso irá lhe ajudar a ter mais equilíbrio emocional, saúde mental e irá proporcionar maior disposição”, diz.

“Além disso, busque se conhecer mais, identificando o seu propósito e o caminho para trazer resultados relevantes de forma leve. Seja o protagonista de sua vida e carreira. Essa é a jornada dos profissionais do novo mundo do trabalho, do mundo ágil. Assim todos irão ganhar: você, a sua família e a empresa”, finaliza.

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