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Seis passos para implantar o IPv6 em sua empresa

Eles podem minimizar os problemas e os custos associados à mudança

Antonio M. Moreiras *

01/08/2014 às 7h36

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Minha avó dizia que, se a cabeça não pensa, o corpo
padece. No mundo corporativo, quando as cabeças não pensam muito bem, quem
sofre é o bolso, o orçamento, a competitividade e a saúde financeira da
empresa. Certas ações têm que ser muito bem planejadas. A forma de tratar os
impactos que a transição para o IPv6 na Internet exercem sobre a TI da sua
empresa é uma delas.
Vou sugerir neste artigo alguns passos, visando
minimizar os problemas e os custos associados à essa mudança.

1. Crie um projeto formal e tenha o apoio da diretoria.
A implantação do IPv6 afeta principalmente a área de
redes, mas não só ela. Muitas vezes é preciso atualizar softwares, trocar
equipamentos, modificar contratos para serviços e capacitar pessoas.
Normalmente a iniciativa para a implantação do IPv6 parte do gestor de TI, mas
se você quer realmente ter sucesso, é recomendável explicar a importância da
ação para as demais áreas da empresa, obter apoio da diretoria e criar um
projeto formal para isso.

2. Capacite sua equipe técnica.
É provável que a maior parte dos técnicos e
engenheiros de sua empresa não tenham tido contato com IPv6 na faculdade ou
cursos de formação. Muito menos experiência prática com a tecnologia.
Normalmente há um choque inicial, pelo desconhecido. Mas, na verdade, muito do
conhecimento e experiência anteriores se aplicam também à nova tecnologia. Um
treinamento formal de cerca de 40h para o pessoal de redes, por exemplo,
normalmente é o bastante para que sejam capazes de iniciar a implantação. Em
outras áreas de especialidade dentro de TI, menos tempo ainda já pode ser
suficiente. Uma abordagem interessante é incentivar sua equipe técnica a
estudar o assunto por conta própria, praticando em emuladores e em equipamentos
reserva da própria empresa. Há bons livros e muito material disponível na web,
por exemplo no site http://ipv6.br/.

3. Mude sua política de compras e contratações.
Compre apenas equipamentos de TI (computadores,
telefones voIP, celulares, tablets, impressoras, roteadores, etc) com suporte a
IPv6. O mesmo vale para compra ou desenvolvimento de softwares e para serviços
(como o de conexão à Internet, ou de VPNs entre seus escritórios). Atualmente,
há opções com e sem suporte a IPv6 com custos equivalentes. Optando por comprar
ou contratar tudo com IPv6, você garante que seu parque tecnológico estará
completamente apto a trabalhar com o novo protocolo em poucos anos. Para não
adquirir gato por lebre, o documento http://ipv6.br/download/requisitos-suporte-ipv6-ripe-554-pt.pdf
pode ajudá-lo a especificar corretamente os requisitos.

4. Mesmo enquanto sua rede é só IPv4, trate os impactos de segurança que
o IPv6 pode trazer.

Muito do seu parque de equipamentos de TI já suporta
IPv6. Isso é ótimo se você vai implantá-lo. Por outro lado, se sua rede hoje só
usa IPv4, saiba que muitos desses equipamentos vêm com o IPv6 ativo por padrão.
Isso tem implicações para a segurança de seu ambiente. Por exemplo, o Windows
já suporta IPv6 e tenta, sem qualquer intervenção do usuário ou administrador
de sistemas, obter conectividade IPv6 por meio de túneis, em algumas situações.
Esses túneis podem contornar políticas de segurança implantadas no firewall
corporativo, e deveriam ser ativamente bloqueados.

Saiba que o IPv6, em si, oferece aproximadamente o
mesmo nível de segurança do IPv4. As vulnerabilidades e soluções são similares,
mas há diferenças importantes que devem ser também conhecidas e tratadas. Não
se assuste com a ausência de NAT no IPv6. NAT não é uma ferramenta de segurança
e sua rede ficará muito bem sem ele.

5. Faça um inventário de equipamentos, serviços e softwares.
Identifique os equipamentos, softwares e serviços na
sua estrutura que têm ou não suporte a IPv6. Isso o ajudará a definir um
cronograma para a troca. Procure aproveitar trocas já programadas de
equipamentos, motivadas pela implantação de alguma outra tecnologia, ou por
obsolescência dos mesmos, para adquirir equipamentos com suporte a IPv6.

6. Estabeleça e execute um cronograma com duas grandes fases.
A implantação do IPv6 não precisa ser feita de uma só
vez. O mais urgente é habilitá-lo nos serviços de sua empresa expostos na
Internet. Por exemplo, no seu servidor web. Outros serviços, como email, ftp,
ou DNS podem também se enquadrar nessa categoria. Ou seja, se preocupe primeiro
com serviços acessados por seus clientes e parceiros externos. Estabeleça um
cronograma para implantar IPv6 com urgência em seu site web e nesses outros
serviços, para evitar problemas de conectividade.

A rede corporativa em si, seus desktops, impressoras,
servidores de arquivos, ERP, CRM, etc, podem continuar usando IPv4 pelo tempo
que for necessário, sem muitos problemas. Mas haverá um tempo que tanta coisa
usará IPv6, que o que ainda depender do IPv4 começará a atrapalhar...
Estabeleça um cronograma para implantar IPv6 paulatinamente no restante da sua
rede corporativa, gastando o mínimo possível.

 

(*) Antonio M. Moreiras é engenheiro e gerente da área de projetos do NIC.br. Coordena o IPv6.br, projeto que engloba uma série de iniciativas para a disseminação do protocolo no país

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