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Se 2020 é o ano da Cloud Computing, por que sua estratégia ainda está falhando?

Apesar das previsões do que a computação em nuvem pode fazer pelas organizações, muitas empresas ainda não deram o salto

Por Glauco Carvalho*

16/03/2020 às 15h07

Foto: Shutterstock

O mercado de computação em nuvem foi estabelecido em 2010, quando os gigantes da tecnologia Microsoft, Google e Amazon Web Services lançaram suas divisões de nuvem. Porém, a definição da computação em nuvem mudou drasticamente ao longo desses 10 anos. Embora eu ainda considere uma tecnologia em estágio inicial, espera-se nos próximos anos que o padrão de desenvolvimento para aplicativos corporativos mude de habilitado para nuvem para nativo em nuvem.

As previsões do Gartner para o cenário global apontam que, até 2021, 75% de grandes empresas implementarão pelo menos uma plataforma de integração híbrida com capacidade para múltiplos provedores de nuvem ante menos de 25% em 2018.

O principal fator para as empresas migrarem para a nuvem é o custo de oportunidade (a velocidade da inovação e o menor custo total de propriedade) quando comparado ao local. A disponibilidade sob demanda e os modelos de "pagamento conforme o uso" de fornecedores de nuvem pública são certamente muito atraentes para novas experiências de negócios.

Outros fatores como capacidade computacional sob demanda, SLA de disponibilidade, resiliência operacional, continuidade dos negócios, agilidade na construção de ambientes, inovação contínua, facilidade de integrações entre provedores públicos IaaS, PaaS e data centers físicos no conceito da nuvem distribuída, também estão no radar das empresas que buscam a jornada para a nuvem.

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Porém, apesar das previsões do que a computação em nuvem pode fazer pelas organizações, muitas empresas ainda não deram o salto. Segundo a Forrester, menos da metade de todas as empresas usam uma plataforma de nuvem pública no momento. Além disso, uma pesquisa recente da McKinsey descreveu um grande desafio entre as empresas de migrar completamente suas operações para a nuvem. Existe uma grande lacuna entre os líderes de TI que migraram mais de 50% de sua carga de trabalho para a nuvem, em comparação com os que ficaram atrás com menos de 5%.

Como gerente de infraestrutura em uma empresa desenvolvedora de software, eu interajo frequentemente com clientes e principais tomadores de decisão. Interagi com gerentes e diretores de TI, diretores de estratégia em nuvem e até CFOs para entender suas dores. Percebi que a maioria dos clientes que iniciaram seus negócios na nuvem, bem como os clientes que transferiram aplicativos on-premise, cometem muitos erros semelhantes.

Já que 2020 é considerado o ano da Cloud Computing, com previsão de investimentos de US$ 411 bilhões, de acordo com Statista, pensei em elaborar esse artigo mostrando, não o que está dando certo, mas justamente por qual motivo ainda temos muitos cases de insucesso na adoção da Cloud Computing. Seguem sete dicas que considero importantes:

Custos de infraestrutura

Muitas empresas estão enfrentando problemas com seus custos de infraestrutura em nuvem após a adoção inicial devido à falta de estratégia e mecanismos de governança adequados. Vemos que o principal problema que os clientes enfrentam com a adoção da nuvem é com o gerenciamento de despesas dos serviços em nuvem. Há alguns anos, a segurança na nuvem era uma das principais preocupações, mas agora a visibilidade de custos e o controle de governança assumiram o principal desafio para as empresas. Isso exige uma estratégia de nuvem bem pensada.

Nova infraestrutura, mas cultura antiga

Este é mais aplicável às empresas que adotam a nuvem e passam de grandes configurações locais para a Cloud. Embora essas empresas mudem sua infraestrutura, elas frequentemente esquecem de fazer as mudanças necessárias em sua cultura, necessárias para o gerenciamento e as operações contínuas da nuvem. Muitos clientes ainda estão gerenciando a nuvem como se fosse uma configuração tradicional local, considerando que apenas o processo de provisionamento mudou.

Há uma mudança significativa em termos de como é preciso abordar o planejamento, o monitoramento e o gerenciamento da infraestrutura em nuvem em comparação com a TI tradicional.

Notei também que muitas vezes as empresas que tiveram iniciativa de migração para nuvem acabam dispendendo mais esforços e tempo na construção e manutenção dos ambientes do que otimizando a estrutura fazendo-a evoluir e tomar decisões mais assertivas com base em dados estatísticos coletados.

Falta de uma política de governança

Outra observação crítica que fiz de todas essas conversas foi a falta de processos e políticas básicas de governança. A criação de políticas de governança sempre foi uma reflexão tardia na maioria das empresas. Isso leva à má administração e atrito nos processos de pensamento entre as equipes de negócios, produto, engenharia e TI.

A maioria dos usuários da nuvem geralmente luta para entender os gastos de toda a empresa com aplicativos, equipes e unidades de negócios e trazer paridade no uso e nos custos da nuvem. Uma grande parte da despesa não é contabilizada, levando ao caos completo em grandes empresas!

A capacitação técnica do time de TI é fundamental para o sucesso e sustentabilidade dos ambientes em nuvem, mas capacitar áreas usuárias também é fator crítico de sucesso.

Portanto a cultura organizacional e processos tradicionais não devem se tornar ofensores às iniciativas em nuvem e precisam se adaptar à nova realidade. A jornada para a nuvem não pode ser um projeto isolado de uma área dentro da organização, pois toda ela é impactada.

Provisionamento em excesso

Com a infraestrutura em nuvem, você tem a liberdade de provisionar recursos de TI sob demanda. Muitos clientes não investem tempo e esforço suficientes nesse aspecto, levando ao provisionamento em excesso. Vi clientes arquitetando sistemas com um número muito otimista de recursos, que podem ser necessários no futuro, se houver um pico. Eles não conseguem tirar proveito de novas construções na nuvem, como dimensionamento automático ou escalonado. Com a nuvem, você deve usar seu princípio básico de elasticidade, como o dimensionamento automático, para otimizar o uso o máximo possível, reduzindo assim o excesso de provisionamento e as despesas gerais de serviço em nuvem.

Diferentemente da infraestrutura tradicional, pelo princípio da elasticidade, o ideal é começar pequeno e alocar recursos sob demanda à medida que o ambiente naturalmente exigir. As sazonalidades devem ser previstas de forma que se aumente recursos quando há picos de utilização e volte a uma configuração menor no período de baixa utilização.

Não executar a limpeza contínua

A falta de monitoramento do uso da nuvem leva a outro grande problema para as empresas que gastam em recursos não utilizados da nuvem. O hábito e a cultura do monitoramento contínuo do uso da nuvem e da eliminação de recursos desnecessários ainda precisam ser incorporados à governança geral da nuvem nas empresas. Em média, os clientes estão desperdiçando 5 a 25% de seu custo em recursos que não precisam mais. Embora a nuvem ofereça um modelo de precificação "como você usa", como empresa, seu modelo e cultura de uso deve ser "use o que você precisa" para uma utilização eficaz dos recursos.

Planejamento inadequado de migração

Para mim, a chave para que uma jornada seja bem-sucedida é dedicar tempo suficiente no planejamento e entendimento do cenário que se pretende migrar. É necessário cuidar de todos os detalhes, principalmente na particularidade de cada sistema e seus elementos envolvidos. Não é incomum as empresas se depararem com a falta de documentação dos sistemas. Outro ponto, é a base de conhecimento dos profissionais envolvidos que necessitam ter capacitação em arquitetura de nuvem, para que possam suportar adequadamente o processo de planejamento da migração. Com certeza, esses cuidados evitariam uma ida para a nuvem sem os ajustes e customizações necessárias, o que impede que a empresa tire proveito da potencialidade e benefícios que a nuvem pode oferecer.

Falta da cultura DevOps

O poder da nuvem só pode ser alcançado com a estratégia e automação adequadas da nuvem. A nuvem facilita a automatização dos processos de provisionamento, gerenciamento de configuração, implantações e recuperação, mas a maioria das empresas ainda precisa tirar vantagem total do DevOps. É importante nutrir a cultura do DevOps em suas equipes de TI e engenharia para reduzir o esforço manual e aumentar a confiabilidade. Não incorporar a automação do DevOps como o centro da sua estratégia de adoção e uso da nuvem só aumentará os desafios no gerenciamento de aplicativos e serviços em nuvem.

Para concluir, sabemos que computação em nuvem está firmemente estabelecida como o novo normal para a TI corporativa. Em todos os setores, a nuvem continua sendo um dos segmentos de crescimento mais rápido dos gastos com TI. E uma vez que TI hoje está intrinsicamente ligada ao próprio negócio, às vezes até se confundindo, com gastos maiores, no entanto, surge uma maior responsabilidade dos CIOs e responsáveis por I&O de investirem os orçamentos com sabedoria, evitando um impacto maior se as coisas derem errado.

*Glauco Carvalho é gerente de infraestrutura e de segurança da informação da Triad Systems

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