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Qual é o perfil ideal dos Design Thinkers?

Há um conjunto de características observadas em pessoas que atuam com esta metodologia em mente. Confira algumas delas, começando por quão disruptivos podem ser

Lucas Ricardo Mendes de Souza *

17/06/2018 às 10h23

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Ao associar o Design Thinking à inovação, é preciso entender que o pensamento “disruptivo”, ou seja, que provoca ou pode causar “disrupção” (revolução tecnológica), acaba por interromper o seguimento normal de um processo ou fluxo.

A grande questão é o quanto disruptivo podemos ser. De acordo com o tipo de problema ou oportunidade que você está lidando, há diferentes estágios de disrupção.

Para entender melhor, o professor André Coutinho descreveu em um artigo para a revista Harvard Business Review, que a partir da inspiração, pode-se avaliar e decidir qual será o modo de pensar do projeto, considerando alguns fatores, são eles: predisposição, probabilidade do futuro, orientação da estratégia e espírito de tempo, gerando o quadro abaixo:

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Ao observar o quadro, observa-se que quanto mais à direita, maior o grau de incerteza – ou seja, mais disruptivo é o projeto. Para explicar isto, alguns autores ilustram o comportamento do pensamento no decorrer do projeto, indicando os momentos em que o modo de pensar deve ser disruptivo e os momentos em que o modo de pensar deve ser convergente.

A necessidade pela convergência se dá pelo fato de que todo projeto, mesmo os de inovação, devem ter início, meio e fim. Como a inovação é um processo contínuo, é preciso ter foco para tornar os resultados tangíveis. Desta forma um fluxo de trabalho que ilustra esta mudança de comportamento foi criado.

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O fluxo do processo representa esta mudança do modo de pensar, saindo da linha de pensamento divergente para convergente a partir do momento as ideias e definições tecnológicas são estabilizadas.

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Visão integrada
Muitas empresas estão experimentando a aproximação e maior integração das equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (onde são trabalhados projetos cujo foco é o pensamento divergente e a criação de inovações) e as de Construção (tipicamente compostas por executores de projetos e ideias vindas da área de Pesquisa e Desenvolvimento).

Para ilustrar esta aproximação, na Indústria de desenvolvimento de Software (aplicações), observa-se cada vez mais a existência de uma equipe de inovação que alimenta um backlog (lista de desejos) que é construído pela equipe de Construção. Os métodos, técnicas, ferramentas e habilidades que são fundamentais para um bom trabalho de pensamento divergente são diferentes dos que são observados na linha de pensamento convergente.

Quem constrói não pode ficar continuamente perguntando o porquê, questionando o que precisa ser feito... Tem que focar na entrega, na construção do desejo (atender o backlog conhecido).

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O perfil dos Design Thinkers
Personalidades inovadoras marcam os profissionais considerados Design Thinkers. Há um conjunto de características observadas em pessoas que atuam com esta metodologia em mente. Entre elas, Tim Brown cita:

1. Empatia: Eles conseguem imaginar o mundo a partir de múltiplas perspectivas. Entre elas temos a dos colegas, clientes e usuários. Tendo a perspectiva do usuário, contada em primeira pessoa, esta abordagem permite imaginar a solução para atender expectativas implícitas e inerentes ao usuário. Extrema capacidade de observação.

2. Pensamento interativo: Indo além da análise dos processos, esta característica significa ser capaz de observar todas as anuências dos processos (algumas até contraditórias), confrontando os problemas para assim criar novas soluções e melhorar as alternativas dramaticamente.

3. Otimismo: Assumir que não importa o tamanho do desafio e as restrições impostas, no final uma solução em potencial é melhor que as alternativas existentes.

4. Experimentação: Inovações são obtidas por pequenos incrementos. Design Thinkers colocam questões e exploram as restrições de forma criativa para que novas abordagens e caminhos sejam considerados.

5. Colaboração: A crescente complexidade dos produtos, serviços e experiências fez com que se trocassem gênios solitários por grupos colaborativos realmente entusiasmados e interdisciplinares.


(*) Lucas Ricardo Mendes de Souza é especialista em Design Thinking

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