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Prós e contras da criação de aplicativos nativos da nuvem

CTOs experientes sabem que esses aplicativos são o “ingrediente secreto” que ajuda as empresas a transformar radicalmente seus setores e crescer

Kong Yang *

09/11/2017 às 13h17

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Foto:

Uma recente pesquisa da Capgemini revelou
que 15% dos novos aplicativos empresariais de hoje são nativos da
nuvem, o que significa que foram projetados especificamente para uma
arquitetura de computação em nuvem. Há uma estimativa de que esse número
suba para 32% até 2020, e é bem provável que seja atingido por causa de
um desgaste gradual da infraestrutura local. Certamente, as empresas
estão cada vez mais considerando a nuvem em virtude do aumento na
receita e da redução nas despesas operacionais que costumam estar
associados a ela, mas vale a pena avaliar melhor se isso realmente é
ideal para os seus negócios. Neste artigo, vamos explorar os prós e os
contras de se viver no mundo nativo da nuvem.

Nos últimos anos, o sucesso observado por
provedores de serviços de nuvem (CSPs, Cloud Service Providers), como a
Amazon Web Services (AWS) e o Microsoft Azure, é um indicativo do
triunfo ainda maior que a computação em nuvem está vivenciando em
relação à infraestrutura local tradicional. A nuvem agrega um valor
intrínseco por meio de agilidade, disponibilidade e escalabilidade.

A agilidade permite que você consuma o
melhor serviço do CSP e incorpore-o com total habilidade ao seu projeto
arquitetônico e de aplicativos. Você pode obter a disponibilidade por
meio do tempo de atividade do aplicativo e da abundância de opções de
serviços que é sempre oferecida pelo CSP. A escalabilidade permite que
você aumente o seu ROI e reduza as despesas, além de adaptar seus
aplicativos para atender a qualquer demanda, independentemente da
escala. Porém, a dívida e a inércia tecnológicas costumam ser um desafio
difícil de superar, exceto se você está criando, integrando e
fornecendo aplicativos para uma empresa ágil.

Ainda assim, CTOs experientes sabem que
esses aplicativos são o “ingrediente secreto” que ajuda as empresas a
transformar radicalmente seus setores e crescer. Por isso, a necessidade
de manter os aplicativos íntegros e em perfeita execução ao gerar
receita supera a inércia. Veja a seguir duas maneiras de resolver a
questão da dívida e da inércia tecnológicas:

  • - Faça uma
    análise de pessoal. Se a sua equipe não tem as habilidades adequadas
    nem meios para continuar aprimorando essas habilidades, talvez seja hora
    de contratar novos profissionais que possam ajudar você a viabilizar os
    aplicativos nativos da nuvem. Tome medidas para investir em suas
    equipes e garantir que as habilidades delas evoluam constantemente para
    atender às necessidades dos aplicativos.  
  • - Reveja
    seus processos. Com a tecnologia herdada, vêm os processos antigos.
    Dessa forma, à medida que as estruturas tecnológicas mudam, todo o ciclo
    de vida do aplicativo é alterado, e novos métodos e etapas evoluem para
    acompanhar essas mudanças. Elabore um plano para avaliar os processos
    com frequência e verificar se eles ainda atendem aos seus requisitos.

Quais são os prós da criação de aplicativos nativos da nuvem?
O principal benefício de um aplicativo
nativo da nuvem é causar um impacto positivo nos resultados da empresa
por meio de sua disponibilidade, agilidade e escalabilidade. Por
exemplo, um aplicativo local monolítico poderá ter um impacto negativo
se for insuficiente por algum motivo, como altas latências, ciclos de
versão e atualização lentos e qualquer tempo de inatividade para
manutenção, atualização ou problemas. Por ser monolítico, qualquer
alteração no código do aplicativo, incluindo novos recursos e
atualizações e integração com infraestrutura, afetará seu consumo para
os usuários finais e terá definitivamente um impacto negativo sobre os
resultados. Quando ele é transformado em um aplicativo nativo da nuvem,
você pode projetá-lo como microsserviços executados em contêineres
efêmeros, o que aumenta a agilidade, já que atualizações e versões podem
ser feitas sem desativar o aplicativo em execução.

Em outras palavras,
isso significa que a manutenção ou a atualização de um microsserviço não
afeta a eficiência de geração de receita do aplicativo nativo da nuvem.
Esse aspecto da abordagem nativa da nuvem fornece integração e entrega
contínuas. Você não precisa mais planejar uma janela de manutenção de
seis meses. As lógicas nativas da nuvem permitem eliminar o ciclo de
vida do aplicativo empresarial tradicional e assumir um ciclo rápido de
teste e implantação, no qual é possível realizar prontamente testes de
controle de qualidade, identificar bugs e solucionar problemas
pendentes.

Além disso, o cumprimento dos princípios de
criação das práticas recomendadas na arquitetura do aplicativo
distribuído ajuda a proteger contra tempo de inatividade, mesmo que uma
região inteira tenha que ser desativada, já que as práticas recomendadas
de disponibilidade não contam com um único ponto de falha, o que inclui
uma região do CSP. No fim das contas, o desempenho e a integridade do
aplicativo podem ser mantidos pela abordagem nativa da nuvem em relação
aos aplicativos.

Os CSPs facilitaram ainda mais as vantagens
de ser nativo da nuvem, pois estão sempre lançando atualizações de
serviços e novos serviços, conforme descrito nas atualizações de
serviços mensais deles. Se você ler os detalhes, poderá se surpreender
com a quantidade de serviços que foram corrigidos ou atualizados sem
nenhuma interrupção em seu aplicativo. Esse é o ideal do consumo sem
atrito.

Quais são os contras?
Onde há prós, quase sempre há contras. O uso
dos serviços de nuvem pode trazer benefícios à sua organização, mas
você precisa se lembrar de que é necessário um conhecimento realístico
das vantagens que sua organização pode ter. Antes de adotar a nuvem,
considere se a sua organização tem a competência interna necessária para
criar aplicativos nativos da nuvem e aproveitar totalmente os
benefícios. Do mesmo modo, considere se os CSPs poderão fornecer a você
os serviços que lhe permitirão realmente destacar a inovação do seu
aplicativo e ganhar credibilidade em sua base de clientes e usuários
finais.

Há muitos fornecedores, plataformas e até
tecnologias, portanto faça uma pesquisa e familiarize-se profundamente
com as necessidades de sua organização e os requisitos do aplicativo
para evitar restringir-se a um único fornecedor. Em outras palavras,
depois que seu aplicativo estiver restrito à AWS, será necessário muito
trabalho para migrá-lo para o Azure, e é por isso que você precisa ter
certeza de suas necessidades. A mobilidade entre nuvens ainda é um
desafio. Nenhum fornecedor deseja que você saia do ecossistema deles
para o de um concorrente.

Outra desvantagem de usar aplicativos
nativos da nuvem é o controle reduzido sobre as personalizações. Pela
natureza específica da nuvem, a AWS e o Azure controlam seus próprios
ambientes e os serviços que fornecem, assim eles podem remover ou
atualizar serviços, aumentar taxas ou forçar atualizações conforme
desejarem.

Por fim, os recursos de monitoramento e
solução de problemas oferecidos pelos fornecedores podem não ser
suficientes para ajudar você a encontrar o ponto único da verdade
necessário para resolver problemas em seu aplicativo. A razão disso é
que os conjuntos de ferramentas usados para monitorar seus aplicativos
nativos da nuvem e os diversos serviços do CSP não são adaptados e
consolidados como os conjuntos de ferramentas de monitoramento de ponta a
ponta tradicionais.

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Amplie as habilidades para o mundo nativo da nuvem
Ao passo que as habilidades em solução de
problemas adquirem mais importância, não é preciso dizer que o motivo de
você migrar para a nuvem é tornar-se altamente disponível, permitir a
expansão e aumentar a agilidade. Por essas razões, a automação e a
orquestração são habilidades essenciais que precisam ser aprimoradas
para aproveitar todas as vantagens da migração dos aplicativos para a
nuvem.

Além disso, seu conhecimento e experiência em monitorar com disciplina um ambiente de TI híbrida
servirão como uma forte base para o método nativo da nuvem. As técnicas
de monitoramento usadas em máquinas virtuais, servidores, armazenamento
e redes (também conhecidas como operações de TI) são um conhecimento
que pode ser aproveitado nas novas estruturas tecnológicas, como
serviços de nuvem, microsserviços, contêineres e Funções como serviço.
As plataformas nativas da nuvem são desenvolvidas com base em recursos
de commodity escalonáveis em uma arquitetura distribuída de hiperescala
para sustentar o ambiente de vários locatários, portanto use a
estrutura DART/SOAR para obter visibilidade e manter a integridade e o desempenho ideais de seus aplicativos nativos da nuvem.

Práticas recomendadas
À medida que mais organizações migram para
aplicativos nativos da nuvem, você precisará de mais habilidades. Porém,
há algumas práticas recomendadas adicionais que podem facilitar a
transição e direcionar você para o sucesso:

Adote o princípio KISS. Keep It Stupid
Simple ("simplifique ao extremo", em tradução livre). Os serviços
oferecidos pelos provedores de tecnologia estão em constante evolução. O
que a AWS ofereceu no ano passado pode não ser que ela oferece este
ano. À medida que você integra e fornece seu aplicativo, lembre-se de
mantê-lo simples e acabar com aquelas camadas complexas.

Estabeleça suas linhas de base e consulte as
tendências. Alguns CTOs e CIOs não têm certeza de que migrar para a
nuvem melhorou o desempenho de seus negócios. Ao usar um conjunto de
ferramentas de monitoramento de ponta a ponta, você pode primeiro
estabelecer as linhas de base e consultar as tendências de desempenho e
integridade de seu aplicativo. Só com o suporte dos dados será possível
afirmar, com toda a certeza, se a nuvem ajudou a aumentar ou perder a
eficiência e identificar os motivos que levaram você a chegar a uma
dessas duas situações.

Confie, mas verifique. É com base nesse
"modus operandi" que todos os engenheiros devem seguir suas carreiras.
Você pode confiar que os serviços da AWS ou do Azure são fáceis de
consumir e implantar, mas antes de escolher um provedor de serviços,
saiba o que ele tem para oferecer e compare com as reais necessidades de
sua organização. Se, ao longo do tempo, o seu aplicativo nativo da
nuvem perder qualidade de serviço, conformidade ou facilidade de consumo
com os serviços integrados fornecidos pelos CSPs, reavalie se não é
melhor revertê-lo a um aplicativo local.

Conclusão
A migração das empresas para a nuvem está se
tornando cada vez mais aparente, e com ela surgem as oportunidades.
Saiba quais são as habilidades nativas da nuvem necessárias em sua
organização e tome as medidas cabíveis para ampliar seu conhecimento e
sua experiência de nuvem existentes. Aproveite o conjunto de ferramentas
de monitoramento adequado para entender melhor os resultados que a
nuvem pode oferecer à sua organização. Em resumo, os aplicativos nativos
da nuvem permitirão que as organizações trabalhem com transações
comerciais no mesmo nível de escala, agilidade e disponibilidade que a
AWS e o Azure. 

 

(*) Kong Yang é Head Geek da SolarWinds

Artigo originalmente publicado em: https://www.cloudstrategymag.com/blogs/14-the-cloud-strategy-blog/post/86776-living-and-building-in-a-cloud-native-world

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