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Previsões para o Blockchain e os criptoativos em 2019

O que os capitalistas de risco, laboratórios de pesquisa, fundações da indústria e analistas esperam da tecnologia no próximo ano

Lucas Mearian, Computerworld/EUA

21/12/2018 às 16h47

Foto: Shutterstock

Em 2018, o Blockchain foi manchete inúmeras vezes - principalmente por conta do tumultuado mercado de criptomoedas, em que Bitcoin e outros criptoativos perderam até 80% do seu valor. O incidente ameaçou minar a tecnologia DLT - Distributed Ledger Technology, que sustenta o Bitcoin e outras criptomoedas.

Mas, enquanto o Blockchain não passou de provas de conceito amplamente divulgadas e de programas-piloto, o DLT continuou a ser amplamente utilizado em ambientes de produção.

Em 2019 e nos próximos anos, o Blockchain provavelmente evoluirá para incluir maior escalabilidade e segurança, possibilitando aplicações como o voto móvel (como aconteceu no estado da Virginia, nos EUA, em novembro) e o rastreamento da cadeia de suprimentos (como ocorre no transporte marítimo internacional, indústria de alimentos e de diamantes).

Com esse pano de fundo, aqui estão as cinco principais previsões de capitalistas de risco, laboratórios de pesquisa, fundações da indústria e analistas líderes sobre a evolução do Blockchain a partir de 2019.

Wes Levitt, chefe de estratégia da Theta Labs, desenvolvedora de software
Segundo o especialista, a primeira criptomoeda nacional legítima será lançada. E ela vai ser ligada a uma moeda fiduciária de uma nação do G-20. Este ativo digital terá alta demanda por combinar os benefícios de um ativo digital com a estabilidade de uma moeda apoiada pelo governo, o que está se tornando um tema quente nos últimos dois meses.

"A resolução do ano novo de Mark Zuckerberg em 2018, de 'estudar as criptomoedas' irá resultar em algo para os pagamentos no Facebook. A dúvida é se o Facebook usará uma criptomoeda existente ou uma criada pela própria rede social”, diz Levitt.

O executivo acredita ainda que as “guerras” entre plataformas de Blockchain como Ethereum, EOS e Dfinity não terão um vencedor claro. E o desenvolvimento de comunicações entre blockblades transformará esse mercado em um mercado compartilhado.

"Parte do problema é que várias especificações de Blockchain não necessariamente se integra outras. Você não pode ter 500 ilhas diferentes que não interagem. Seria como ter todos esses provedores de serviços de internet diferentes, mas só poder se comunicar com computadores no mesmo ISP. Isso não faz sentido para uma internet nacional ou global”, frisa.

Por fim, sempre houve esses ciclos em torno de hypes. Primerio todo mundo fica louco por Blockchain e criptomoedas e depois todo mundo supera isso e as coisas acalma. É no momento de calmaria que as pessoas  constroem coisas. O palpite do executivo é que veremos menos manchetes na imprensa sobre criptomoedas e Blockchain. Será um ano mais calmo, onde o trabalho real nos bastidores será feito.

Avivah Litan, vice-presidente e analista do Gartner
"Até 2020, a maioria dos Blockchains autorizados será ancorada em Blockchains públicos, usando um dos vários métodos técnicos. Mas sua escalabilidade e eficácia operacional não serão amplamente comprovadas até 2022", disse Litan.

Basicamente, o Blockchain público é muito mais seguro do que o autorizado porque suporta consenso descentralizado. Então, desse ponto de vista, se 10 mil pessoas estiverem participando e validando uma transação, é possível ter certeza de que a transação realmente é o que diz ser, em vez de ter apenas algumas pessoas controlando a rede Blockchain.

Jonathan Johnson, presidente da Medici Ventures e membro do conselho da Overstock.com
Para Johnson, eleições digitais serão amplamente adotadas. Depois de um programa piloto bem-sucedido na Virgínia, que permitiu que os eleitores do exterior votassem de maneira segura nas eleições de novembro, mais estados norte-americanos buscarão enquadrar seus eleitores no exterior.

"Outros estados podem usar o Blockchain para legitimar seus cidadãos votantes foro de seu domicílio eleitoral. Mas, à medida que as pessoas se sentirem à vontade, haverá protestos por parte dos cidadãos votantes. Se eu posso votar no exterior usando a tecnologia, por que não usá-la quando estou no meu domicílio eleitoral”, frisa Johnson.

Dawn Song, CEO do espaço de inovação Oasis Labs
"Enquanto 2018 esteve focado na escalabilidade, 2019 será focado em privacidade: vimos um padrão infeliz e consistente de uso indevido, abuso e ataques de informações confidenciais de usuários”, frisa ele.

"Chegaremos a um ponto de inflexão em 2019, em que os clientes começarão a 'votar com seus dados' e procurarão aplicativos que não violem sua privacidade. Isso impulsionará os avanços nas técnicas de preservação de privacidade para o Blockchain e dará início a uma nova era de aplicativos de privacidade, oferecendo transparência e controle sem precedentes para os usuários e promovendo o desenvolvimento de novos aplicativos baseados em dados que priorizam a privacidade do usuário”, complementa.

Bruce Fenton, fundador e diretor administrativo da Atlantic Financial
"Acredito que a tendência principal será o token de títulos. A combinação do poder de um registro distribuído com títulos mais padronizados abrirá muitas oportunidades de negócio. A privacidade continuará a ser importante. Haverá uma lacuna crescente entre os que possuem tecnologia sólida e aqueles com redes fracas e cativas”, afirma  Fenton.

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