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Por que as grandes empresas de tecnologia estão de olho no open source

Hoje, os benefícios do open source vão além dos custos e da ausência de licença. Incluem principalmente uma maior velocidade na criação e adaptação de produtos e serviços

Gilson Magalhães *

14/08/2018 às 17h09

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A busca progressiva por inovação vem motivando um interesse crescente de empresas estabelecidas no mercado de tecnologia sobre aplicações colaborativas de código aberto, mais conhecidas como open source. Companhias que tipicamente exploram o efeito lock-in, que condena usuários à utilização de uma tecnologia ou software proprietário, estão cada vez mais dispostas a trabalhar com sistemas abertos, que podem ser usados sem o pagamento de licenças, uma característica do open source.

Essa mudança é parte de uma tendência que vem ganhando força, e o último Red Hat Summit, realizado no mês de maio, em São Francisco, é prova dessa mudança. No centro de convenções Moscone, em São Francisco, executivos de grandes empresas dividiram espaço com jovens despojados do Vale do Silício. A mistura de perfis é um fenômeno recente no evento anual organizado pela Red Hat, que contou com cobertura de veículos internacionais e um público de 7 mil pessoas, recorde entre as últimas 14 edições. O evento contou ainda com o apoio de marcas de setores tradicionais da economia como o bancário, o varejista e inclusive o de transporte aéreo.

O interesse renovado das empresas a respeito do código aberto faz parte da transformação digital que vivemos nos últimos anos. O modelo open source começou a ganhar destaque nos anos 90, quando programadores e usuários buscavam a criação de softwares livres em contraposição aos softwares proprietários. Ao contrário dessas aplicações, o desenvolvimento em código aberto promove o licenciamento livre de produtos digitais, que podem ser distribuídos gratuitamente e modificados por terceiros sem consequências legais.

Hoje o conceito foi incorporado pelo mercado e se tornou uma peça-chave na estratégia de fornecedores. Grandes fabricantes de aplicações e sistemas operacionais consagrados passaram de vilãs a aliadas: estão tornando seus sistemas compatíveis com aplicações livres e contribuindo com comunidades open source colaborativas. A mudança de postura é ao mesmo tempo cultural e estratégica no mundo da computação em nuvem. Não podemos esquecer do risco de concorrência colocado por empresas que já oferecem a opção, e permitem que o cliente tenha maior poder de escolha em vez de ficar ‘preso’ a somente um fornecedor.

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Os benefícios do open source vão além dos custos e da ausência de licença, e incluem a possibilidade de suporte e atualização por equipes internas e, principalmente, uma maior velocidade na criação e adaptação de produtos e serviços. Munidas de um conceito tão inovador, as companhias têm a oportunidade de ser mais eficientes e acelerar o ciclo de desenvolvimento de produtos e serviços. Afinal, por que começar do zero se você pode aproveitar códigos já desenvolvidos por outras empresas e indivíduos, atualizados em tempo real pelos maiores profissionais e estudiosos do open source?

(*) Gilson Magalhães é CEO da Red Hat Brasil

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