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Por que a IA está transformando o processo de recrutamento e seleção?

Algoritmos fornecem dados importantes para o recrutador, aumentando a efetividade do processo de contratação

Vagner Santana *

29/01/2019 às 15h50

Foto: Shutterstock

Um dos principais desafios dos gestores é lidar com a alta rotatividade de funcionários. Cada vez que um profissional pede demissão ou é desligado, são meses e meses para que a sua vaga seja preenchida com o perfil adequado. Além de sobrecarregar a equipe, que muitas vezes precisa suprir a falta do colega, as empresas ainda correm o risco de perder uma parte importante da “inteligência do negócio” – já que muitos levam consigo o histórico de suas atividades ou áreas, sem que ocorra um planejamento estratégico da sucessão. E esse não é um problema isolado no mercado. Segundo dados do Ministério do Trabalho, no Brasil, a rotatividade profissional chega a 40%.

Dado o cenário acima, o processo de recrutamento e seleção tem um peso importante na área de Recursos Humanos e deve ser encarado como uma etapa muito estratégica. Para se ter ideia, em um levantamento feito pela Harvard Business Review, 80% do turnover é resultado de contratações equivocadas.

E é aí que a tecnologia se torna fundamental, principalmente se associada aos conceitos de Inteligência Artificial (AI) – capacidade da tecnologia fazer trabalhos recorrentes e focados em resolver problemas a partir de reconhecimentos de padrões e aprendizado baseados no comportamento humano.

Prova disso é que recentemente um grande laboratório farmacêutico brasileiro passou a usar um sistema de reconhecimento facial em entrevistas por vídeo. Durante essa fase, algoritmos permitem que as emoções do candidato sejam mapeadas, fornecendo dados importantes para o recrutador e aumentando a assertividade na continuidade do processo de contratação.

No mercado, já existem softwares capazes de mapear o candidato ideal, cruzando informações fornecidas por eles com os requisitos determinados para vaga. O sistema consegue separar as melhores opções para a análise posterior do profissional responsável. Essa pré-seleção é muito mais barata, assertiva e rápida para a empresa.

A mesma tecnologia permite acompanhar o desempenho dos candidatos durante os processos de entrevistas, testes ou dinâmicas, apontando as melhores características para o cargo determinado.

Como complemento dessa habilidade, muitas empresas empregam ainda soluções de bots, que inclui diversos mecanismos que ajudam na realização dessas buscas e análises robotizadas de informações, soltas em qualquer lugar da internet, como no LinkedIn, ou no próprio site da companhia.

Além disso, há empresas que já contam com robôs para interagirem com os candidatos nas etapas iniciais do processo seletivo. Neste caso, o mecanismo consegue até mesmo avaliar a postura, nervosismo e até mesmo os vícios de linguagens dos candidatos.

Segundo o “Global Recruiting Trends 2018” (Tendências Globais de Recrutamento 2018) do Linkedin, a inteligência artificial foi citada como tendência global, sendo aplicada para realizar a triagem de candidatos (56%) e descobrir novos talentos (58%). Entre os benefícios desse recurso estão a economia de tempo, contratação mais assertiva e redução de despesas com o processo de recrutamento.

O ponto é que ao investir neste tipo de recurso, a área de RH ganha tempo (e braço) para a execução de tarefas estratégias, que visam a retenção de talentos.

A transformação digital já chegou ao RH. É ela que possibilita a inovação na gestão, o primeiro passo para empresas que querem se transformar por completo e gerirem, de fato, o os recursos humanos de suas empresas. Pense nisso.

 

(*) Vagner Santana é diretor de Tecnologia da Apdata

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