Home > Carreira

Por que a filosofia e os negócios devem caminhar juntos?

Escritor dinamarquês Jonathan Løw defende importância das humanidades na solução de desafios globais e criação de oportunidades de negócios

Redação

26/04/2019 às 12h33

Foto: Shutterstock

A antropologia e a filosofia deveriam ter um papel maior nos estudos de negócios? Quando analisadas sob uma perspectiva da educação, há uma clareza de que as humanidades tiveram seu papel reduzido na sociedade. A lógica preponderante é de que as humanidades e seus cursos devem ser adaptados às necessidades do mercado de trabalho, especialmente na era da digitalização, interrupção e mudanças rápidas em nível global, analisa dinamarquês Jonathan Løw, um dos maiores autores do mundo business.

Para o especialista, a visão comum é de que o caminho das humanas seria o “mais longo”, quando deveria ser o contrário. Mas essa é uma verdade absoluta ou um pensamento que precisa de redefinições? Para o autor e empreendedor, as humanidades não devem ser secundárias, mas primárias, na maioria dos cursos de nível superior.

“Como sociedade e como pessoas, também precisamos de conhecimento e pesquisa que não se traduzam imediatamente em empregos e crescimento. Simplesmente porque esse conhecimento e pesquisa são valiosos por si só. Se tudo se torna uma questão de instrumentalismo – a ideia de que uma atividade deve levar a outra –, perderemos algo fundamental para ser humano”, escreveu em artigo para o The Next Web.

Com base em vários fatores, inclusive comerciais, Jonathan Løw defende que disciplinas de humanidades, como filosofia ou antropologia, são tão vitais para o futuro do mercado de trabalho quanto a ciência da computação.

Enquanto é comum ouvir no mundo corporativo o argumento de que o propósito dos negócios é negócios, países da Europa Ocidental têm historicamente buscado o oposto. Como é o caso da Dinamarca, país onde mora o escritor. Ele lembra que a sociedade dinamarquesa desfruta de um alto índice de igualdade e qualidade de vida e acrescenta que nos anos 70 o governo ousou investir em energia sustentável quando ninguém falava disso. A iniciativa, segundo Løw, forneceu uma visão clara para a Dinamarca como nação, mas também impulsionou os negócios.

O projeto deu frutos e resultou em empresas como a maior companhia mundial produtora de turbinas de energia eólica, a Vestas, que emprega mais de 22 mil pessoas, lucrando bilhões para os acionistas e contribuindo para a sociedade.

“A questão, no entanto, não é de que grandes novas empresas devam surgir, mas uma sugestão visionária poderia ser a de que devemos incorporar a antropologia e a filosofia nos estudos de negócios, para que as pessoas ousem fazer as grandes perguntas da vida. Isso daria aos nossos jovens uma apreciação básica de que, embora alguns problemas possam parecer estar no futuro (como a crise climática) ou distantes geograficamente (como problemas de água potável e eletricidade na África e na Ásia), precisamos resolver esses problemas agora. Não no futuro distante”, evidenciou o pensador.

Ele resume: precisamos conhecer as tecnologias do futuro, mas também devemos pensar sobre o que queremos alcançar com elas. E, por isso, torna-se tão valioso e significativo o estudo de disciplinas como antropologia, filosofia e sociologia. Enquanto o sistema educacional tem sido deficiente em propor essas discussões, Løw reconhece um movimento entre jovens que formam entre si redes de disseminação desses conhecimentos.

O norte-americano Peter Diamandis, presidente da Singularity University, afirma que os bilionários do futuro serão as pessoas que resolverão desafios globais de sustentabilidade, uma frase que Løw relaciona não apenas ao mundo dos negócios, mas à filosofia, ética e antropologia.

Nem tudo que que é inovação ou novo é necessariamente bom. “É somente quando olhamos para as coisas do ponto de vista filosófico, antropológico e ético podemos dissecar novos conhecimentos e novas oportunidades, e decidimos ativa e criticamente o que queremos fazer com elas”, destaca. É por isso, segundo ele, que as humanidades devem ter um lugar muito maior em nossa mentalidade no futuro.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail