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Poliana Brandão: Nós nunca pedimos para baixar a régua

Diretora de TI de Digital Solutions da JLL revisa a carreira e aconselha: para entregar a inovação é preciso ter empatia

Carla Matsu

25/11/2019 às 18h34

Foto: Divulgação JLL

Foi durante o curso técnico de informática, quando tinha pouco mais de 15 anos, que Poliana Brandão, hoje diretora de Digital Solutions da JLL, encontrou na tecnologia uma vocação para seguir. Anos mais tarde, viria a se formar em Ciências da Computação na University of East London, na Inglaterra.

A formação em Londres não foi por acaso. Antes de iniciar a faculdade, Poliana tinha buscado a capital inglesa para estudar inglês por um ano. Sentiu-se tão atraída pela cidade que, após voltar para Guarulhos, sua cidade natal, decidiu se empenhar para fazer os quatro anos da graduação na cidade. "Eu me apaixonei pela cidade e tinha interesse de conhecer o novo”, lembra Poliana em entrevista à CIO Brasil.

As primeiras lições de liderança, entretanto, não vieram da área de tecnologia. Para se manter no exterior, Poliana trabalhou em alguns restaurantes. “Eu era treinadora, liderava um grupo de garçons. E uma das dificuldades que eu tinha, pois era muito nova, era cuidar de um grupo de pessoas mais velhas. E aprendi muito com isso”, recorda. Já na biblioteca da universidade onde estudou, conseguiu o primeiro estágio na área, trabalhando no suporte de TI.

De volta ao Brasil, aos 23 anos, Poliana trabalhou na Johnson Controls até iniciar a carreira na JLL. Na multinacional de real estate, onde soma cerca de oito anos, Poliana passou pela área de infraestrutura de TI, tendo assumido a área, até encabeçar hoje a divisão de Digital Solutions como Diretora de TI. No atual cargo executivo, Poliana também herdou como missão um papel mais estratégico para liderar projetos de inovação e digitalização.

Liderança como estratégia

Se no início da carreira, Poliana encontrava na tecnologia um fim para a infraestrutura e suporte, atualmente é na tecnologia que a executiva busca encontrar a arquitetura da inovação. A transição na carreira foi algo natural, mas foi impulsionada por outros cursos formais. Um MBA focado estratégia de negócios e outro dedicado à gestão de pessoas contribuiu para seu mais novo papel de liderança.

Entretanto, Poliana defende que o tato para liderar times é algo que ultrapassa a formação. Reside em ter a sensibilidade de escutar o outro. “O trabalho com equipes e parceiros, eu sempre busquei. Ouvir o que o outro tem a ensinar, ter essa flexibilidade de escutar o outro, acho que sempre foi um ponto de atenção minha”, conta.

Mire-se nos exemplos

Em sua trajetória pela JLL, Poliana lembra da importância de mentores como Washington Botelho, Managing Director para América Latina da companhia, como alguém que que a ensinou a confiar no trabalho de equipes. Quando pergunto sobre representatividade em um mundo dominado pela presença masculina que é o da tecnologia, Poliana diz que não se via refletida em um exemplo de liderança feminina, mas que buscou outras inspirações para trilhar a carreira. "Eu nunca vi um bloqueio por ser negra, mulher, jovem. Sempre foi algo que eu quis fazer. Sempre olhava para grandes empresas, como a Microsoft, Google e Apple, o que me inspirava eram esses líderes dessas empresas e a capacidade de elas se reinventarem para se manter no mercado. Acho que um grande cara que me inspirava era Steve Jobs. Bill Gates", conta. "Não tinha alguém para me espelhar quando tinha 17 anos".

Entretanto, reconhece que a representatividade no setor precisa ser verbalizada. "É preciso falar. As empresas hoje vêm se preparando para isso. Dando essa oportunidade. Mas nós nunca pedimos para baixar a régua", reforça.

Receita para a inovação: tenha empatia

Um dos desafios - e missões - de Poliana em sua atual posição é pensar a inovação como um fator que agrega valor ao negócio da JLL. Inovar, entretanto, requer sensibilidade para coisas, muitas vezes, intangíveis. É preciso, diz Poliana, estar atento às transformações de outras empresas, participar de conferências que discutam o tema, estudar e escutar o cliente.

"Parece clichê. Mas a gente tem de ouvir o usuário. Não adianta inovar por inovar. Precisa entender a dor e como melhorar a experiência do usuário. Acho que isso faz toda a diferença. Um dos pilares do Design Thinking fala sobre empatia. É preciso empatia para conseguir realmente aplicar a inovação. Não basta pensar fora da caixa, testar o diferente, se você não se colocar no lugar do outro", conclui Poliana.

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