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Paulo Palaia voa alto com TI estratégica na Gol

Paulo Palaia, piloto da TI da Gol, liderou a transformação digital que ajudou a reescrever a missão da empresa, um marco em sua carreira

Déborah Oliveira

01/02/2019 às 8h31

Gol Paulo Palaia
Foto: Divulgação

O interesse de Paulo Palaia, CIO da Gol Linhas Aéreas, por tecnologia da informação (TI) começou cedo, na infância, nas aulas de física no colégio. À época, seu professor ensinava a linguagem de programação Basic para executar simulações relacionadas à disciplina de forma rudimentar. A prática estimulou no executivo o desejo de seguir o aprendizado ao ponto de mais tarde tornar-se acadêmico na área. O curso de engenharia mecânica foi concluído com sucesso graças ao salário das aulas.

Logo começou a atuar como programador até virar analista de sistemas. Depois, tornou-se coordenador em uma empresa de seguros e não parou de crescer, até conquistar a cadeira de diretor de tecnologia.

Em maio de 2019, Palaia completa 34 anos de TI, os últimos sete à frente da área de tecnologia da Gol. Sua chegada, lembra ele, culminou na virada de chave para uma TI altamente estratégica, que impulsiona os resultados dos negócios. Uma mudança crucial para uma empresa que acaba de completar 18 anos de vida e que migrou com sucesso da era analógica para a digital.

Palaia lembra com orgulho das suas conquistas como piloto da TI da Gol. Projetos como o aplicativo da companhia, que integra recursos de geolocalização para que o passageiro não perca a hora do voo considerando o tempo no trânsito, o tablet com informações estratégicas nas mãos dos tripulantes, e o quiosque de atendimento com balança são apenas alguns dos exemplos.

O que eles têm em comum? A missão de facilitar a vida de clientes e encantá-los. Todos os anos, a Gol transporta 35 milhões de clientes e o digital é fundamental para garantir a melhor experiência. Foi com essa visão que surgiu em julho de 2018 o Gol Labs, divisão da Gol voltada para inovação, que também está sob a liderança de Palaia. É uma startup dentro de uma gigante, que busca acelerar iniciativas diferenciadas.

Para se ter uma ideia, a combinação de diversos projetos com essa finalidade aumentou mais do que duas vezes a fidelidade dos clientes da empresa. “A Gol deu asas a TI para que colocássemos o cliente no centro e construíssemos toda a operação em volta.”

Mas nem tudo foram flores, recorda. Uma das grandes turbulências da sua carreira na Gol aconteceu no dia 22 de outubro de 2012, quando a companhia apresentou falhas em seu sistema de check-in e provocou um colapso na malha viária, uma lembrança que ainda está viva em Palaia.

“Tudo o que fazemos depende de sistemas. O check-in, passar pela segurança, pelo portão de embarque, plano de voo etc. Tudo precisa funcionar de forma perfeita, caso contrário o avião não decola e outras aeronaves não podem pousar porque não têm aquele slot disponível. Uma falha provoca um efeito dominó. Mas conseguimos superar e até virar referência para outras empresas”, contou.

A Delta, parceiro estratégico da Gol, é um exemplo. A empresa promove um intercâmbio de talentos e em uma dessas iniciativas, a TI da companhia norte-americana surpreendeu-se com o nível de redundância da TI da Gol. “Se a redundância falha, temos contingência. Nossa disponibilidade é de 99,997%, um índice altíssimo se considerarmos nossa complexidade e quantidade de sistemas.”

Liderando a Transformação Digital
Nos últimos três anos, a Gol executou um grande projeto de transformação cultural, em linha com o fortalecimento da sua Transformação Digital. Esse foi, segundo Palaia, um grande marco em sua carreira. “Foi um momento oportuno para mim e todos do meu time reverem conceitos”, refletiu.

Foram três anos de trabalho intenso com todos os 15 mil colaboradores da Gol para reescrever a missão, visão e valores da empresa. Com base nessa nova era, a TI decidiu também rever suas práticas e questionar se tudo o que era feito antes fazia sentido nessa fase. “Estamos revisitando temas como cloud, por exemplo. Será que podemos levar mais informações para a nuvem?”, questionou.

Nessa jornada, Palaia também tem incentivado que o conselho o questione. “Depois de muitos anos na empresa é natural caminhar para cair em uma zona de conforto. Precisamos de questionamentos para que isso não aconteça.”

Aprendizados
Workaholic assumido, Palaia indica que sua jornada também é pautada por grandes aprendizados. Um deles, revelou, foi o respeito ao limite das pessoas. “Eu trabalho aos finais de semana, por exemplo. Mas passei a entender o limite do time. Não posso exigir o mesmo deles”, reconheceu.

Mas esse está longe de ser um fardo para sua equipe, que reconhece em Palaia um líder nato. “Em novembro do ano passado, recebi uma homenagem do meu time e isso me marcou. Eles fizeram um vídeo com depoimentos de pessoas que trabalhavam comigo e a unanimidade foi de que sou um visionário”, orgulhou-se o executivo, que ostenta em sua estante 34 prêmios durante sua trajetória profissional. E é justamente esse o legado que ele quer deixar para os seus liderados. “Busco engajar sempre o time e conectá-los aos negócios, em um ambiente genuinamente inovador”, contou.

Missão: revolver problemas

Palaia conta que não se considera um empreendedor, mas um solucionador de problemas. E é com esse espírito que ele tem engajado o time para transformar a Gol em uma empresa de TI. “O Kaki (Paulo Sérgio Kakinoff, presidente da Gol), diz que em breve seremos uma companhia de TI que tem aviões. Estamos voando nessa direção”, adiantou ele.

Um projeto do qual ele quer se tornar referência no setor. “Estamos trabalhando de forma transversal para atingir esse objetivo, envolvendo diversas áreas como Operações, Financeiro e Marketing. É uma transformação da TI, mas acima de tudo uma mudança cultural”, finalizou.

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