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Os piores vícios da TI (e como curá-los)

Você é um maníaco por controle? Um viciado em dados? Um viciado em infraestrutura? Seus vícios de tecnologia podem estar prejudicando sua empresa

Dan Tynan, CIO/EUA

07/12/2018 às 13h56

Foto: Shutterstock

Todo mundo tem maus hábitos, mas às vezes eles podem se transformar em compulsões.

Embora o vício em tecnologia seja uma coisa real, especialmente para os adolescentes , os profissionais de TI têm seus próprios hábitos, pouco ou nada saudáveis.

Seja você um viciado em infraestrutura ou o mandão do Slack, maníaco por dados ou pelas luzes piscantes no painel do centro de operações de rede, seus vícios tecnológicos podem matar a produtividade, enfraquecer os orçamentos e paralisar a inovação.

A incapacidade de abandonar o controle pode levar a silos tecnológicos e guerras territoriais. A dependência excessiva da Inteligência Artificial pode realmente prejudicar e não ajudar sua empresa. E embora todos adorem novos brinquedos brilhantes, eles podem não ser a solução mais econômica para sua organização.

O primeiro passo no caminho para a recuperação é admitir que você tem um problema.

O passo seguinte é ler nossas receitas de como se livrar dos seus vícios e ficar limpo novamente.

1: Obsessão por dados
Como os dados impulsionam quase todas as decisões de negócios, é fácil entender por que o apetite da empresa por ele é insaciável. Mas coletar dados apenas porque você pode, sem um plano de como usá-los efetivamente, pode ser ruim.

De acordo com pesquisas realizadas pela Square Root, os funcionários gastam mais de 20 horas por semana coletando e analisando dados, mas mais de 40% das organizações não estão colocando esses dados em uso.

"As organizações sofrem de paralisia de análise", diz Sarah Kampman, vice-presidente de produto da Square Root, cuja plataforma CoEfficient SaaS ajuda varejistas e marcas automotivas a entender seus dados. "A informação não está se traduzindo em mudanças comportamentais que impulsionem o sucesso."

Em vez de se concentrar em Big Data, as empresas fariam melhor em olhar para os dados que são mais relevantes para sua missão. Kampman diz que começa com uma única fonte relevante que cada parte da organização pode usar.

"Coletar seus dados corporativos e armazená-lo em uma lagoa de vários petabytes não transformará sua organização em uma empresa de mineração de dados enxuta, com alto desempenho", concorda Mike Meikle, sócio da SecureHIM, uma empresa de consultoria especializada em gerenciamento e segurança de informações de saúde. "Os dados são valiosos, sim, mas saber o que manter, como usá-los e quem os gerencia é crítico".

A cura: você não precisa se preocupar ter nuitos dados, mas precisa ser mais seletivo sobre o que faz com eles. Identifique dados que são realmente críticos para as decisões de negócios e descarte o que você não precisa, diz Meikle.

2: Paixão por Inteligência Artificial
Como o Big Data, a Inteligência Artificial e o Machine Learning são palavras-chave do momento. O raciocínio é o seguinte: você coleta um enorme conjunto de dados, executa-os em alguns modelos de Machine Learning e obtém insights imediatos.

Bem, não exatamente. Apesar do que você pode ter lido, a IA não é a solução para todos os problemas, observa Cristian Rennella, co-fundador e CIO da oMhorhorTrato, um mercado de serviços financeiros baseado no Brasil.

Depois de nove anos fazendo seu departamento de RH responder às perguntas dos funcionários por meio de bate-papo ao vivo e telefonemas, ele começou a desenvolver seu próprio chatbot baseado em IA, usando a plataforma TensorFlow, do Google.

Foi um grande sucesso, diz Rennella. A empresa conseguiu automatizar as respostas para 67% de todas as perguntas e melhorou a produtividade dos funcionários em 24%. O chatbot provou ser igualmente útil para automatizar as consultas de vendas.

Mas quando eles tentaram aplicar IA ao marketing, foi um desastre, diz ele. A IA não conseguiu segmentar facilmente a base de clientes da empresa e as conversões foram 35% menores.

"Aprendemos que nem tudo pode ser otimizado com IA", diz ele. "Nunca conseguimos alcançar o mesmo nível de sucesso que tivemos com relacionamentos pessoa-a-pessoa".

A cura: antes de mergulhar em soluções de Inteligência Artificial, execute pequenos pilotos primeiro para ver o quão bem sucedido ele será para cada caso de uso, diz Rennella.

3: Mania de infraestrutura
Muitos CIOs que passaram a maior parte de suas carreiras gerenciando data centers e as pessoas que os administram geralmente não conseguem abrir mão do modelo. Para eles, a infraestrutura é literalmente viciante, diz Chandra Sekar, vice-presidente de marketing da Avi Networks, uma plataforma de entrega de aplicativos baseada em nuvem.

Sekar, que se considera um "engenheiro em recuperação", diz que superou seu vício quando começou a trabalhar para empresas que adotaram a computação em nuvem.

"A migração para a nuvem é uma das maiores tendências da TI corporativa, mas nem todos os profissionais de TI conseguiram se livrar de seu vício em hardware", diz ele. "Manter uma visão centrada em hardware em vez de uma centrada na aplicação retarda a capacidade da empresa inovar e prosperar".

A cura: pense mais deliberadamente sobre quais aplicativos e serviços realmente precisam estar on-premise e coloque o restante na nuvem. Isso liberará os CIOs para pensarem mais estrategicamente sobre os negócios, diz Doug Bordonaro, principal evangelista de dados da ThoughtSpot.

"Os CIOs gastam muito tempo em infraestrutura e não têm tempo suficiente para proteger os negócios do futuro", diz ele. "Eles precisam deixar de lidar tanto com a infraestrutura e gastar mais tempo investindo e monetizando programas de dados, ou equipando a equipe com habilidades de ponta".

4: Atração pelo  Slack
De todas as ferramentas de comunicação empresarial em tempo real e always-on, o Slack encontrou um nicho específico no mundo da tecnologia. O problema é que as organizações podem se tornar tão dependentes da ferramenta de bate-papo que ela se torna a forma dominante de comunicação. As pessoas acabam gastando mais tempo slacking do que trabalhando.

Dave Teare, co-fundador e CTO da AgileBits, criadores do 1Password, sabe disso muito bem. Dois anos atrás, ele escreveu um post no blog de sua empresa sobre como sua crescente dependência do Slack se tornara mais prejudicial do que útil.

"Lentamente, mas com certeza, esse vício está matando minha sanidade e minando nossa produtividade, já que simplesmente usamos o Slack para muitas coisas", escreveu ele.

Quando a AgileBits começou a usar o Slack, todo mundo adorou. Em pouco tempo, os 60 funcionários da empresa haviam criado 81 canais públicos do Slack. Sempre que os funcionários tinham alguma dúvida, o Slack era o primeiro lugar aonde iam, mesmo quando havia opções melhores, como wikis internos e bases de conhecimento.

Porém, quanto mais conversas surgiam, menos provável se tornava a possibilidade de ter uma discussão detalhada e aprofundada sobre qualquer coisa.

"O fato é que estar conectado não permite que você, magicamente, venha ter uma comunicação eficaz", escreveu Teare.

Teare diz que se viu tentando desesperadamente acompanhar todas as conversas de Slack que estavam ocorrendo em sua companhia e se tornando mais brusco em suas respostas, antes de finalmente decidir dar um tempo.

Quando retornou ao Slack, algumas semanas depois, estabeleceu novas regras: manter os canais mais focados, convidar menos membros da equipe para cada discussão e usá-los apenas para bate-papos efêmeros. Quando uma discussão precisa ser salva ou arquivada, a AgileBits usa outras ferramentas, como o Workplace.

"As pessoas perdem a capacidade de se comunicar adequadamente quando confiam em qualquer tipo de tecnologia como único meio de comunicação", diz Jimmy Carroll, sócio e diretor da TetraVX, que faz tecnologia de comunicação e colaboração. "As coisas demoram mais para serem realizadas."

A cura: crie regras sobre o uso do Slack e outras formas de comunicação corporativa. Por exemplo, incentive os funcionários a usar o bate-papo por vídeo para resolver problemas ou solicite que eles atendam o telefone e falem se uma sequência de e-mails continua além de um punhado de mensagens de ida e volta, diz Carroll.

"Mas isso tem que vir de cima para baixo", diz ele. "Você precisa estabelecer procedimentos para proteger seus funcionários de si mesmos."

5: Adoração por controle
À medida que mais empresas evoluem para organizações digitais, alguns profissionais de TI se movem instintivamente para proteger seu território, acumulando conhecimento e estabelecendo mini-feudos. Eles são viciados em ter controle sobre seus domínios de especialização.

Você sabe que tem um problema quando a área de informática começa a se assemelhar a um reino de Game of Thrones, diz Meikle.

"Cada gerente luta pelo controle de sua área, rapidamente despachando inimigos que fazem perguntas sobre sistemas críticos", diz ele. "Sua equipe zelosamente protege o acesso e o conhecimento de seu feudo. Orçamentos, processos, níveis de pessoal são todos opacos e você reclama sobre como os clientes corporativos são idiotas."

O surgimento de novos executivos da diretoria executiva , como Chief Digital Officer, Chief Experience Officer, ou Chief Marketing Technology Officer, cria um potencial ainda maior para guerras territoriais, já que cada um espera obter suas próprias peças do bolo tecnológico.

Todos os que cuidam de suas próprias agendas são uma receita para o desastre, diz Scott Kitlinski, CIO e vice-presidente de serviços gerenciados da Astadia, uma consultoria em nuvem.

"Todos desempenham papéis diferentes que devem se encaixar com alguma sinergia", diz ele. "Eles estão em melhores condições de se unir, e cujo orçamento acaba em um ponto discutível. É realmente sobre quem vai desempenhar o papel de gastar esses dólares no interesse da organização."

A cura: desista da ilusão de controle e abrace o compartilhamento e a transparência, diz Meikle.

"Você precisa passar do conhecimento acumulado para o compartilhado", diz ele. "Recompense sua equipe por compartilhar informações e ajudar os outros. Implemente processos para criar transparência no funcionamento do departamento de TI."

6: Fascinação por luzes piscando
A ciência tem mostrado que toda vez que seu telefone toca, um pequeno choque de dopamina passa pelo seu cérebro. As notificações são igualmente viciantes para os técnicos atentosanos painéis, aguardando ansiosamente a próxima luz piscando.

"Todos nós temos algo que verificamos compulsivamente", diz Leon Adato, chefe da SolarWinds, fabricante de software de gerenciamento de infraestrutura. "Pode ser o painel do NOC, pode ser o rastreador de desempenho para o seu sistema 'baby', pode ser uma estatística da nuvem. Para muitos, é o painel de monitoramento."

Notificações aleatórias constantes roubam sua atenção, esgotando sua capacidade de realizar um trabalho de forma produtiva, diz Prince Ghuman, professor de Neuro Marketing, Comunicação e Empreendedorismo da Hult International Business School.

"Temos uma atenção limitada, e nossa força de vontade também é limitada", diz Ghuman, co-autor de um livro sobre dependência digital. "Toda vez que você cede a uma notificação, sua força de vontade se esgota. Se você esgotar essa força de vontade no início do dia, é mais provável que você tome decisões piores no fim do dia."

Você sabe que é viciado em notificações quando percebe que elas estão impedindo seu trabalho, diz Adato. Se você se sentir culpado por quanto tempo você passa obcecado por painéis, isso é um sinal claro.

A cura: profissionais de TI precisam ser mais disciplinados sobre como gastam seu tempo, diz Adato. Use ferramentas que permitam identificar e filtrar notificações importantes do restante e defina limites para o tempo que você gasta verificando as telas em vez de fazer o seu trabalho.

7: Encantamento por novidades tecnológicas
Todo mundo adora brinquedos novos. Mas quando isso resulta em armários cheios de hardware e licenças não utilizadas para o software, você tem um problema.

"Há uma bela fixação que todos nós temos com o que chamo de síndrome da bola saltitante", diz Ingrid Lindberg, fundadora da Chief Customer, uma empresa de marketing de experiência do cliente. "O que precisamos construir a seguir? O que precisamos fazer a seguir? O que precisamos vender em seguida? E descobri que o que tem maior impacto para os clientes é se você está realmente apenas cumprindo o básico ou facilitando as coisas".

O hardware ou software mais recente não é uma panacéia para resolver seus problemas de TI mais críticos, observa Meikle.

"Lembra-se do triângulo comercial - pessoas, processos e tecnologia? As pessoas e o processo são igualmente importantes, se não mais, do que todo o hardware e software do seu arsenal", diz ele.

A cura: Em vez de comprar o último brinquedo brilhante, Meikle sugere pegar o dinheiro e aplicá-lo no treinamento das pessoas que trabalham para você. Construa uma equipe para gerenciar seus projetos. E certifique-se de que haja uma justificativa comercial clara para cada compra importante.

"Quando você não sabe a justificativa comercial para gastar dólares em um ativo de TI, então você precisa se afastar das novidades e voltar ao básico."

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