Home > Tendências

Os meios de pagamento tradicionais estão próximos do fim?

A virtualização de pagamentos já é remissa no comércio em geral, e aquilo que já se tornara recorrente no comércio eletrônico passa a ser uma demanda essencial para toda e qualquer transação comercial

Gastão Mattos *

31/03/2017 às 7h38

meiosdepagamento.jpg
Foto:

Muito
se fala da chegada de novos meios de pagamento e da possível extinção
dos sistemas tradicionais para este fim. Isso ocorre, principalmente,
devido às novas necessidades dos usuários, cada vez mais exigentes,
requerendo melhores experiências e mais facilidade nos processos de
compra.

Recentemente,
estive em uma drogaria moderna em um bairro nobre da capital paulista. A
loja oferecia opções bastante objetivas para selecionar os produtos
desejados, com boa iluminação, prateleiras bem distribuídas, ótimo
atendimento e funcionamento 24 horas. Entretanto, na hora de pagar, este
caráter ágil se perdia: fila única, três pessoas na frente e cinco
minutos de espera que pareceram meia hora. Quando finalmente sou
atendido no caixa, preciso informar o número do CPF, dizer se desejo
Nota Fiscal Paulista, se tenho programa de fidelidade do estabelecimento
ou convênio médico e esperar mais um tempo para que, então, possa
inserir o cartão de crédito no terminal de vendas. E ainda preciso
aguardar a indicação para digitar a senha para finalmente a compra ser
aprovada, para depois esperar a impressão da nota fiscal e do
comprovante de pagamento do cartão para finalizar a transação.

Em uma outra situação, durante o check-in na World Disney Resorts, em Orlando, minha família e eu recebemos uma Magic Band
(pulseira Disney) personalizada para cada um, a partir da qual
poderíamos pagar qualquer produto ou serviços nos parques e resorts
Disney. A plataforma Disney associa o cartão de crédito usado na
reserva, como meio de pagamento virtual para todas as compras da
família. Por segurança, uma senha de 4 dígitos é definida para todos. Na
hora das compras, basta aproximar a pulseira em um dispositivo situado
em todos os caixas para que a pessoa seja identificada. Para concluir a
transação, basta digitar a senha pré-cadastrada e o valor é lançado na
conta para ser debitada no cartão já salvo no sistema. A facilidade
seria melhor percebida se o consumo no parque não contasse com filas
enormes para a compra de qualquer produto ou serviço. Mesmo estando em
um momento de descontração em família, a impressão foi que a experiência
na drogaria em São Paulo sem a 'Magic Band' foi rápida.

A
forma de vender evoluiu muito, mas em velocidade muito aquém do que a
tecnologia poderia agregar com novos elementos e funcionalidades. O
consumidor tem uma altíssima expectativa nesta vivência e grande parte
deste nível de exigência é derivado do alto padrão tecnológico das
compras online, no qual com "1 clique" é possível ultrapassar com
sucesso o check-out de pagamento o que não ocorre no mundo físico.
Embora, neste universo seja possível agregar tecnologias embarcadas em
soluções integradas, que tornariam a usabilidade do pagamento mais
rápida e agradável, como no caso do pagamento virtualizado. Entretanto,
esta solução pode e deve ser mais explorada no ambiente físico,
agregando outras funcionalidades que tornem a experiência de compras
mais próxima do ambiente digital, reduzindo também a espera com a
aquisição de serviços e produtos, fazendo com que a compra se torne mais
ágil, agradável e simples.

Talvez
pareça tanto apocalíptico, principalmente no Brasil, determinar que o
uso do cartão de crédito comum, por exemplo, esteja com os dias
contados, como outras tantas tecnologias que evoluíram ou foram
substituídas por sucessores mais eficientes, mas modernizar a
experiência de pagamentos é uma necessidade que pode implicar na
continuidade ou não de um negócio. Tomemos o exemplo de um restaurante
fast food, que normalmente é localizado em centros de grande
aglomeração, como shoppings centers. Na hora do almoço, “chovem”
consumidores buscando opções para sua refeição. Se a fila for muito
longa, sempre haverá um concorrente oferecendo algo equivalente e,
então, a decisão de compra, passa a ser influenciada menos pelo produto e
mais pela comodidade.

fila

Uma pesquisa realizada pela Salesforce, intitulada 2016 Connected Shoppers Report
aponta que 77% dos consumidores evitaram lojas físicas nas compras de
fim de ano, preferindo o uso do comércio eletrônico. Dos aproximadamente
4 mil consumidores entrevistados, 58% afirmaram que o motivo era o
grande número de pessoas nas lojas. 33% desejavam evitar
congestionamentos e 29% optaram pelas compras online devido à
conveniência.

Em
pouco mais de 20 anos da história do comércio eletrônico, tecnologias e
conhecimento foram desenvolvidos e acumulados, tornando sua aplicação
uma fonte e vertente para as compras no ambiente físico. As implicações
são muitas, desde a unificação da gestão tecnológica entre canais on e
off, como o domínio das expertises e técnicas online sobre o offline.

A
chamada "Virtualização de Pagamentos" vira premissa no comércio em
geral, e aquilo que já se tornara recorrente no comércio eletrônico
passa a ser uma demanda essencial para toda e qualquer transação
comercial.

Seria
o fim dos meios de pagamentos tradicionais? Talvez não, de fato.
Contudo, é imperativa uma transformação acelerada, nas quais novos
protagonistas podem aparecer e ameaçar antigas referências, satisfazendo
com mais eficácia as necessidades dos consumidores, independentemente
de seu posicionamento na cadeia do varejo. Mais facilidades criam novas
necessidades e é fundamental estar atento a este movimento a fim de
acompanhar a evolução do mercado, trazendo inovações que modernizem todo
o processo de compras, seja no mundo virtual ou físico.

 

 

(*) Gastão Mattos é CEO da Braspag, empresa do grupo Cielo

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail