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Os CIOs estão perdendo importância?

Pesquisa aponta que alguns CIOs estão deixando de se reportar diretamente ao CEO. Leia quais os caminhos que podem te levar a regredir

Network World (EUA)

15/04/2008 às 16h44

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Um recente estudo internacional descobriu que poucos CIOs estão reportando diretamente ao CEO. Ao invés, eles estão cada vez mais respondendo a executivos menos estratégicos, tal como o chief operating officer ou o chief financial officer.

Os CIOs do baby boom estão se aposentando e sendo substituídos por sucessores mais distantes do negócio e mais baratos. As preocupações regulatórias estão devorando o orçamento e o tempo da TI, enquanto crescentes terceirizações e automatizações estão mudando a forma como o negócio vê a TI. E nem sempre de uma boa forma.

Juntas, essas tendências não parecem combinar bem com os CIOs de hoje e com a influência que têm na área do negócio. Mas qual é a realidade? Quando os CEOs e presidentes das companhias e os demais diretores do board pensam em seus CIOs, eles pensam em inovação? Pensam em vantagens competitivas? Ou em alguém que mantém a TI funcionando?

Enquanto pesquisas como a da Sim estão problematizando a questão, muitos especialistas dizem que os CIOs estão ganhando influência.

“Não estou preocupado – bem, não muito preocupado,” diz Jerry Lofton, vice-presidente da SIM International e co-autor do estudo. “Se víssemos uma tendência continua talvez fosse um indicador importante. Mas outros estudos, tal como aqueles sobre os recursos de TI, mostram crescimento da figura do CIO".

De fato, os gastos estão em uma curva crescente, sendo que os gastos de TI nos Estados Unidos foram elevados em 5%, em comparação com os 4,1% de 2006, e 2,5% de aumento em 2005, de acordo com a pesquisa da Computer Economics. E outros dados parecem contrariar o resultado do levantamento da SIM. “Vemos exatamente o oposto,” diz Hervey Koeppel, diretor executivo do Centro para Liderança de CIOs em Nova Iorque. “Os CIOs realmente estão encontrando o caminho para sentar e falar à mesa e estar realmente envolvido na criação da estratégia do negócio e se tornando parceiro dele em conjunto com os demais C-level.”

De fato, na pesquisa conduzida pela IBM em julho passado, 80% dos 175 CIOs entrevistados se consideraram membros valiosos da equipe de líderes executivos, sendo que 69% indicam envolvimento significativo nas tomadas de decisões estratégicas.

O outro lado do CIO

Então, o que está por traz dos números dessa pesquisa? O papel do CIO está mudando, e onde ele termina depende de uma variedade grande de fatores, incluindo o tipo de negócio da organização, a estabilidade do portfólio de tecnologia e,  especialmente, da experiência e conhecimento do CIO.

“O papel do CIO está em uma encruzilhada,” diz Keoppel. “Os CIOs estão em um lugar onde podem começar a fazer escolhas enquanto desenvolvem seu conhecimento de negócio e habilidades de liderança que podem posicioná-los como parceiros estratégicos do negócio com voz e assento na mesa. Ou a alternativa, que é se tornar cada vez mais técnico e operacional, cujo foco é mais manter tudo correndo bem e reduzir as despesas. Ambos estão no jogo.”

Koeppel e outros dizem que as pesquisas recentes mostram que as tendências puxam o CIO para uma categoria menos ligado às mudanças de negócio e com um papel mais operacional. Uma corrente a qual têm que resistir porque apesar de o lado operacional de TI ser importante, não é o objetivo final.

Um exemplo dessa tendência está em grandes corporações que crescem através de fusões e aquisições: enquanto as empresas fundem, cada uma com seu CIO, os diretores da área reportam a executivos de negócio de linha, uma situação que poderia ajudar a explicar os dados da SIM.

Além disso, “grandes companhias que cresceram desse modo tendem a conter aplicações múltiplas para o mesmo processo de negócio, ou pode ocorrer a proliferação de data centers que ainda não foram consolidados,” diz Koeppel. “Para essas firmas, integração é sempre uma prioridade imediata. Mas uma vez que a aquisição é completada, com freqüência a integração não é finalizada. E isso deixa para traz uma multiplicidade de plataformas que se tornam muito mais difíceis e caras de manter. Nesses ambientes, a tendência é gastar os dólares no negócio, mantendo a TI apenas em funcionamento e poupando dinheiro todos os anos.” E isso pode acabar com a influência de um CIO.

Os CIOs têm um tipo de sentimento semelhante no que diz respeito a requerimentos regulatórios, outro fator que pode afetar o relatório. “O CEO pode sentir que o CIO precisa de uma relação mais próxima, por exemplo, tanto com o CFO ou COO, especialmente se têm que passar pelo Sarbane-Oxley, HIPAA e outras mudanças regulatórias,” diz Lofton da SIM.

Porque cada uma dessas iniciativas tipo tornou-se um dreno no tempo e orçamento da TI, o CIO geralmente tornou-se muito bom em lidar com auditores, mas menos adepto ao cenário de inovação da TI.

Outra influência é a tendência de terceirização e automação e novas ferramentas como serviços gerenciados e software como serviço. No final, o ambiente de TI que faz melhor uso dessas ferramentas tornam-se mais estáveis, menos custosos e mais fáceis de manter,

“Nesse ponto, problemas podem aparecer,”diz Josh Hinkle, gerente de redes e segurança da American Heart Association. “Quando a TI está focada no que podemos fazer para gerenciar nossa rede ou nossos servidores melhor é ótimo. Mas, algumas vezes, as pessoas começam a pensar em como vamos fazer menos, ao invés de como servir ao negócio. Isso é um ponto negativo para o cargo.”

E, finalmente, o papel do CIO depende muito de como a organização vê a TI, diz Jeffrey Kaplan, diretor gerente da Thinkstrategies, uma consultoria de TI.

O lado escorregadio

Mas os CIOs que desejam resistir ao empurrão para funções operacionais e manter o foco em aprendizado e a servir ao negócio ainda podem tornar-se mais influentes nas organizações.

Por exemplo, Tom Franciosi, CIO da Covenant Dove, uma firma de cuidados médicos de Memphis, deixou de reportar ao CFO no emprego anterior para dirigir-se direto ao chefe executivo nesse.

“Muitas vezes, os CIOs não necessariamente têm disciplina financeira, e isso pode fazê-los reportar ao CFO,” diz ele. “No meu antigo emprego, eu me reportei ao CFO e, conseqüentemente, aprendi um pouco. Agora estou trazendo todo esse conhecimento e experiência para o novo papel e para realmente me conduzir com o maior afinco junto ao negócio, certificando-me que serei um CIO com uma posição estratégica”.

Obviamente, nem todos os CIOs são como Franciosi. De acordo com o estudo do Centro para Liderança de CIOs a maioria dos chefes de TI entende que promover a colaboração entre TI e as linhas de negócio é uma prioridade, Mas apenas 15% dos respondentes acredita que são extremamente bem-sucedidos nisso.

O importante, dizem os especialistas, não é a função, mas a habilidade do CIO para exercer um papel estratégico e de relacionar-se com os demais executivos do board.

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