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Orquestração de APIs ainda é um desafio a ser superado

Plataformas de integração podem ser o saída para orquestrar APIs e garantir que elas se comuniquem de maneira eficiente e rápida

Rodney Repullo

12/12/2018 às 13h49

Foto: Shutterstock

A maioria das empresas – independentemente do seu tamanho – está operando com ambientes heterogêneos de TI e são constantemente confrontadas com o desafio de compartilhar informações de negócios entre várias aplicações, base de dados e sistemas complexos, de diversas origens e arquiteturas, sejam em cloud, mobile ou legados on-premise.

A consolidação do uso da computação em nuvem e mobilidade empresarial vem aumentando esta complexidade, também impulsionada pela entrega de APIs (rotinas e padrões de programação para acesso a um aplicativo de software) por parte dos fabricantes de sistemas para que seus produtos possam se integrar com outras aplicações.

Se por um lado, as aplicações em nuvem e mobile fazem parte da solução para os desafios de negócios, o risco de considerá-las, de forma isolada, como a resposta final, traz diversos inconvenientes. Quando se necessita promover a comunicação entre as aplicações por meio de APIs, as empresas se vêem diante de um grande dilema: como orquestrar essas APIs e garantir que elas se comuniquem de maneira eficiente e rápida? A resposta está na integração e orquestração profissional.

A improvisação nas integrações
Existe uma prática muito antiga em TI: “a melhor tecnologia é aquela que eu conheço”. Ou seja, se a pessoa só conhece a troca de arquivos como método de integração, para ela esta é a melhor maneira de se solucionar todas as situações. É necessário conhecer alternativas que possam ser melhores que o método usado, mas, nem sempre isso é fácil de se conseguir por várias razões que poderiam render um outro longo artigo. Podemos dizer que a improvisação é fruto de um certo comodismo em não buscarmos conhecer o que existe de solução especializada no mercado.

E quais são as improvisações mais comuns?

1 – Troca de arquivos. Em geral pode ser um arquivo de texto ou planilha eletrônica. Agora, imagine uma grande quantidade de dados distribuídos em textos e planilhas não consolidadas tendo que se comunicar entre si;

2 – Criação de código para chamadas entre APIs. A maioria das aplicações possui APIs de integração e códigos são produzidos em uma quantidade muito grande, para realizar suas chamadas, o que dificulta sua consolidação e manutenção, além de oferecer pouca visibilidade ao processo e gerenciamento da integração;

3 – Integração direta via banco de dados. Realizada através dos próprios sistemas que serão integrados, o que cria um vínculo (dependência) muito forte entre estas aplicações, com manutenção e atualizações complexas e na maioria das vezes de alto custo. No caso de acontecer uma atualização radical em um dos sistemas, poderá ser necessário refazer toda a integração.

4 – Ferramentas não especializadas, tais como o ETL (Extract Transform Load). São ferramentas de software cuja função é a extração de dados de diversos sistemas. O seu foco é a transferência pura de dados em lotes, sem foco de interação entre as informações existentes nas aplicações e processos de negócios, transação a transação, criando uma integração em tempo real. É uma ferramenta criada para construção de Data Warehouse, associada a sistemas de BI (Business Inteligence) e seu uso em integração é uma clássica improvisação.

A orquestração de APIs e sistemas
A orquestração de APIs e sistemas, por meio de uma Plataforma de Integração, é a solução mais adequada e que mais tem evoluído nos últimos anos, realizada por meio de soluções especialmente desenhadas para processos de integração e que possibilita a realização de transações de dados em tempo real a partir de qualquer origem e arquitetura. No momento que em ocorre a abertura de um pedido de compras, por exemplo, o sistema de estoque é acionado, movimentando toda a cadeia operacional. Isso mantém a empresa em pleno funcionamento e as tarefas não atrasam, agilizando os processos de negócios. Não é necessário esperar o processamento dos dados de um sistema para que outra aplicação receba a informação horas depois. Tudo ocorre em tempo real, colocando em prática o conceito de Transformação Ágil dos negócios, integrando todos os tipos aplicações diversas: on-premise, cloud, mobile.

Entre outras grandes vantagens da orquestração estão o baixo nível de acoplamento na integração; ela é baseada em padrões (componentes e conectores prontos e homologados); e demanda pouco esforço de integração, mesmo envolvendo vários sistemas sendo integrados ao mesmo tempo.

Orquestração da integração preparada para o futuro
A orquestração de APIs e sistemas por meio de plataformas tecnológicas dedicadas é preparada para o futuro, ou seja, a sua capacidade de redesenho e atualizações contínuas (e que não seja dependente de código) permite que a empresa não seja surpreendida por mudanças radicais nas tecnologias e nos negócios. Por ser tolerante a falhas e com capacidade de auto recuperar-se dos erros para que os processos de negócios não sejam interrompidos, a orquestração profissional possibilita a manter a integração em tempo real, 24/7. A tecnologia utilizada pode ser em nuvem ou em servidores locais, dependendo da arquitetura e da necessidade de cada projeto.

Hoje, não há mais espaço para a improvisação, principalmente no ambiente tecnológico avançado em que vivemos, onde a transformação digital exige maior capacitação dos ambientes de TI e de suas equipes, para possam dar respostas rápidas e ágeis aos desafios de negócios em um cenário altamente competitivo - onde o que é altamente inovador hoje pode ser ultrapassado no dia seguinte. A troca de arquivos ponto-a-ponto e chamadas de APIs via códigos é coisa do passado e os problemas que eles trazem não podem mais fazer e parte do dia dos profissionais de TI, pois podem ser evitados.

 

(*) Rodney Repullo é CEO da Magic Software Brasil

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