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Operadoras pensam em só começar a oferecer 5G no Brasil em 2021

Antes disso, veremos o 5G sendo utilizados em plantas pequenas, para aplicações específicas, no campo ou em fábricas

Cristina De Luca

18/10/2018 às 6h47

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O 5G não melhora em nada a qualidade do som e da imagem que já atingimos hoje com as redes 4G. Enquanto não tivermos terminais adequados e casos de uso que justifiquem uma oferta sustentável, não vale a pena correr para oferta o serviço. Com exceção de ofertas pontuais, para usos específicos. 5G ofertado de forma massiva, só em 2021! Em resumo, foi este o recado dos presidentes das principais operadoras, durante o painel "Telco Transformation", reunindo líderes das operadas e da indústria durante o Futurecom 2018, que acontece esta semana em São Paulo.

Na Futurecom, a Claro apresenta duas demonstrações com 5G. Uma consiste na transmissão de vídeo 8K em uma rede 5G com 100 MHz na faixa de 3,5 GHz. A outra é uma aplicação de realidade virtual em uma rede 5G com 700 MHz na faixa de 28 GHz, alcançando velocidade de 27 Gbps. Perguntado sobre quando essa infraestrutura estará pronta para entrar em operação, o CEO da operadora, José Félix, disse que os impedimentos não são técnicos. Em teoria, a rede poderia estar preparada já em 2019. O que significa que a operadora estará pronta para quando o 5G se mostrar "monetizável".

"Isso não vai acontecer assim, em um passe de mágica. Vai acontecer de forma gradativa. Estamos fazendo tudo para poder usar a tecnologia em pontos específicos, onde [ela] se justifique tanto do ponto de vista de uso, já que alguém precisa querer o serviço, quanto do ponto de vista de retorno de capital investido. É um negócio que não tem data para iniciar. Será algo que simplesmente irá acontecendo quase que de forma natural", disse Felix.

Eduardo Navarro, presidente e CEO da Vivo, concordou integralmente com o concorrente. "Eu penso exatamente como ele", disse Navarro. "Nós todos queremos estar preparados para o 5G. Estamos investindo em fibra, sites, antenas... Agora, é uma ilusão achar que o 5G vai entrar amanhã e vai mudar a vida de todo mundo. Não tem nem terminal ainda. O que nós não podemos permitir, com todo o respeito aos nossos engenheiros, é que eles nos coloquem em um corrida para saber quem vai lançar primeiro o 5G, porque quem chegar primeiro no 5G será o primeiro a perder dinheiro", afirmou Navarro.

De acordo com o CEO da Vivo, as empresas têm uma responsabilidade grande em relação à monetização e rentabilização da tecnologia.  Hoje os casos de uso de 5G estão limitados, segundo ele, principalmente a aplicações B2B e em áreas bem definidas em instalações industriais. "Não podemos criar a ilusão de que em 2020 o país estará todo coberto em 5G, porque não vai estar. E ainda que tivesse, seria jogar dinheiro fora, porque não tem hoje aplicação de uso. A Beyoncé não vai cantar nem mais rápido, nem vai ficar mais bonita no nosso smartphone por causa do 5G. Nós já chegamos a uma qualidade [de oferta de serviço] no 4G, em relação ao limite de velocidade e de definição, que torna a recepção no 4G ou no 5G praticamente a mesma coisa. A diferença vai vir da latência, necessária para aplicações pontuais", afirmou Navarro. Como exemplo dessas aplicações pontuais o executivo citou a telemedicina e o carro autônomo. Mais cedo, no mesmo painel, Navarro já havia dito que só espera uma oferta massiva de 5G em 2021.

Eurico Teles, CEO da Oi, também disse não querer chegar antes deles no 5G, mas chegar junto. "Nós também estamos olhando muito atentamente para quem vai usar e com que retorno sobre o capital investido. Isso é muito importante", disse.

A TIM seguiu na mesma toada. "A gente precisa chegar junto, e muito competitivos. A disciplina de CAPEX é muito importante. Estou na linha do Navarro. E pretendemos nos beneficiar e aprender muito com a experiência da Itália", disse Sami Foguel, CEO da operadora.

5G

Eduardo Ricotta, presidente Ericsson, fez questão de ressaltar que as redes 4G vão coexistir com as redes 5G. Na verdade, muitas operadoras sequer desligaram as redes 2G. "Ninguém vai chegar e trocar a rede 100% para o 5G. O próprio Navarro disse mais cedo que ainda temos 25% do país sem o 4G. Então acho que temos um longo período aí. Os terminais 5G só vão estar disponíveis em Q2 e Q3 do próximo ano. Ainda tem a licitação... Então, essa implantação do 5G é algo que vai acontecer gradativamente", disse o executivo.

Mais cedo, Ricotta havia externo a sua preocupação com a liberação para as instalações de antenas nos municípios, já que o 5G exige uma densidade de antenas ainda maior que a do 4G. “Nos Estados Unidos, a FCC controla a Lei das Antenas. A gente tem que ter uma discussão similar aqui no Brasil, porque a municipalidade está atrapalhando a cobertura, especialmente nas grandes cidades. Hoje tenho mais de 1 mil antenas paradas na fábrica porque a gente não consegue fazer adensamento na cidade de São Paulo”, afirmou o executivo em entrevista ao portal Convergência Digital.

A chegada do 5G foi um dos grandes assuntos da Futurecom. A estimativa da indústria é a de que o 5G gere US$ 1,3 tri em receitas de mídia e entretenimento até 2028, segundo o estudo "A Economia do 5G: Entretenimento", encomendado pela Intel e realizado pela Ovum.

Jonathan Wood, gerente geral de Desenvolvimento de Negócios e Parcerias para a área de Padrões 5G na Intel, estaca que, inevitavelmente, o 5G vai agitar o cenário de mídia e entretenimento. "Será um importante ativo competitivo para as empresas que se adaptarem. As que não o fizerem correrão o risco de fracassar ou mesmo desaparecer do mercado. A onda de transformação gerada pelo 5G não afetará um setor em particular. Este é o momento certo para que os responsáveis pela tomada de decisões nas empresas se perguntem: estamos preparados para o 5G?", afirmou.

O relatório aponta também que, já em 2025, 57% das receitas globais na área de mídia sem fio serão geradas pelo uso dos recursos da elevadíssima largura de banda das redes 5G e pelos dispositivos que as utilizam. A baixa latência dessas redes se traduz em vídeos sem atrasos ou interrupções – live streaming e download de grandes volumes acontecerão em um piscar de olhos. 

Tráfego 5G
O tráfego mensal médio por assinante 5G crescerá de 11,7 GB em 2019 para 84,4 GB em 2028, momento no qual o vídeo será responsável por 90% do tráfego total por redes 5G.

VR e AR
Com previsão de garantir US$ 140 bilhões em receita cumulativa (2021-2028), experiências aprimoradas de realidade virtual e aumentada também serão um novo canal para os produtores de conteúdo buscarem atingir os consumidores.

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