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Open Banking e APIs impulsionam o desenvolvimento das Fintechs

Mas, no Brasil, esse movimento está apenas começando...

Giannella de Melo *

26/10/2016 às 10h58

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Uma
coisa que não podemos mais negar é o impacto do surgimento de diversas
Fintechs no Brasil e no mundo. O aparecimento dessas startups vem
causando uma transformação gigante no mercado financeiro. O termo
'Fintech' surgiu da combinação das palavras financial (finanças)
e technology (tecnologia). Essas startups estão sendo muito bem
recebidas pelos consumidores cansados da burocracia e estrutura das
tradicionais instituições financeiras.

Hoje,
os bancos possuem em seus sistemas uma quantidade enorme de informações
financeiras de seus clientes, como por exemplo, movimentações
financeiras, qualidade de crédito, tendência de renda, entre outros
dados. Grande parte desse conteúdo acaba não sendo aproveitado pelos
bancos, mas isso não significa que ninguém quer esses dados. As Fintechs
têm muito interesse nessas informações para unir criatividade e
tecnologia e, assim, criar produtos com propostas mais rápidas e ágeis
de serviços financeiros. No Brasil temos bons exemplos de Fintechs como a
startup Guia Bolso, que fornece um aplicativo de controle financeiro e o
NuBank, empresa que desenvolveu um cartão de crédito totalmente online.

O
movimento Open Banking, que começou em 2004 quando a empresa PayPal
permitiu que outras empresas pudessem se conectar e eles e ter acesso a
algumas informações de seu negócio através de APIs (Application
Programming Interface) é o principal responsável pelo ‘boom’ das
Fintechs, permitindo a colaboração entre as instituições financeiras e
as fintechs.

Neste
conceito, os bancos fornecem informações de seus clientes para as
Fintechs de forma segura e mantendo a privacidade de dados sensíveis,
possibilitando o crescimento de serviços financeiros inovadores e a
geração de riqueza para todos os envolvidos. Resumindo, basta que as
instituições financeiras liberem alguma interface ou API para que outros
desenvolvedores, parceiros, empresas de softwares e Fintechs consigam
se conectar, ter acesso as informações financeiras da instituição e
criarem seus próprios sistemas e produtos. Na prática, API é a consulta a
dados e operações através de serviços expostos.

A chave para a inovação
que as Fintechs estão proporcionado e mostrando ao mundo é justamente
graças às APIs disponibilizadas pelas instituições financeiras
tradicionais. Alguns bancos já têm iniciativas de APIs mais
desenvolvidas, que permitem desenvolvedores se cadastrarem no site da
instituição e, assim, acessar dados para criar soluções em nome da
instituição.

O
Open Banking no Brasil ainda está começando, as instituições
financeiras estão aos poucos liberando algumas APIs para acesso a seus
dados. Um bom exemplo no Brasil é a Cielo, que está com o projeto de
liberar APIs aos desenvolvedores para criarem aplicativos em sua
própria loja de apps, a “Cielo Store”.

Na
Europa esse movimento já está acontecendo, como no caso do banco
francês Credit Agricole, que lançou um conjunto de APIs abertas que
possibilitam desenvolvedores produzirem aplicativos com suas
informações. O banco libera informações sobre as contas bancárias,
cartões de crédito, produtos, saldo e extrato e localização de agências e
ATMs. Uma coisa interessante no caso da Europa é que existe o padrão
PSD2, que é utilizado também para o movimento Open Banking e ajuda muito
os bancos a criar um ecossistema de valor.

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O
futuro para as Fintechs é bem promissor e os consumidores podem esperar
grandes novidades. Os bancos estão iniciando a jornada de transformação
digital e com isso vem o desenvolvimento de APIs e também a integração
direta com seus parceiros. Os usuários cada vez mais desejam uma
experiência digital completa, com as instituições financeiras integradas
à sua jornada digital. As instituições financeiras que não mergulharem
de cabeça nessa transformação digital nos próximos anos com toda certeza
terão grandes problemas para se manter no mercado.

                                                                                              

 

(*) Bruno Giannella de Melo é arquiteto de software da GFT

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