Home > Tendências

Open Banking: Como controlar a monetização de dados

Open Bank é uma tendência, a Europa já começou a mudança e, a partir de janeiro de 2018, os bancos Europeus serão obrigados a abrir suas plataformas bancárias para outras organizações acessarem através do uso das APIs

Carlos Cruz *

02/03/2018 às 21h53

opendock_418187500.jpg
Foto:

Instituições financeiras, gateways de pagamento e adquirentes
possuem um tesouro que pode gerar novos negócios e novas fontes de
receita de forma estratégica.

Os dados, agora, são o novo
“dinheiro” dos bancos que acelera a onda global chamada “Open Bank”, um
sistema pelo qual as organizações financeiras fornecem aos usuários
(organizações de todas as indústrias) uma API (Application Program
Interface) para acessar informações sobre clientes a partir de uma
estratégia de monetização.

As organizações financeiras já
entenderam que este é o momento de repensar como novos negócios podem
contribuir para a melhoria da experiência do cliente, acelerar a
construção de inovações, aumentar a receita de suas organizações e usar o
potencial que a transformação digital pode oferecer.

Open Bank é
uma tendência, a Europa já começou a mudança e, a partir de janeiro de
2018, os bancos Europeus serão obrigados a abrir suas plataformas
bancárias para outras organizações acessarem através do uso das APIs.
Esta atual obrigatoriedade é fato, mesmo após forte resistência dos
bancos.

Este advento irá trazer mais competitividade e disputa
com novas empresas de tecnologia financeira, sobretudo as fintechs4, que
vêm ganhando cada vez mais espaço com soluções de avaliação e concessão
de crédito.

Os bancos estão
estudando o tema para descobrir qual o melhor caminho para acelerar a
monetização de dados com o desenvolvimento de estratégias para Open Bank.

A consultoria Accenture
afirma que as instituições financeiras têm quatro modelos possíveis para
monetizar dados:

·  Tornar-se um provedor de infraestrutura;

·  Usar
APIs externas para melhorar a experiência do cliente;

·  Desenvolver
APIs internas e liberá-las de forma controlada para acelerar a inovação ou;

·  Abrir totalmente suas plataformas.

Certamente, bancos de
pequeno e médio porte irão aderir mais rapidamente a esta estratégia para
aumentar seus canais de distribuição. Quanto aos bancos de grande porte, já sabemos
que aqui, no Brasil, ainda haverá muita discussão e resistência.

É fato que os bancos
estão em posição de vantagem pois, teoricamente, possuem maior conhecimento
sobre seus clientes, considerando transações financeiras, nível de risco, nível
de riqueza e reservas financeiras.

Veja, uso a palavra
“teoricamente” pois, atualmente, muitas organizações financeiras ainda estão em
processo de descobrimento dos benefícios que a análise de dados avançada pode
trazer ao negócio. E, por fim, como podem extrair real valor dos dados que
detêm sobre os clientes, como entender seus hábitos de consumo, preferências de
compra, canais e horários preferidos para realizar as operações com e sem
movimento financeiro, entre outras informações importantes para melhorar a
experiência e atratividade do cliente.

Estas são exemplos de
informações que podem ser utilizadas para criar segmentos realmente novos e serem
oferecidas aos consumidores (no modelo B2B, B2B2C, B2C) como opção de “produto
de dados” para clientes e usuários do Open Bank.

Essencialmente antes
da construção da camada de experiência do cliente e acesso aos dados através de
Open APIs, é necessário organizar o sistema considerando as disciplinas
estruturantes de Governança de dados que estão detalhadas no DAMA-DMBoK [1].

openbanking

Comece entendendo o modelo de negócio e as
fontes de dados

Analisar profundamente
os dados pressupõe que os cientistas de dados entendam os dados sobre as linhas
de negócio e os dados comuns. Muitas organizações já possuem repositórios de
dados capazes de construir uma visão mais integrada do cliente utilizando ferramentas
de análises de dados combinadas com bases de dados unificadas em arquiteturas
de dados como Data Warehouse e/ou Data Lake.

O próximo passo é
obter conhecimento mais profundo sobre os clientes de forma complementar, que é
derivado de fontes de dados externas e que pode vir de outras indústrias
(varejo, telecomunicações, marketing), combinado com o uso de informações de
redes sociais, Ids digitais, geolocalização, dados sintetizados a partir de
análise de fraude, análise de sentimentos, modelagem preditiva e comportamental,
por exemplo.

Extremamente
significante é compreender como sua organização faz dinheiro, e isto está
intimamente relacionado com a forma em que pensamos na arquitetura e no modelo
de dados, como eles se relacionam e podem ser complementados.

Esta complementação de
dados sobre os clientes ajuda as organizações financeiras a obter uma visão
ampla sobre o cliente e, desta forma, se aproximar do sonho de poder oferecer
uma experiência customizada.

O nirvana
A disciplina
Arquitetura de Dados descrita no DAMA-DMBoK [1] invoca as boas práticas de
gestão de dados demonstradas através do framework de Zachman [2] (figura abaixo), que é largamente utilizado em
projetos que requerem alto conhecimento sobre dados e arquitetura corporativa
provendo um meio formal e altamente estruturado de definir uma organização
através de um modelo de classificação ontológica bidimensional.

figura1

No processo de
conhecimento dos dados da organização, o framework de Zachman [2] é um
acelerador e pode guiar executivos e especialistas desde a classificação dos
dados até a perspectiva técnica da solução.

Importante notar que o
Framework de Zachman não é um método e sim uma ontologia que representa um
esquema do modelo conceitual para ordenação e estruturação de artefatos
arquitetônicos (documentos de desenho, especificações, metadados e modelos)
utilizados para clarificar os objetivos do artefato e apontar qual problema de
negócio pode ser solucionado através da representação arquitetônica.

Um projeto de Open
Bank exige disciplina de todos envolvidos, e o Framework de Zachman suporta ao
mesmo tempo que direciona as discussões e construções ao longo da jornada de
transformação.

Uma forma simples de compreender como integrar
informações ao longo da monetização de dados

Quando se alcança
clareza e maturidade sobre os dados da organização (mais detalhes no DAMA-DMBoK®
[1], no capítulo Data Management Maturity Assessment), o próximo passo é compreender
com clareza as forças e fraquezas sobre a completude dos dados de cada dimensão,
em cada organização.

Esta análise inicial irá possibilitar o desenho
da estratégia de Open Bank com foco no complemento e troca de informações.

figura2

Na figura acima, é
possível notar que organizações do setor financeiro possuem bons conhecimentos
sobre Cadastro, Transações Financeiras, Risco,
e Riquezas e Reservas.
Desta forma, para as outras dimensões, as
organizações financeiras podem desenvolver estratégias para complementar as
informações enquanto executam a estratégia de monetização de dados.

O que de fato interessa aos Bancos?
Para tirar proveito e
gerar novos negócios que tragam novas fontes de receita, os bancos devem
entender, governar, estruturar e utilizar corretamente os dados em todos os
canais para que possam desenhar “jornadas
digitais
” para engajamento, prospecção, conversão e fidelização considerando
o ciclo de vida de cada cliente.

O futuro aponta para um
modelo de experiência na qual o cliente poderá escolher o banco e qual
interface irá usar para movimentar suas contas e seu dinheiro, com liberdade
para escolher os melhores produtos e serviços financeiros.

Open Bank chegou para
ficar e vai evoluir muito ao longo do tempo e, para que os bancos possam
usufruir deste modelo, fazer boa gestão e governança de dados é um diferencial.

 

(*) Carlos Cruz é diretor de Estudos Técnicos do Capítulo Brasil
da Data Management Association (DAMA Brasil)
    

[1] Dama Management Association (DAMA), The
Guide to The Data Management Body of Knowledge (DAMA-DMBoK Guide) Second
Edition (New Jersey: Technics Publications, LLC, 2015) – versão em Inglês.

[2] http://www.zachman.com

 

 

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail