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O segredo para a transformação digital? Manter-se curioso e flexível

Para CIO da BIC América Latina, Leandro Cresta, tecnologia só pode entregar valor se estiver orientada a negócios e for pautada por pessoas

Carla Matsu

09/09/2019 às 8h00

Foto: Divulgação

A cultura dos videogames nos anos 1980 e a computação gráfica que despontava na década seguinte despertou a atenção e o interesse do, então, estudante Leandro Cresta, ainda em Juiz de Fora (MG), sua cidade natal. "Aquilo tudo me interessava", conta Cresta hoje CIO da BIC América Latina em entrevista à CIO Brasil. Para além dos consoles e telas, Cresta encontrou na área de exatas uma espécie de conforto existencial quando buscou se orientar em uma profissão. "Sempre brinquei com computadores quando criança, escrevia códigos, tinha um contato natural com a tecnologia que, na época, não era tão comum e, pensei, bem, acho que vou seguir isso", lembra.

Foi nos corredores da Unicamp, em Campinas (SP), em meados dos anos 1990, que o mineiro se formou em Engenharia da Computação. Em 1997 conseguia o primeiro emprego na área de tecnologia. "Entrei como analista de sistemas na Procter & Gamble", conta. E foi lá que despontou na carreira. Foram 14 anos na multinacional de bens de consumo. Durante o período, teve de arrumar as malas e fixar residência em Buenos Aires (AR) e na Cidade do México (MX). O tipo de intercâmbio cultural corporativo que veio enriquecer não só a carreira como refletiu em um interesse crescente em gestão da própria tecnologia e de pessoas. "O que me continua mantendo na área é, na verdade, a gestão de tecnologia. Como a tecnologia vai funcionar para o RH, para o supply chain, para a área de vendas", exemplifica Cresta.

Depois da P&G, Cresta passou pela multinacional Novartis e de lá saiu para assumir a posição de CIO na Bimbo Brasil, onde ficou por cerca de dois anos. Na BIC, já soma mais de quatro anos. Entre as conquistas na multinacional francesa, está a implementação do primeiro Global Data Warehouse da companhia, combinando e alavancando tecnologias de visualização em nuvem, mobile, visualização e ingestão de dados. Um projeto que tem combinado metodologias ágeis e de gerenciamento de projetos. Em março deste ano, foi reconhecido com o "Executivo de TI do ano", na categoria Bens de Consumo, um prêmio organizado pela IT Mídia.

Tecnologia sim, mas negócios antes

Cresta conta que, desde a faculdade, sempre teve claro para si que buscaria a carreira como executivo de tecnologia. "Eu não me via como o melhor programador, mas tinha a capacidade de olhar o todo, de desmembrar atividades, transformar isso em projetos, ações. Foi o que me mostrou que eu deveria seguir carreira em tecnologia e me motivou a buscar cargos em liderança, sempre olhando a tecnologia com o viés de negócios", resume.

O executivo segue dizendo que não é mais o conhecimento em tecnologia, em seu estado da arte, que faz diferença no dia a dia do seu trabalho, mas sim como ela habilita negócios e pessoas. Uma combinação que o fez se interessar por disciplinas como sociologia, antropologia e psicologia. Leituras e estudos que, segundo ele, enriquecem a perspectiva de liderança. "As coisas não são sempre uma receita de bolo. São diferentes situações que foram aparecendo e permitiram minha evolução pessoal contínua", lembra. Um dos pontos principais, segundo Cresta, para profissionais em posição de liderança e em ambientes de constante transformação residem na curiosidade. "Isso sempre me ajudou. Não importa a complexidade, a incerteza ou ambiguidade, como eu mantenho curioso e flexível, foi algo que vejo que sempre me ajudou", completa.

Tecnologia é sobre pessoas

A pressão de ser CIO em tempos onde a transformação digital avança novos capítulos e atinge níveis de complexidade sem precedentes pode ser esmagadora. Soma-se a isso o excesso de informação de canais digitais. Na visão de Cresta, o trabalho de CIO exige estar sempre conectado, mas isso não quer dizer uma disponibilidade angustiante no celular e, sim, em um plano mais analógico e pessoal.

"Eu tenho papéis regionais e globais. Tenho de entender as estratégias de supply chain, entender problemas operacionais que podem impactar a área financeira, que podem demandar digitalização de processos, antever a forma como consumidores vão demandar novos produtos... Isso significa que eu tenho de estar conectado com pessoas, pessoas que tomam decisões, que operam, como meu time que opera e que vai desenvolver. A única maneira de estar aberto a diferentes pontos e alimentar a criatividade é estar em contato com as pessoas", conclui.

 

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