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O que esperar do futuro pós nuvem?

Aqui estão algumas tendências não muito distantes

Bernard Golden, CIO/EUA

17/11/2014 às 6h58

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Ainda hoje, Cloud Computing é vista como uma perturbação da ordem
estabelecida. Mas um dia - que não está muito longe - ela vai
representar status quo. Como será ele?

Aqui estão algumas tendências que podemos esperar:

1 - Escalas enormes
Todos
os sistemas serão projetados para processar quantidades gigantescas de
dados. Cada aplicativo será elástico, para responder às mudança de fluxo
nas correntes de bytes. Quando sistemas forem desenhados, ninguém
perguntará sobre capacidade, porque partirão do pressuposto de que a
capacidade poderá ser infinita. Portanto, os esforços de design vão
presumir isso, não importa quantos dados uma aplicação possa estar
gerenciando ou quantas máquinas virtuais a topologia do programa possa
conter, ele deverá ser capaz de expandir para suportar mais. Em
essência, podemos presumir que sistemas serão projetados para um mundo
da “ilusão da infinita capacidade”.

2 - A Internet das coisas será realidade
O CTO da
Cisco previu que, em um futuro próximo, um trilhão de dispositivos
estarão ligados à internet. Há muitas pessoas que preveem que estamos
entrando na era pós-PC.Significa que além dos aparelhos com os quais os
humanos vão interagir da forma tradicional, como os smartphones,
tablets, etc, estaremos cercados por um número muito maior de
dispositivos de propósito específico, dedicados a execução de
determinadas funções, que se comunicarão com programas centralizados
rodando na nuvem, e que por sua vez irão interagir com algo que nós,  ou
alguém usando nosso proxy, vai achar valioso.

Por exemplo, não vamos precisar olhar para o nosso relógio para saber
a nossa pressão sanguínea. O relógio vai medir a pressão e enviá-la
para o sistema de monitoramento, que vai gerar um alerta para o
profissional de saúde, baseando-se em uma experiência médica e nas
especificidades da nossa saúde individual. Usaremos cada vez mais
dispositivos como este relógio, equipados com sensores, e ubíquos, a
ponto de sequer prestarmos atenção a eles, a menos que haja necessidade.

Não
é fácil entender como isso vai acontecer. Mesmo os trabalhadores dessa
indústria, que deveriam entender a dinâmica do processo,
subestimam constantemente o que vai acontecer. Uma década atrás, em um
debate com o CEO de uma empresa de chips análogos que equipava o
protótipo de um refrigerador inteligente, ele chegou a afirmar que, no
futuro, o refrigerador teria uma interface na qual você poderia fazer
sua lista de compras baseado em diferentes níveis de observação dos
alimentos armazenados. Duvidei de que que a caixa de leite poderia
determinar que estaria com nível baixo e então contatar o refrigerador
para adicionar leite à lista. Ele respondeu que essa funcionalidade
sairia muito caro, na época, para uma caixa de leite. Uma resposta que
levava em conta suas tradicionais suposições sobre custo/funcionalidade
para a discussão, em vez de extrapolar a tendência que, efetivamente,
hoje se impõe.

Em retrospecto, é claro que ele estava subestimando como as coisas
aconteceram. Na verdade, é claro que eu estava subestimando as coisas.
Hoje é claro que a caixa de leite vai conversar com o aplicativo da
lista de compras in-cloud e essa app iria contatar o mercado selecionado
para organizar seu pedido semanal de caixas de leite. É por isso que a
internet das coisas vai resultar em “aplicativos” muito além do que
podemos imaginar.

3 - O custo dos componentes de TI cairá vertiginosamente
Não
me refiro a chips ou drives de disco. Falo de cada elo da corrente de
fornecedores de TI. Sistemas operacionais, middleware, softwares serão
muito mais baratos. Se não, eles serão substituídos por programas open
source gratuitos.

Por que posso prever tal coisa? É óbvio: se você vai prever a escala
antes, os componentes individuais vão baixar de preço. Hoje, escuto
muitas pessoas opinando que vendedores de software “não permitiriam” a
mudança para a nuvem para reduzir seus preços ou lucratividade. Tenho
novidade para os que compartilham essa opinião: Os fornecedores não têm
escolha. Se os atuais fornecedores resistirem à tendência, novos
participantes com preço amigável irão substituí-los.

Paradoxalmente,
os gastos totais em TI aumentarão muito. Em certos setores de cloud
computing há muita discussão sobre o Paradoxo de Jevon, que afirma que
redução de custos de um bem ou serviço,em vez de reduzir gastos totais,
na verdade, os aumenta. O crescimento terá como motor o fato de que as
funcionalidades em TI insuflam as ofertas de negócio atuais. Toda nova
oferta de negócios contém TI, portanto, o aumento de todas as
iniciativas vai aumentar o investimento em TI. A diferença entre essa
situação e as circunstâncias atuais é que o setor de TI não será uma
função de apoio à função do escritório, mas pré-requisito para lidar com
clientes. A Tecnologia da Informação vai atingir seu tão desejado papel
de parceira de unidades de negócios.

4 - TI reestruturará a TI
O
lado ruim de ser parceiro de negócios está no negócio. O surgimento de
novos provedores de nuvem públicas gerou um benchmark de comparação
para a oferta de serviços feita epla equipe interna de TI. Não ser capaz
de oferecer transparência comparável aos serviços comerciais,
facilmente contratados, será o beijo da morte.

Na decisão da estratégia de implementação o custo será um entre
muitos fatores, incluindo privacidade, requerimentos como largura e
latência de banda para os aplicativos, etc, que podem determinar se o
aplicativo é implementado interna ou externamente. A suposição de que a
decisão padrão de implementação seja a interna, se tornou uma fantasia.
CIOs espertos vão reconhecer que seu papel é gerenciar a infraestrutura,
não possuindo equipamentos. Já os menos informados vão ser
ultrapassados pelos próprios  usuários. O que já começa a acontecer.

Junto
com essa tendência de contratação na cloud direto pelas áreas de
negócio, o maior desafio que as organizações de TI encontrarão no
caminho para a era pós-cloud é o suporte aos sistemas legados. Eles
representam uma enorme habilidade de TI para se alinhar com as demandas
de usuários do negócio. No mundo pós-nuvem não será suficiente gerenciar
aplicativos legados com o menor gasto possível. Mesmo com esse
investimento, esses aplicativos carregam um alto custo de estrutura e
manutenção. Custo esse muito mais alto que as ofertas de cloud
disponíveis. Nesse cenário, a equipe de TI terá que ser muito mais
agressiva e pró-ativa para fazer todas as coisas necessárias. Todo CIO
precisa avaliar os sistemas atuais e montaram um plano para reduzir o
custo, incluindo entre as opções a migração para um SaaS equivalente ou a
terceirização de operações para um provedor mais barato.

5 - PaaS será o local onde estar
Muitas
pessoas pensam da computação em nuvem como máquinas virtuais sob
demanda. A indústria está se movendo rapidamente para além disso. Os
desenvolvedores de aplicativos perdem seu tempo quando têm de contratar
arquitetos para implementar escalabilidade e elasticidade. A
infraestrutura deve lidar com isso, liberando os desenvolvedores de
aplicativos para focar na funcionalidade do negócio, não no encanamento.
O caminho para isso é a adoção do modelo de Plataforma-como-serviço
(PaaS).

No pós-nuvem o departamento de TI dependerá muito de PaaS, usando uma
organização interna ou externa para gerenciar a funcionalidade básica e
a infraestrutura. Será talvez a única forma de gerenciá-los da maneira
mais eficiente e de baixo custo sem abrir mão de proporcionar um
ambiente aumente a produtividade dos desenvolvedores de aplicativos.

6 - Haverá escassez de bons desenvolvedores de aplicativos
O
Paradoxo de Jevon significa uma explosão de demanda em TI. Em
particular, uma demanda de criadores de aplicativos. Pessoas que saberão
como construir ofertas de negócios integrando múltiplos aplicativos em
um novo, implementando chamadas para APIs de serviços externos que
terão uma demanda muito alta. Mesmo o surgimento do PaaS -
paradoxalmente - aumentará a demanda por desenvolvedores de aplicativos.

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