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O novo ambiente empresarial será cada vez mais VUCA

As estratégias de negócios precisarão ser construídas considerando a volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade

José Formoso *

09/07/2018 às 16h40

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Nunca existiu um momento melhor do que esse para realizar
mudanças transformadoras. Faltam apenas dois anos para entrarmos na
terceira década do século XXI, cujo futuro será definido a partir do que
estamos construindo hoje. Temos uma expressiva quantidade de recursos,
possibilidades e oportunidades que irão garantir o sucesso das empresas,
mas, para isso, serão necessárias importantes mudanças. Acontecerão de
dentro para fora e serão marcadas por diversos desafios, mas, sem
dúvida, há mais oportunidades que ameaças. Bem-vindo a nova era, marcada
por quem não têm medo de aprender!

As verdadeiras mudanças não acontecerão simplesmente importando uma
nova tecnologia ou um novo sistema de gestão. Mudar será uma
prerrogativa que exigirá uma nova maneira de pensar, cuja visão de
futuro será o ponto central para repensar o que realmente devemos fazer
para nos diferenciar do mercado.

Tecnologias que nos cercam já apontam para soluções jamais vistas.
Porém, são as escolhas e as pessoas que decidirão o rumo a ser seguido.
Diante desse mundo de multipossibilidades, teremos que escolher qual
caminho iremos seguir para escolha da melhor estratégia, do caminho de
inovação e do formato de transformação esperado.

Nossas ações de hoje devem ser orientadas a partir de uma visão de
longo prazo, algo que é muito difícil de implementar no Brasil. Por
isso, é possível afirmar que é um grande desafio dimensionar esse
futuro, pois há mais dúvidas que certezas. Não sabemos com precisão o
que irá acontecer, mas é certo que o novo ambiente empresarial será cada
vez mais VUCA, do inglês: volátil, incerto, complexo e ambíguo.

Vuca

As estratégias de negócios precisarão ser construídas a partir do
cruzamento de duas perspectivas. Primeiramente, temos que pensar nos
clientes daqui a dez anos, sabendo que eles terão uma nova maneira de
pensar e de consumir. A partir disso, as empresas terão que ser
reformuladas por completo, com impactos operacionais, logísticos,
econômicos e sociais.

Terão de usar novas estruturas de Telecomunicações e de TI muito mais
robustas, ampliando as demandas de conectividade, mobilidade, Data
Center, Cloud Computing, comunicações unificadas e colaboração, soluções
digitais, segurança e vídeo. É certo que muitos produtos, serviços ou
soluções que serão essenciais daqui a uma década provavelmente ainda nem
foram desenvolvidos, dando um passo além ao crescimento exponencial da
tecnologia ao longo dos últimos anos. A tecnologia mudará por completo a
forma como as pessoas se relacionam, como vivem, como trabalham e como
geram valor para a sociedade.

Diante de tantas novidades e dúvidas, temos certezas sobre alguns
comportamentos dos clientes no futuro. Primeiramente, sabemos que tudo
será conectado. Os consumidores irão precisar de um sistema que
acompanhe seu modo de vida e os hábitos de consumo deverão gerar um
volume imensurável de dados. Por isso, os modelos de negócios mais
bem-sucedidos serão os desenhados sob demanda, permitindo o consumo
conforme a necessidade do momento. O trabalho será flexível e a economia
cada vez mais compartilhada.

O trabalho de redesenho das organizações para o futuro deve começar
agora. A Embratel, por exemplo, já focada na oferta de soluções de
conectividade, capazes de atender às necessidades dos clientes da
próxima década, de forma totalmente personalizada. Estamos nos
preparando porque o mundo irá demandar cada vez mais gestão e serviços
integrados. Sem a conectividade e a integração das tecnologias será
subutilizada.

Todos os setores passarão por grandes transformações. A tecnologia
médica irá, por exemplo, acompanhar sintomas e prever até uma possível
parada cardiorrespiratória antes mesmo dela acontecer. No comércio, você
não irá mais precisar carregar seu cartão de crédito ou qualquer outro
dispositivo de compra. Seu próprio corpo será a sua senha. No setor do
agronegócio, sensores instalados em grandes plantações acompanharão
todas as informações sobre o clima, sobre uso de defensivas e sobre o
crescimento da plantação. A conectividade irá alcançar todos os lugares.

Tudo indica que teremos um planeta totalmente conectado, com a
inovação no centro dessa mudança. Para analisar tantos dados e
informações, sistemas de Internet das Coisas (IoT) estarão presente em
todas as casas, ruas e empresas. Teremos Cloudficação, com a migração
das redes Corporativas também para Nuvem, somado virtualização e a
definição por software. Os ambientes serão menos complexos e mais
acessíveis do que as soluções atuais. Mas, ainda assim, com performance,
qualidade e, acima de tudo, segurança.

Atuar nesse novo cenário será um divisor de águas para as empresas
que já estão notado que ninguém inventa nada fazendo as coisas do mesmo
jeito. A grande maioria das pessoas fala de avanços por meio de
produtos, mas entendo a inovação como um movimento e não como algo
materializado e estático. Inovar é aprender, é descobrir novas formas e é
mudar o jeito de ser. Inovar é descobrir o que os clientes precisam
antes mesmo deles pedirem – ou de saberem.

As dimensões competitivas essenciais em 2020 e nas décadas seguintes
apontam para quatro dimensões-chave de tecnologia (Conectividade, Cloud,
Conteúdo e Controle) e quatro dimensões-chave de mercado (Global,
Local, Empresas e Consumo). Nesse cenário, considerando as dimensões
competitivas, teremos um novo desenho da tecnologia, da infraestrutura e
das redes para suportar o crescente volume de variados dispositivos, a
identificação personalizada dos donos, o movimento de arquivos para
cloud (nuvem) e consumidores cada vez mais plugados e exigentes.

As empresas terão que se preparar para conseguir melhor performance,
melhor custo por transação e serviços de alta qualidade, sempre conforme
o gosto de cada consumidor. O faturamento das companhias também mudará,
com receitas de produtos próprios, soluções de terceiros e de outros
negócios que ainda são desconhecidos.

O que irá definir sucesso nesse novo cenário? A habilidade de
mudança. O conceito de transformação acaba muitas vezes sendo pensado a
partir da ideia de uma uma nova tecnologia ou um novo processo.
Transformar é um imperativo político, e não um processo ou a compra de
uma tecnologia. Assim como inovação, a transformação está na esfera das
escolhas. É uma opção que as empresas irão precisar definir para
conseguir sobreviver.

Parece ilógico, mas muitas empresas ainda não partiram para a
transformação. Isso está ocorrendo porque muitos profissionais são
céticos em relação a mudanças. O medo do desconhecido tem deixado muitos
executivos paralisados. Mas, os líderes transformadores estarão
preparados para o novo, interessados em criar uma cultura que permite o
aprendizado e preocupados em evoluir de forma contínua e sustentável.
Com isso, o caminho da transformação passará pela liderança colaborativa
e pela adaptabilidade das pessoas a esse novo cenário.

Estamos no melhor momento para iniciar a transformação e equipar
nossas organizações com tecnologia de ponta e quebrando barreiras que
pareciam imutáveis. O maior desafio para esse avanço está na decisão em
querer fazer a transformação. Tomara que as empresas brasileiras façam
sua lição de casa, sem medo de errar para evoluir. Como disse o
futurista americano Aalvin Toffler, “os analfabetos do século 21 não
serão aqueles que não sabem ler e ou escrever, mas os que se recusam a
aprender, reaprender e voltar a aprender”.


(*) José Formoso é CEO da Embratel

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