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O mundo em 2030: como empresas e líderes devem se preparar?

Especialista lista as principais tendências que impactarão na sociedade e na forma de conduzir os negócios nos próximos anos

Redação

24/05/2019 às 10h12

Foto: Shutterstock

“Prever o futuro significa projetar-se a partir do que já está acontecendo, ao mesmo tempo em que é esperada uma inércia nos sistemas humanos e naturais”, considera Andrew Winston, fundador da Winston Eco-Strategies.

Em artigo publicado no site do MIT Sloan Management Review, o consultor evidencia a importância de repensar escolhas por parte de lideranças e empresas para enfrentar os desafios globais nas próximas décadas. Confira as nove tendências, segundo Winston, que impactarão na forma de conduzir os negócios até 2030:

1. Demografia

O mundo deve chegar a 8,5 bilhões em 2030, acima dos 7,3 bilhões em 2015. O maior crescimento demográfico será de idosos, com a população de pessoas com mais de 65 anos alcançando 1 bilhão até 2030. A maioria desses novos bilhões estarão na classe média, no entanto, a concentração de renda entre os mais ricos continuará a ser uma questão desestabilizadora.

2. Urbanização

Dois terços da população viverão nas cidades. A urbanização aumentará, criando mais megacidades. Por outro lado, veremos um aumento do custo de vida nas cidades mais desejadas, elevando a demanda por edifícios grandes com melhores tecnologias de gerenciamento (big data e AI que). Também precisaremos de mais alimentos, o que pressionará a expansão da agricultura.

3. Transparência

Nosso mundo será cada vez menos privado. A quantidade de informações coletadas sobre cada pessoa, produto e organização aumentará exponencialmente, e a pressão para compartilhar essas informações - com clientes e consumidores em particular - crescerá. As ferramentas para analisar a informação serão bem desenvolvidas e facilitarão a tomada de decisões, mas inevitavelmente esbarram na privacidade.

4. Crise climática

O clima continuará mudando rapidamente e apresentará condições meteorológicas extremas em todos os lugares. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostrou a importância de diminuir as emissões de carbono para reduzir o aquecimento do mundo. Até 2030, é muito provável que o planeta tenha aquecido cerca de 1,5 grau.

5. Recursos sob pressão

Enfrentaremos de forma mais agressiva as restrições de recursos. Para manter os volumes das principais commodities (como metais) em linha com o crescimento econômico, precisaremos adotar outras alternativas, como usar materiais reciclados e produtos remanufaturados e, em geral, repensar a economia material. A água será um recurso escasso e novas tecnologias terão que ajudar a reverter esse cenário.

6. Tecnologia limpa

A partir da redução no custo de tecnologias limpas, a energia renovável está aumentando dramaticamente, representando mais da metade da nova capacidade de energia global a cada ano desde 2015. Até 2030, isso devo evoluir ainda mais, de forma que os veículos elétricos serão uma grande parte da equação do transporte. Também veremos uma explosão de tecnologias baseadas em dados que tornam edifícios, redes, estradas e sistemas de água substancialmente mais eficientes.

7. Mudanças na tecnologia

A internet das coisas terá conectado cada vez mais dispositivos. A AI e o machine learning planejarão mais nossas vidas para nos tornar mais eficientes. AI criará novos tipos de empregos, mas também eliminará outros.

8. Política global

Ainda há incertezas sobre como governos e instituições globais trabalharão em sincronia para combater a mudança climática e a escassez de recursos, além de enfrentar a grande desigualdade e a pobreza. “O Acordo de Paris foi um começo significativo”, mas países como EUA recuaram da cooperação global. As guerras comerciais e as tarifas são a moda em 2019. Mais do que nos dias atuais, os negócios terão no futuro um papel importante na condução da sustentabilidade.

9. Populismo

A ascensão do nacionalismo e do radicalismo pode aumentar. “Nos últimos anos, os populistas foram eleitos ou consolidaram o poder em diversos países como EUA, Brasil e Hungria”. E ainda assim, nas últimas semanas, cidadãos de países como Turquia, Argélia e Sudão avançaram para uma autocracia.

Esse exercício de prever o futuro reforça como nossas escolhas são importantes, como indivíduos e como organizações. Os negócios, em particular, terão um grande papel no futuro do planeta, comenta Andrew Winston. “Daqui para a frente, funcionários, clientes e até mesmo investidores cobrarão das empresas um papel positivo diante dessas transformações”. Visto isso, o consultor recomenda como as lideranças devem se preparar para o futuro:

Envolva as times de negócios no clima

A mudança climática é a maior ameaça que a humanidade já enfrentou. Mas nem tudo está perdido, ainda. Para o especialista, as empresas têm um “incentivo econômico” e “responsabilidade moral” de trabalhar para reduzir os danos. Como? Procure engajar os funcionários, converse com consumidores e clientes sobre problemas climáticos por meio de seus produtos e altere as regras financeiras internas para privilegiar investimentos que favoreçam iniciativas pró-clima.

Considere mais o aspecto humano dos negócios

À medida que novas tecnologias modificam a sociedade e os negócios, o impacto será enorme. “Essas mudanças e pressões fazem parte do motivo pelo qual as pessoas estão se voltando para líderes populistas que prometem soluções”, explica Andrew Winston. Desse modo, os líderes das empresas devem pensar no que essas grandes mudanças significam para as pessoas que compõem nossas empresas, cadeias de valor e comunidades.

Adote a transparência

"Para ser franco, você não tem escolha”, lembra Winston. Cada geração espera mais transparência das empresas onde trabalham e das quais compram.

Escute a próxima geração

Os líderes da geração millennial estarão próximos dos 50 anos até 2030; eles e a Geração Z formarão a grande maioria da força de trabalho. Agora é a hora de ouvir as prioridades e valores deles.

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