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O caminho da sobrevivência: é hora de acelerar a transformação digital nas telcos

Operadoras não podem combater o mercado em transformação, mas podem adotá-lo

Francisco DePaula*

18/11/2019 às 15h53

Foto: Shutterstock

A recente sanção da nova lei que define o modelo de telecomunicações no país traz mudanças importantes nas regras das concessões, nos investimentos em banda larga, um novo modelo de gestão do espectro, entre outros pontos. Sua regulamentação ainda deve levar cerca de um ano para ser concluída e as discussões sobre ela seguem amplas. Mas, apesar de todas as transformações que deve promover, a Lei Geral de Telecomunicações não deve conseguir garantir a adesão desse mercado à transformação digital. Ou seja, uma mudança profunda no mindset cultural das empresas do setor e a busca dessas companhias pela adoção de novas tecnologias que possam tornar seus serviços mais ágeis, escaláveis e estratégicos.

O modo como nos comunicamos evoluiu rapidamente, na velocidade de um clique. Em menos de 30 anos, passamos dos telefonemas, para o SMS, mensagens de voz, bate-papo por vídeo e realidade virtual. No final do ano passado, segundo dados compilados pelo portal Statista, o número de usuários de smartphones já ultrapassava os 2,5 bilhões em todo mundo. O valor é bem similar à quantidade de pessoas conectadas pelas redes sociais, que somam mais de 2,6 bi.

Esse rápido ritmo de mudanças apresenta um mercado repleto de desafios, mas também de oportunidades para as empresas de telecomunicações. Mas surfar essa onda e aproveitar o melhor dessas mudanças depende da construção de estratégias efetivas que já deviam estar em curso. Essas companhias precisam adotar a transformação digital e usá-la em seu benefício hoje e no futuro.

De acordo com pesquisa publicada pela Harvard Business Review em abril deste ano, a transformação digital (TD) era a maior preocupação para diretores, CEOs e altos executivos de grandes empresas. No entanto, 70% de todas as iniciativas de TD não atingem seus objetivos. Estima-se que US$ 900 bilhões dos US$ 1,3 trilhão gastos em TD no ano passado foram desperdiçados. Isso acontece porque na maioria dos casos, o que foi executado não combina com a estratégia escolhida. Um erro que pode custar muito mais que alguns milhares de dólares, chegando a levar as empresas ao desaparecimento.

Falando especificamente de telecomunicações, é preciso trabalhar uma mudança de mindset cultural antes de investir na transformação digital. As companhias precisam se enxergar de outra maneira. Tradicionalmente, essas organizações são muito dependentes de tecnologias legadas, mas não precisam se limitar a isso. Por exemplo, se antes era eficiente receber turn keys dos grandes operadores e só operar a tecnologia, agora isso não basta. É preciso e possível ter um nivelamento tecnológico com grandes players.

Ao invés de olhar companhias over the top, como Facebook e Netflix – que estão extraindo valor de produtos tecnológicos – como concorrentes, as telcos devem escolher outra opção. Elas não podem combater o mercado em transformação, mas podem adotá-lo. Os consumidores já ajustaram seu comportamento e, com isso, o que eles precisam das empresas de telecomunicações também mudou.

Em vez de fornecer serviços diretos, as telcos estão se tornando canais para os clientes acessarem plataformas digitais. O problema – de novo – é que o mindset cultural das telecomunicações parou no tempo. As telcos, ainda hoje, demoram muito para reagir, pois têm a visão de um único meio tecnológico, e não de um processo com começo, meio, fim e possibilidades.

A demora na tomada de decisão é um grave problema, porque abre flancos. Para permanecerem competitivas e lucrativas no mercado aprimorado digitalmente, as telecomunicações devem se esforçar para obter eficiência – principalmente quando se trata de custos. O melhor caminho para isso é se aproximar justamente da inovação tecnológica. As soluções open source aparecem como uma excelente opção, pois podem fornecer pacotes com o que há de mais inovador no mercado, possibilitando que, a partir deles, as telecomunicações construam suas próprias ofertas.

Hospedagem baseada em nuvem e processos automatizados, por exemplo, podem ajudar essas empresas a minimizar seus próprios custos de operação e também o custo de suas ofertas, além de melhorarem a produtividade.

Outro ponto de mudança, onde o open source também pode ser útil, é no treinamento abrangente da equipe. Falta muita preparação e capacitação para que os times possam lidar com as novas tecnologias. É preciso investir em soft e hard skills, preparar líderes e liderados para aderirem à transformação digital que, verdadeiramente, precisa vir de dentro para fora.

Sabemos que prever o futuro é um desafio diário, mas estar preparado para ele, independente de qual seja, é um dever de qualquer companhia. Hoje falamos sobre o 5G, automação, Internet das Coisas (IoT). Amanhã, em cinco ou dez anos, esse cenário pode ser outro completamente diferente. Mas acompanhar as mudanças é uma questão de sobrevivência. Mais do que isso, estar aberto a elas é essencial.

*Francisco DePaula é Head de Tecnologia da Informação e Comunicação da Red Hat Brasil

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