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Transformação digital e bicicletas
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Transformação digital e bicicletas

Projetos de transformação deveriam fazer o dia a dia mais simples, aproximar clientes e levar produtos de forma mais prática para as pessoas

Lauri Paulo Laux Jr.*

29/10/2021 às 16h18

bicicleta, bike, tecnologia, notebook
Foto: Shutterstock

No meio da década de 80, um jovem
chamado Steve Jobs contou a um repórter que pensava no computador
pessoal e na tecnologia como uma bicicleta para a mente. Explicou que o
ser humano não é tão rápido quanto um animal correndo, mas quando o homem usa
uma bicicleta, se torna a criatura mais ágil do planeta.

Com este contexto, a tecnologia,
os computadores, e a internet, quando usada pelo homem, engrandece a sua criatividade
e realizações muito além do que ele sozinho consegue fazer. Isso, para mim, é
uma transformação digital concentrada.

Muito se fala em transformação
digital e como as empresas que não se modernizarem estarão, em um futuro breve,
fora do mercado ou, pelo menos, bem longe dos seus concorrentes que se
adaptarem a um mundo cada vez mais conectado, distribuído e dinâmico. E os
sinais que mostravam esse caminho para nós se transformaram em ações durante a
pandemia de Covid-19 que trouxe uma crise sanitária e médica sem precedentes no
mundo moderno pós invenção da internet.

Dentre todas as coisas terríveis
que essa doença nos trouxe, o distanciamento social foi um dos aspectos que
mais mudaram a forma como as empresas trabalham, deixando clara a vantagem
competitiva das empresas que estavam já no mundo digital. E estar inserido
neste universo significa ter a rapidez para mudar a rotina de trabalho para o
modelo remoto sem que o trabalho fosse significativamente impactado.

Claro, até mesmo as empresas de
tecnologia tiveram algumas dificuldades, mas de forma geral, elas foram em
pouco tempo sanadas e o trabalho, mesmo remoto, fluiu normalmente. Esse
movimento de se tornar mais digital, descentralizado e ágil para tomar decisões
será ainda mais importante neste mundo pós pandemia.

E o que significa construir um
produto digital em uma empresa pós-covid que quer se modernizar? Significa
construir algo que tenha propósito, que resolva problemas, que ajude as pessoas
a realizarem tarefas de uma forma mais rápida ou mais eficiente que antes.

Um projeto de transformação
digital não deveria focar apenas em colocar a empresa na nuvem, lançar um
aplicativo mobile ou abraçar qualquer tecnologia nova apenas porque ela é a
nova buzzword do mundo da tecnologia. Deveria ser utilizada para fazer
seu dia a dia ser mais simples, aproximar os clientes da empresa e levar seu
produto ou serviço de forma mais prática para as pessoas. Claro que, para fazer
isso, temos que fazer uso da tecnologia, mas como uma ferramenta para alcançar
esses objetivos, e não o inverso. Ou seja, temos que usar a tecnologia como uma
bicicleta para a mente.

Existem momentos em que a empresa
deve optar por investir em tecnologia apenas porque é legal estar à frente ou
para se posicionar no mercado? Em alguns casos, sim, mas com consciência de que
para fazer parte de um novo mercado, a tecnologia tem que ser criada do zero.
Um exemplo disso é que sem os celulares com GPS e banda larga provavelmente o
Uber não existiria, pelo menos não da forma que conhecemos hoje. 

Em casos como o do Uber é
necessário investir em pesquisa e desenvolvimento e em uma gestão de projetos
com uma forte pegada ágil para dar pequenos passos na direção que a empresa
acredita que o produto deve ir; e depois de dar o passo, olhar para os lados,
ver até que ponto o produto chegou e avaliar se o caminho está correto; e se
não estiver, é hora de voltar e tentar de novo, para só então dar o próximo
passo. 

Independentemente se a sua empresa
está tentando modernizar seus processos internos ou criar um mercado, é preciso
coragem para mudar. Sim, é uma frase batida, todo mundo já sabe disso. Mas é
necessário enfatizar que mudar mexe com as pessoas, traz insegurança e
ansiedade e é preciso coragem e clareza para guiar a empresa para esse novo
momento.

Automatizar processos manuais ou
integrar plataformas digitais muda a vida das pessoas que hoje fazem isso
manualmente e que irão se sentir ameaçadas por esse tal mundo novo. É preciso
capacitar, criar alternativas e incorporar essa gestão de ansiedade e
insegurança como parte do planejamento para que qualquer iniciativa de
transformação digital seja bem-sucedida.

As empresas também precisam ter
coragem para mudar a forma como encaram os projetos. Em um ambiente de
inovação, os produtos raramente, ou praticamente nunca, terminam da forma como
foram pensados no início, e está tudo bem. É normal, e até mesmo desejável, que
o produto se altere para solucionar melhor o problema que ele se propõe a
resolver.

Conforme o produto é construído,
vamos descobrindo mais detalhes e nuances do problema e o projeto precisa
incorporar essas mudanças. É um mito que existam projetos que terminam com
prazo, escopo e custo fechado. Se você acha que existe, ou acha que já viu,
provavelmente o problema que ele resolveu na sua entrega foi o problema
levantado no seu planejamento e não o problema real. Ou seja: uma ilusão de
ótica. Nem mesmo a NASA consegue prever tudo o que pode ocorrer em um projeto.
O telescópio James Webb está aí para nos mostrar que nem sempre e nem para
eles, é possível prever tudo.

A mudança na forma de ver os projetos deve ser exercitada e perseguida. Um triciclo, por exemplo, talvez já seja rápido o suficiente para você chegar onde quer chegar, e aquele projeto de carro elétrico seja muito mais complexo e custoso do que você imaginava.

Então, nada mais lógico do que construir o triciclo primeiro, testá-lo, andar por aí com ele e ver como ele facilita sua vida e resolve alguns dos seus problemas. Resolve? Então é o momento de pensar de novo no carro elétrico e, se ainda tiver sentido construí-lo, dar mais alguns passos na sua direção. Após mais esse passo, talvez você descubra que um triciclo elétrico é tudo que você precisa, o que te fará desistir de construir o carro, economizando muito dinheiro e dor de cabeça.

Por fim, a pergunta que fica
dessas reflexões em torno de mudanças, transformação digital, bicicletas,
triciclos e telescópios é: como você vai disponibilizar a bicicleta para a
mente de uma forma que seus funcionários e clientes possam ser muito mais ágeis
e felizes do que eles são hoje?

* Lauri Paulo Laux Jr. é CTO da ateliware

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