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Maturidade corporativa e as mudanças inevitáveis no modelo de gestão

‘People-centric’ não é apenas um conceito, é uma palavra de ordem que garante o sucesso e a vantagem competitiva

Flávio Pimentel*

10/09/2021 às 15h56

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Foto: Shutterstock

O Brasil está enfrentando um dos
piores cenários político, econômico e sanitário dos últimos tempos. Diante de
todos os acontecimentos, para as empresas pequenas, médias ou grandes, o
momento ainda é de bastante incerteza e dúvida. Desde março de 2020 os gestores
estão forçados a tomarem decisões rápidas e decisivas, que certamente
impactaram os negócios, tanto positiva como negativamente. 

Com o home office
implantado em toda a pirâmide organizacional, não somente as dinâmicas
corporativas sofreram bastante mudanças. As pessoas foram as mais afetadas com
todas essas alterações repentinas - as percepções e preferências agora são
diferentes - surgindo nos colaboradores uma necessidade por boas e
satisfatórias experiências no dia a dia de trabalho, que lhes permitam certa
flexibilidade e direito de escolha quando o assunto é presencial ou remoto.

De acordo com um levantamento da
Orbit Data Science, após alguns meses de home office integral, a satisfação de
parte dos brasileiros caiu de 71,3% em fevereiro de 2020, antes da pandemia,
para 45% em junho do mesmo ano. Nos meses seguintes houve uma adaptação de
muitos profissionais, mas o percentual dos insatisfeitos chegou a 43% em
outubro do ano passado.

A mesma pesquisa aponta ainda que,
enquanto alguns profissionais se adaptaram ao modelo 100% remoto, outros
preferem o modelo híbrido, que permite estar no escritório alguns dias da
semana, buscando, assim, por maior interação com seus colegas e menor
sobrecarga de demandas. 

Um recente estudo da Deloitte
feito com 662 companhias brasileiras com faturamento entre 100 milhões a R$ 1
bilhão, antes da Covid-19, mostra que 24% das empresas ofereciam teletrabalho
ou políticas flexíveis - após a pandemia esse número saltou para 98%.

Diante dos dados, como os C-levels
e tomadores de decisão devem agir para se manterem ativos no mercado, gerando
receita satisfatória? O que muitos ainda não sabem é que será preciso alterar o
modelo de gestão para essa sobrevivência acontecer. Ser people-centric não é
mais apenas um conceito, é uma palavra de ordem que garante o sucesso e a
vantagem competitiva das companhias.

As empresas precisam se adaptar às
mudanças que a sociedade vem realizando. Não há mais espaço para gestões
centradas somente em resultados, sendo que as organizações prosperam graças ao
seu time de funcionários. O sucesso está diretamente ligado ao engajamento e
felicidade de quem faz parte de sua empresa. E a pergunta seguinte é: como
fazer a gestão eficiente centrada em pessoas? A resposta é simples: por meio de
dados.

Com as informações corretas sobre
a rotina individual de cada colaborador, os gestores conseguem fazer uma gestão
assertiva do uso dos escritórios e, inclusive, ir além - atingindo também o
home office. Não basta a infraestrutura funcionar perfeitamente se as pessoas
que usufruem do escritório não estiverem satisfeitas com o local. Se atente em
saber se o escritório é realmente útil no dia a dia de trabalho.

Detalhes como flexibilidade no
agendamento/cancelamento de salas, mesas e refeitórios são alguns dos itens que
merecem atenção daqui para frente. Optar pela dinâmica do mix entre o
presencial e o remoto também é algo que os funcionários buscam bastante, por
ser um modelo que propicia às pessoas conciliar o trabalho com as agendas
pessoais - o que é visto hoje em dia como item crucial para se obter qualidade
de vida e mais tempo com a família. Empresas que não se atentarem a isso
certamente perderão talentos e isso impactará a receita. Funcionários felizes
performam muito melhor do que aqueles que estão descontentes e desengajados por
conta de uma cultura empresarial nada empática.

A maturidade corporativa vem
quando os CEOs, CFOs e todos os líderes conseguem enxergar as necessidades de
mudanças e colocá-las em prática. De nada adianta manter o mesmo estilo de
liderança e cultura corporativa quando as pessoas criaram outras percepções e
novas necessidades surgiram. É preciso entender que para se manter ativo no
mercado será mandatório rearranjos nos escritórios, flexibilizações, políticas
de RH que olhem com atenção para a saúde mental e o mais importante: investir
fortemente em Employee Experience (EX).

Lembre-se que um ambiente
corporativo mais agradável, com colaboradores engajados e felizes, pode trazer
clientes mais satisfeitos e, consequentemente, melhores resultados para sua
empresa. Não é o momento de ignorar ou adiar essa forte tendência dentro de sua
companhia. Invista no que seus funcionários querem e veja o benefício retratado
nos índices de crescimento do seu negócio.

* Flávio Pimentel é CEO da
Neowrk