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Cultura digital em tempos de pandemia foi o tema discutido durante o IT FOrOn Breakouts
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Cultura digital em tempos de pandemia foi o tema discutido durante o IT FOrOn Breakouts

Executivos de tecnologia e indústria abordam impacto causando pela pandemia do Covid-19 dentro dos projetos envolvendo transformação digital

29/04/2020 às 20h41

Foto: Shutterstock

A mobilidade é um dos fatores que mais serão impactados no mundo corporativo durante o pós-coronavírus.  

De acordo com a pesquisa Liderança durante a crise, elaborada pela IT Mídia para entender como os CIOs estão lidando com o momento atual, 95% dos respondentes afirmaram que a intensificação do home office como cultura é um tema que está em alta dentro das discussões entre os C-levels.

Além disso, 51% dos CIOs respondentes mencionaram a digitalização do portfólio de produtos como uma das medidas adotadas para garantir a operação da marca dentro do ambiente online.

E quais seriam os outros impactos que a pandemia do Covid-19 causou dentro das corporações? Os participantes do sétimo episódio do IT ForOn Breaktouts tentaram responder essa pergunta.

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Como tema "Cultura digital: como as empresas se adaptaram rapidamente a um mundo que estava em construção?", executivos de tecnologia e da indústria debateram como a situação atual influencia seus planejamentos de negócios e perspectivas de curto prazo.

Participaram da conversa Oderico Claro (CIO Americas - Yara Fertilizantes); Roberto Carneiro (CIO-Sodexo); Henrique Campos (CIO – Prudential Financial); Samantha Martins (CIO – Iguatemi Shoppings); Giampaolo Michelucci  (VP - Dell Technologies); Tiago Miranda (Diretor comercial – Microcity); Rodrigo Parreira (CEO Latam -  Logicalis); Andre Beller (Head of Sales Latam - FIS); Carlos Gazaffi (Presidente – TIVIT); e Vitor Cavalcanti (Sócio-diretor – IT Mídia). 

"A gente vem num processo de transformação muito grande, não só digital, mas do negócio”

  • Oderico Claro, Yara Fertilizantes

Presente em 60 países e com um terço na operação dentro da Brasil, a Yara fertilizantes já investia em tecnologia para se destacar dentro do setor, que atua de forma mais conservadora quando se fala na adoção em novas tecnologias. 

Tanto para a transposição dos 1,3 mil funcionários para o home como para modernizações internas, a empresa está envolvida em um projeto de mudança de cultura e mindset, para que a companhia mantenha a competitividade durante a crise. 

“A grande questão dessa transformação agora é que existem determinados fundamentos que estão sendo questionados. E isso mexe com aquilo que a gente faz de negócio atualmente”

  • Roberto Carneiro, CIO da Sodexo

O mercado de alimentação, um dos principais negócios da Sodexo, foi bastante afetado por conta da política de isolamento. Em meio a esse cenário, a empresa busca se adaptar para diminuir custos e manter rentabilidade. 

Uma das iniciativas adotadas, explica o CIO, foi realizar parcerias com aplicativos de entregas de comida e, ao operacionalizar a cozinha existente no escritório, implementar um modelo de negócios que vinha sendo discutido há bastante tempo e cuja ativação não deveria ocorrer tão cedo.

“Houve uma aceleração sem dúvida nenhuma e a gente tem que se adaptar a isso. E está sendo bom, porque a gente vê que coisas que a gente estava prevendo que fossem feitas em meses podem ser feitas em semana e dias. A gente sobrevive”, afirma 

“Quem planejou seu roadmap de transformação digital pra 2021 ou 2022 agora tem que executar tudo até o terceiro trimestre, até por uma questão de sobrevivência”

  • Henrique Campos, CIO da Prudential Financial

O CIO acredita que assuntos como machine learning, conversão de legados, RPA e otimização de microsserviços ganharão mais serão implementados à toque de caixa nos próximos meses, por conta do movimento que vem surgindo no setor de capacitação e otimização dos processos para deixá-los mais independentes, por conta da pandemia.

Toda essa movimentação também impactará de forma profunda a relação entre TI e RH, que deve ficar bem mais próxima durante o pós-pandemia, quando novos formatos de trabalho precisarão ser discutidos, bem como a reformulação da cultura para empresas que não tinham a mobilidade como prática do dia a dia.

Nosso objetivo é entender melhor como a gente resolve a vida do cliente, seja se tornando uma uma grande conveniência ou prestando um serviço de curadoria”

  • Samantha Martins, CIO do Iguatemi Shoppings

Com os shoppings operando de forma bastante reduzida, a equipe do Iguatemi está utilizando o tempo atual para se aprimorar em uma nova linha de frente, seguindo a tendência de que esse espaço se torne cada vez mais um centro de relacionamento, encontro e entretenimento.

Por isso, um dos objetivos com o lançamento do marketplace Iguatemi 365, que reúne a operação online de alguns dos lojistas que possuem unidades em um dos estabelecimentos da marca, é entender mais sobre o comportamento do usuário e criar soluções que fomentem a fidelização do público.

“Hoje, não é suficiente falar com [o executivo de] IT, porque a demanda quem ‘driva’ são as áreas de negócios”

  • Giampaolo Michelucci, VP da Dell Tecnologies

Para o VP é cultura, e não a tecnologia, o aspecto mais importante dentro da transformação digital, “não adianta ter um notebook, ter uma VPN e não se atentar que as necessidades do arquiteto são diferentes da do engenheiro. É preciso dar os recursos certos para o perfil certo”.

Quando se fala no fechamento de contratos, Michelucci contextualiza que o executivo de hoje precisa apresentar sua solução de forma clara consistente não apenas para a área de TI, mas também para as divisões de negócio, que querem estar cada vez mais envolvidas nessas negociações para entender o impacto de um novo produto no dia a dia e acelerar a adoção dessa nova ferramenta.

“A TI sai mais forte depois dessa crise”

  • Tiago Miranda, Diretor comercial da Microcity

O executivo observa que setores como educação precisaram se adaptar de forma muito rápida para continuarem com a obtenção de receita, sendo que a TI teve um papel essencial para a formação dessa nova realidade. 

“Tanto competência como agilidade e flexibilidade serão muito fortes nesse momento, tanto para clientes como para indústria”, afirma. Outra questão analisada pelo diretor é a retorno que muitas das empresas parceiras estão fazendo para projetos que antes estavam parados.

“A pandemia não trouxe nenhuma tendência nova no mercado, a gente fala a mesma coisa de transformação digital do que falava há anos. Mas vai ter uma aceleração”

  • Rodrigo Parreira, CEO latam da Logicalis

Gerenciando a operação de 11 países da região, Parreira acredita que o momento atual será impulsionado por diversas inovações surgidas por conta da necessidade, “atropelando” planejamentos e timelines.

O processo de transformação digital, avalia, será mais desafiador para uma parcela dos CIOS que possuem maior dificuldade para utilizarem e se adaptarem a novos modelos de trabalho, como o uso de metodologias ágeis e serviços de automação.

Porém, o executivo acredita que esse é um caminho sem volta “A indústria já estava mostrando [essa necessidade de adaptação] e a crise tende a acelerar a maneira de fazer as coisas. Agora começa a surgir de fato a agenda de inovação”. 

"Percebi uma maior abertura de decisão com mais propósito. Não só discutir a tecnologia pela tecnologia, mas como um propulsor da aceleração”

  • Andre Beller, Head of sales Latam da FIS

Dentro da rotina de Beller, o executivo tem percebido que um dos resultados da cultura digital é a percepção do uso da tecnologia como um meio e não como o fim. “Mudou a dimensão da discusão, agora ela é muito mais focada no objetivo que a empresa quer atingir”, explica.

E essa nova realidade exige adaptações. O executivo citou um caso atual, no qual a FIS atua auxiliando governos e prefeituras a distribuir cartões pré-pagos para pessoas que são elegíveis a esse auxílio.

Além da estrutura tecnológica, a empresa pensou em alternativas como chatbot e a criação de canais de atendimento que não dependessem da internet ou de um smartphone, para dar mais acessibilidade ao público que não tivesse um smartphone.

“É importante transformar a empresa em uma companhia ágil, com altíssima capacidade de adaptação. Isso ajuda não só em pandemia, mas para competir com outras empresas maiores”

  • Carlos Gazaffi, Presidente da TIVIT

Para as empresas que estão em setores cuja receita caiu de forma brusca, o executivo acredita que o momento atual exige a conversação prioritária de serviços essenciais, reduzindo custos extras e paralisando de fato novas iniciativas, a fim de garantir a continuidade do negócio.

Agora, para os negócios que conseguiram manter o ritmo durante a pandemia, Gazaffi enxerga uma ótima oportunidade para a aceleração da transformação digital. “Eu vejo esse novo momento em ondas. A primeira diz respeito à manutenção das atividades principais do negócio e esse momento já passou. Os serviços essenciais foram suportados e agora precisamos focar em serviços inovadores.” 

Para o CEO, essa nova fase passa por um investimento forte na atualização dos funcionários sobre novas tecnologias, além de implementar dentro da companhia uma mudança de visão que auxiliem os colaboradores a se adequarem a esse novo momento.

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