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Nervos e TI de Aço

Leia como os CIOs de Vale do Rio Doce, Grupo Usiminas e Arcelor estão se adaptando à globalização das empresas e ao sem número de fusões

Marina Pita

15/01/2008 às 13h52

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A indústria siderúrgica nacional está rindo à toa depois de registrar crescimento de quase 10% em 2007, de acordo com o Instituto Brasileiro de Siderurgia, sendo a projeção ainda maior para este ano. O setor passa por uma onda mundial de consolidação, na qual as empresas brasileiras têm se mostrado extremamente competitivas, participando de grande parte das aquisições bilionárias. Para os CIOs, no entanto, este panorama significa mais exigência e a necessidade de mudar, por exemplo, o desenvolvimento interno de softwares por produtos de mercado.

A Vale do Rio Doce, por exemplo, mudou drasticamente a organização e a função do departamento de tecnologia em maio de 2007, quando toda a parte operacional saiu das mãos da CIO, Adriana Ferreira, e sua equipe e passou para uma área denominada serviços compartilhados. Adriana, agora, está centrada na área estratégica e arquitetura de TI, para suplantar os negócios e o crescimento vertiginoso da companhia, segunda maior siderúrgica do mundo. Além disso, desde maio a executiva é responsável pela TI de uma empresa global e não mais regional, uma grande mudança de escala.

O crescimento do setor e a movimentação no mercado requerem dos profissionais de TI, de acordo com Newton Afonso, CIO da Arcelor Mittal, muita flexibilidade e agilidade. “Após a aquisição de uma empresa, ou uma fusão, o departamento de TI precisa, imediatamente, dar suporte à empresa, para consolidar a gestão do negócio,” explica. “Nesse momento, tivemos de abrir mão da customização de sistemas, por exemplo. Hoje adotamos soluções padrão de mercado. Perdemos algumas particularidades, mas não há mais tempo para elas, é o que aprendemos na Arcelor Mittal,” garante.

Acrísio Tavares, CIO do Grupo Usiminas, divide a mesma opinião de Afonso: “Só mantemos o desenvolvimento em nossas mãos do que faz parte da essência do negócio, a venda de aço,” complementa.

Novos projetos

Diante da globalização das siderúrgicas e da demanda extremamente aquecida puxada pela China, que faz com que as transformadoras de minério estejam trabalhando no gargalo, o planejamento de extração de minério, produção, estoque e venda de aço nunca foi tão importante. É justamente neste emaranhado de informações – ou na falta delas - que os CIOs estão debruçados neste momento.

A Vale do Rio Doce está desenvolvendo seu projeto de Business Intelligence (BI), cuja primeira fase foi concluída no final de outubro de 2007. “Por conta da globalização tornou-se imprescindível ter a visão global da empresa. É preciso ter colaboração, equalização e integração desse mundo inteiro e BI,” garante Adriana.

A TI da Usiminas, coordenada por Tavares, tem uma série de projetos saindo do papel para tornar mais rápidos os processos de negócio da empresa. Entre eles, um de certificação digital, que deve reduzir o tempo de assinatura de contratos de semanas para dias (Clique aqui para ler mais sobre o projeto de certificação digital da Usiminas). Além disso, está prestes a estrear seu portal de compras coorporativo. “O portal fará compras para todas as empresas do Grupo, tornará as operações mais ágeis e transparentes,” comemora Acrísio.

Mas o grande projeto da Usiminas, uma parceria com a Accenture, é a implementação de uma solução integrada da cadeia de suprimentos e logística em todo o sistema Usiminas. “Hoje nós temos duas grandes usinas, vários centros de serviços e uma série de empresas coligadas. Tudo deve estar integrado para ter um planejamento de negócios”, afirma Acrísio.

A necessidade de reduzir o volume de estoque de produtos também levou a Arcelor Mittal a iniciar seu projeto de informatização da gestão de logística. “Tivemos de convencer as pessoas de que toda a informação é valiosa e imprescindível para o bom funcionamento da empresa,” afirma Afonso.

Além disso, ele será responsável por fazer parte do planejamento da produção. “Estamos usando TI para ajudar a determinar qual unidade produzirá que produto, otimizando as plantas, reduzindo custos,” explica Afonso, acrescentando: “Hoje existe uma demanda muito grande no setor por redução de custos de transporte e distribuição. TI precisa estar atenta a isso. Eficiência, qualidade, agilidade e redução de tempo de entrega são nossas metas”.

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