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“Não tem Big Mac sem TI”, diz CIO do McDonald’s sobre importância da área

Renata Zepelini, CIO do McDonald's, revela como a tecnologia tornou-se estratégica para os negócios da empresa

Déborah Oliveira

29/03/2019 às 7h55

Foto: Divulgação

Há 30 anos, poucos sabiam o que era tecnologia da informação (TI). Renata Zepelini, CIO do McDonald's, foi uma exceção. Incentivada pelo pai, que trabalhava na contabilidade de uma grande montadora, ela resolveu investir nessa carreira promissora. O empurrão foi o gosto por exatas.

Iniciou o curso de Processamento de Dados, no Mackenzie, e se apaixonou. “Sempre fui solucionadora de problemas e gosto de processos. Encontrei-me na TI”, revela. Logo que iniciou os estudos, ingressou em um estágio em uma empresa de elevadores na área de engenharia de equipamentos para Petróleo. A companhia tinha acabado de montar uma área de microinformática e Renata assumiu a missão de estruturar cálculos para que o time de engenheiros pudesse usar em fórmulas. “Comecei a entender que tecnologia tinha aplicação para muitas coisas”, lembra.

Já nessa fase, Renata trabalhava na área de negócios e assim trilhou sua carreira por muitos anos, presenciando de perto diversas revoluções na tecnologia. Da chegada dos mainframes, passando pela microinformática até a transformação digital, que permeia hoje todo e qualquer negócio. “Isso me motivou a evoluir sempre”, assinala ela.

Depois de trabalhar por mais de sete anos na Duratex, Renata passou para o lado de consultoria e foi atuar na Andersen Consult. Era o começo da década de ouro dos ERPs da SAP e Renata estava lá surfando essa onda.

“Comecei a implementar SAP em uma época que ninguém sabia. Foi uma oportunidade. Eu tinha muito senso de pertencimento e com a Andersen Consult aprendi que estamos nas empresas para aprender o que for preciso”, revela.

Na Ericsson, fez a primeira implementação do SAP na fábrica, em uma operação crítica, de 24x7. Foi lá que surgiu um dos grandes desafios da sua carreira: terceirizar a operação de São José dos Campos, mas manter todas as posições na TI. Depois de finalizar com sucesso a iniciativa, Renata concluiu que o desconhecido não gerava medo. “Olho para o desconhecido com curiosidade. Assim tem sido com a transformação digital. É nesse cenário que consigo mover a organização para usar tecnologia. TI facilita a vida das pessoas. Facilita para o conhecimento e o aprendizado”, conta.

Já são 32 anos na estrada da TI e a atuação em diversos setores mostrou para Renata que tecnologia por tecnologia efetivamente não gera valor. O aspecto relevante está em revolucionar os negócios.
É com esse espírito que Renata e seu time têm promovido uma verdadeira revolução nos negócios do McDonald's no Brasil. A rede de fast food tem ampliado sobremaneira a quantidade de restaurantes em solo nacional e a tecnologia é forte aliada dessa missão. “Essa expansão tem como frente o fortalecimento da experiência do cliente”, afirma a executiva.

Em 2017, o McDonald's iniciou com força total sua jornada rumo ao digital com a instalação de totens de autoatendimento em suas lojas, além de telas sensíveis ao toque onde o cliente pode fazer o pedido e pagar sem a ajuda de um funcionário, e tablets no balcão. A tecnologia passou a ser presente não só a olho nu, mas começou a permear todo o processo de produção dos pedidos. “Hoje, não tem Big Mac sem tecnologia”, define, citando um dos tradicionais lanches da rede.

“O grande desafio é como conseguir fazer mais rápido. Disponibilidade no ponto de vendas é importante para nós e trabalhamos para conseguir que ela seja a mais alta possível”, revela, indicando que a empresa tem lançado mão de internet das coisas (IoT) e robôs para atingir seus objetivos.

Olhar voltado para pessoas

Com um perfil de liderança colaborativo e participativo, Renata entende que o papel do CIO, hoje, não é o de apenas dar comandos. É preciso engajar o time. Esse olhar foi e tem sido fundamental na proposta de transformação do McDonald's.

O RH é forte parceiro nessa jornada, destaca, especialmente porque o líder da área tem formação em TI e entende o valor da mudança para as pessoas e para os negócios. “Tenho aqui jovens ainda na faculdade e pessoas com mais de 30 anos de carreira. O desafio é colocar todos juntos, usando experiência, maturidade e conhecimento para inovar”, conta. “Transformar a cabeça das pessoas, da TI e de todas as áreas é possível. Tudo isso com firmeza e propósito”, indica.

CIO do amanhã

Renata sabe que o líder da TI tem protagonizado novas formas de trabalho e aconselha a nova geração e até mesmo os CIOs que ainda não entenderam os sinais dos tempos. “A tecnologia saltou os muros das grandes organizações, onde tudo era sempre de ponta e moderno. Hoje, todos têm acesso à tecnologia e não se trata mais da tecnologia que será implementada, mas qual experiência o cliente espera ter no meu produto e serviço”, indica.

É um cenário, prossegue, de lidar com a pressão da empresa, com a ambiguidade e a incerteza de uma nova sociedade. “Líderes de TI focados em tecnologia terão dificuldade de lidar com esse novo contexto. É preciso se reinventar.” Renata indica que não há fórmula para alcançar o sucesso. O segredo, no entanto, é, de fato, conduzir um trabalho colaborativo.

“O trabalho do CIO até pouco tempo era solitário. Era preciso tomar decisões. Não que elas não existam hoje, mas ao dividir ideias com o time é possível tomar decisões de forma colegiada e isso também é desafiador”, indica.
Questionada sobre qual legado deseja deixar para seu time frente a todos os desafios impostos pelo digital, Renata não hesita em responder: “É trabalhar com propósito. É buscar a melhor experiência para nossos clientes”, finaliza.

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