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Na SUSE, mentoria ajuda a moldar o futuro das mulheres em tecnologia

Prioridade de Melissa Di Donato como CEO foi implementar programa de mentoria para auxiliar mulheres nas suas carreiras

Sharon Florentine, CIO (EUA)

28/11/2019 às 10h00

Foto: Divulgação

Uma das primeiras medidas que Melissa Di Donato tomou depois de ser nomeada CEO da SUSE, em julho de 2019, foi o lançamento de um programa de mentoria. "Cada movimento que fiz na minha carreira teve algo a ver com o conselho de um mentor", disse Di Donato ao editor-chefe da IDG Communications, Eric Knorr, em entrevista.

A mentoria e o patrocínio são duas maneiras de combater a falta de diversidade na tecnologia, fornecendo apoio, destacando a carreira e as oportunidades de crescimento para mulheres e minorias que atuam na tecnologia.

Embora a diversidade ainda seja baixa, esse cenário é ainda pior na comunidade de código aberto. Uma pesquisa do GitHub de 2017 com 5,5 mil desenvolvedores descobriu que 95% dos entrevistados são do sexo masculino. Pensando nisso, Di Donato decidiu que buscaria resolver o problema na SUSE e ajudaria a impulsionar as mudanças em toda a comunidade de código aberto e no setor de tecnologia.

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“Os números na comunidade de código aberto são terrivelmente baixos, ainda piores do que em software. E isso é estranho, porque nesta comunidade você está 'em branco'; você está carregando códigos para cima e para baixo em fluxos. Um terço da nossa força de trabalho trabalha em casa. Você não sabe se alguém é homem ou mulher - e, no entanto, há falta de mulheres”, observa Di Donato. "Este é um ótimo lugar para eu estar, porque posso tentar mudar as coisas daqui."

A mentoria era uma medida óbvia, tanto por conta da maneira como o mentor afetou a vida e a carreira de Di Donato, mas também pelos efeitos de longo alcance que o mentor pode ter no desenvolvimento, retenção, engajamento e diversidade na carreira.

"As mulheres confiam na orientação e nesses tipos de programas mais do que os homens", afirma a CEO. De acordo com estatísticas de um relatório sobre orientação da Development Dimensions International, empresa de consultoria global, as mulheres se beneficiam da mentoria por conta do acesso oferecido ao capital social e às redes profissionais. Mas, como Di Donato aponta, são necessárias mais mulheres.

“O que as estatísticas mostram é que as mulheres têm 81% de seus mentores sendo homens e menos de 20% deles sendo mulheres. Precisamos de mais mentoras dentro da empresa”, declara a executiva. A própria Di Donato orienta cinco pessoas - três homens e duas mulheres.

Apesar das exigências de um cargo de CEO, ela faz da orientação uma prioridade e espera liderar pelo exemplo. "Eu ainda atuo com mentoria, porque é muito importante para mim. Claro, às vezes tenho que dar a ressalva de que agora sou CEO, é mais difícil ficar conectada e encontrar tempo. Mas eu faço acontecer."

Método de mentoria na SUSE

O programa de mentoria da SUSE ainda está no início, mas até agora, um em cada cinco funcionários se ofereceu voluntariamente. Além disso, seis sessões de treinamento foram realizadas, com funcionários que desejar aprender a atuar como mentor de forma eficaz para os novos colaboradores.

“É um programa interdepartamental. Passamos pelas primeiras fases de treinamento e educação para quem se ofereceu como mentor e para quem queria um mentor; agora atribuímos mentores a todos os novos funcionários que chegam à SUSE também”, explica Di Donato.

As sessões de treinamento se concentram nas melhores práticas de mentoria, desde a definição da agenda à frequência das reuniões. A chave do processo é examinar como é um relacionamento bem-sucedido de orientação e enfatizar a importância de liderar pelo exemplo.

O programa oferece dois modelos diferentes: um emparelha novos contratados com funcionários de diversas áreas para dar informações básicas sobre a empresa, cultura e expectativas. O outro modelo é específico de cada função. Atualmente, a companhia está trabalhando para integrar a estrutura, as metas e os objetivos do programa de mentoria em sua solução Workday HCM, para que possa combinar mentores e orientados de maneira mais eficiente.

“Queremos que ele 'combine' quase como um aplicativo de namoro. Adotamos características pessoais e profissionais, experiência e habilidades, e isso fará uma combinação com os tipos de metas e objetivos dos orientados”, revela Di Donato.

"Quase 100% das mulheres que trouxemos para o programa de mentoria até agora afirmam que isso melhorou a compreensão da empresa, como seria uma carreira e como chegar lá."

Os homens também estão lutando e oferecendo auxílio para a melhoria da cultura organizacional. “Ainda temos poucas mulheres na empresa, mas os homens estão se engajando e dizendo: 'Precisamos de uma força de trabalho mais diversificada. Como posso ajudar?'”, relata a executiva.

A companhia utiliza o Peakon na realização de pesquisas internas para medir o sucesso do programa de mentoria, bem como outras iniciativas, como dois novos grupos: um para mulheres em tecnologia e outro para funcionários LGBTQIA +.

Segundo Di Donato, não há cotas em vigor. Em vez disso, a intenção é enfatizar uma cultura de inclusão que abraça as diferenças. A executiva espera que o seu exemplo vá muito além da SUSE e também ajude a inspirar a próxima geração de mulheres na tecnologia.

“Você não pode ser o que não pode ver. As mulheres não têm muitos modelos e inspirar jovens da comunidade é uma grande iniciativa para mim pessoalmente, porque eu não sei na minha vida se vou ver uma força de trabalho 50/50", afirma.

“A única maneira de saber que o futuro será assim é impactando o jovem talento, as meninas de quatro, cinco, seis e sete anos. Agora elas têm uma chance de serem impactadas."

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