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Na linha de produção da Fiat Chrysler Automobiles, nasce um CIO

André Souza ingressou na Fiat como gerente de projetos, entendeu o papel da tecnologia em diferentes áreas de negócio até ocupar o comando da TI

Solange Calvo

08/02/2019 às 7h01

Foto: Divulgação

Desde os 14 anos de idade, quando começou a trabalhar em bancos, André Souza, hoje CIO da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para América Latina, exerceu diferentes funções como caixa, atendimento e contabilidade. Foi nas instituições financeiras que descobriu o poder da tecnologia e teve a certeza de que ela iria balizar a sua carreira.

Depois da experiência no segmento financeiro, seguiu a jornada em empresas de TI e na área de TI de companhias atuantes em diversos setores da economia, até ingressar na Fiat em 2001 como gerente de projetos.

Justo na época em que a montadora estava desenhando um processo de transformação tecnológica. “Foi um momento favorável. Pude atuar com tecnologia em diferentes áreas da empresa como Manufatura e Qualidade, Industrial, Logística, além de projetos internacionais”, recorda.

Ele diz ter sido um período de grande aprendizado, em que teve a oportunidade de entender todos os processos da empresa, em variadas frentes, contribuindo sobremaneira para seu desenvolvimento profissional e maturidade em relação ao potencial da TI como meio para a transformação do negócio.

A Planta de Betim (Minas Gerais), inaugurada em 1976, deu ao executivo esteira para seu desenvolvimento, quando ocupava a posição de gerente de TI para Manufatura e Qualidade. Fez parte da história da ascensão dessa unidade.
Em 2012, ela ganhou muita importância no grupo, destacando o Brasil no ranking global por ter batido recorde de produção de 3,2 mil carros por dia, credenciando-se na ocasião como a planta que mais desenvolvia automóveis no mundo, no ecossistema Fiat.

Fusão no meio do caminho
Em outubro 2014, com a fusão global Fiat-Chrysler, tornando-se Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e um dos maiores grupos mundiais do setor automotivo, Souza desenvolveu a habilidade de unir culturas diferentes. Fazer a fusão não simplesmente de tecnologias, mas também unir esforços para integrar processos, modelos de trabalho e pessoas.

“Foi necessária muita sensibilidade e empatia para harmonizar a empresa. Aprimorar o relacionamento, a comunicação. Na verdade, aprender a se colocar no lugar do outro”, relembra, ressaltando que tomou como regra que a TI precisa construir pontes na empresa e não muros.

“O papel da TI é de integrador das áreas de negócios e quanto mais estratégica ela se torna, mas assertivos são os resultados, que ajudam a viabilizar e a cumprir os objetivos de negócio.”

Logo em seguida, em outubro de 2015, veio o projeto da Planta de Goiana (Pernambuco), o Polo Automotivo Jeep, para a produção dos modelos Jeep Renegade, Fiat Toro e Jeep Compass. “Essa planta nasceu com o objetivo de se tornar a mais moderna em tecnologia. Foi muito empolgante participar de um projeto como este. Para mim e para toda a minha equipe.”

Com investimentos acima de R$ 7 bilhões e capacidade de produção de 250 mil veículos por ano, Goiana iniciou operação em 2015 com nada menos do que 700 robôs, sendo 650 na produção, 40 na pintura e dez na montagem, em uma área construída de 260 mil metros quadrados.

Um ano depois, em 2016, Souza assumiu o cargo de CIO para a América Latina da então FCA. Foi quando começou a trabalhar em importantes frentes como a TI por excelência, capaz de suportar o dia a dia do negócio e ainda promover a transformação digital. Para isso, segundo ele, a TI teve de se preparar para protagonizar as mudanças rumo à jornada digital.

Para a TI assumir esse novo papel, disseminando a cultura digital em toda a empresa, o novo CIO promoveu uma série de ações, entre elas, capacitação dos colaboradores, contratação de profissionais do mercado, evolução da comunicação, disseminação do conhecimento sobre os potenciais das tecnologias, capazes de alavancar a atuação da empresa, tudo isso com o total envolvimento de toda a equipe de TI.

Era Open space e seus desafios
Outra movimentação gratificante para o executivo foi a modernização do ambiente da planta de Betim. “Nós derrubamos paredes e adotamos o modelo open space, promovendo total integração do time, estimulando a proliferação de ideias, de inovação, e do modelo de colaboração. Assim começamos a aplicar um novo mindset nos processos de negócio.”

Esse conjunto de ações ajudou a promover a integração com as áreas de negócio de maneira natural e simplificada. Nascia, segundo o CIO, uma nova cultura. “Criamos um modelo de governança voltado à transformação digital”, orgulha-se.

“Hoje, estamos vivenciando um momento fantástico, muito especial no setor automotivo. Um exemplo de evolução são os carros conectados, que muito além de veículos, se tornaram verdadeiras plataformas tecnológicas”, diz.
O CIO, nascido de mãos dadas com a evolução da Fiat, lembra que essa nova era impõe certas exigências: “Em razão da velocidade com que surgem as inovações no mercado, vivemos uma corrida diária contra o tempo. Nossos engenheiros muitas vezes têm de realizar atualizações em real time. Hoje, não se pode esperar por quase nada. E em meio a esse desenho frenético está um importante personagem: o cliente. Precisamos dar a ele a melhor experiência on e off-line”.

Ele alerta que quando a empresa possui um ecossistema grandioso como o da FCA, o desafio é ainda muito maior. É preciso proporcionar a melhor experiência ao cliente, que cada vez mais é um alvo móvel. “É fundamental apoiar as concessionárias que estão na ponta, que recebem o cliente. Temos de ajudar a levá-lo até lá, atraí-lo da melhor forma possível. Por essa razão, a jornada do cliente é um desafio em constante debate, observação e evolução. Talvez um dos maiores da nova era.”

Em sua avaliação, as conquistas sempre serão resultado de muito trabalho, comprometimento e dedicação. E os frutos certamente serão colhidos. “Vivi no início da minha carreira uma TI afastada da estratégia. Por isso, hoje, trabalho muito na construção de parcerias com as áreas de negócios, para que a TI tenha voz, seja percebida e integrada ao negócio”, ensina e revela: “A TI da FCA Brasil participa de todos os comitês diretores da companhia, como os de Produto, Industrial e Comercial”, finaliza o CIO responsável por cerca de 400 profissionais em seu time, direta e indiretamente, no Brasil, Chile, Venezuela e Argentina.

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